Esta tragédia carioca em três atos, escrita em 1960 e encenada pela primeira vez em 1961, conta a história de um homem que beija um atropelado agonizante na rua e é acusado publicamente de ser homossexual - até mesmo por sua mulher - trazendo à tona a hipocrisia e a falsidade das relações humanas.
Cara. Os personagens do Nelson Rodrigues são uma coisa maluca, mesmo. O casamento foi um choque, mas O beijo no asfalto, mesmo esperando... ninguém escreve assim, ninguém fala assim, ninguém faz assim. Queria ver isso num palco, qualquer dia — e que inveja de quem pôde ver com a Fernanda Montenegro, lá nos anos 60.
Esse ano fiz um curso na USP sobre Sylvia Serafim e a família Rodrigues e pensei muito no jornalismo marrom retratado em O beijo no asfalto, Nelson Rodrigues sabia como ninguém como o jornalismo marrom em conluio com a polícia poderiam destruir a vida das pessoas e ele estava justamente do lado da imprensa como toda sua família, para a gente não esquecer que ele era da parte dos reacionários, muito embora um gênio do teatro e literatura. Em O beijo no asfalto além de demonstrar os trâmites dos bastidores jornalísticos e policiais, Rodrigues faz o seu melhor em retratar a hipocrisia das famílias da pequena burguesia, o que lhes recalca, o que lhes funda como neurose.
Um beijo, desejos escondidos, preconceitos nada velados, medo e suscetibilidade ao que os outros possam pensar ao mesmo tempo em que a ausência de temor do pensamento coletivo é uma liberdade. Em relativamente poucas páginas, Nelson Rodrigues entregou um texto complexo e repleto de nuances que é de dar inveja a diversos camalhaços que não tem sequer um personagem bem desenvolvido. Sinto falta de algo ainda meio intangível para mim, mas nada que diminua o brilhantismo da obra.
Recommendation: Read Nelson Rodrigues's work without any previous knowledge on what the plot is. I have done that with both Vestido de Noiva and O Beijo no Asfalto, for Rodrigues's plays have a jigsaw quality to it. Even though it didn't have as much impact as Vestido de Noiva, I still found O Beijo no Asfalto to be a really good play. I will definitely seek more Nelson Rodrigues in the future. So, 4 .5 out of 5 stars. Update: 5 out of 5 stars. I think, as time passes, this is starting to become my favourite Nelson Rodrigues's play
📚O beijo no asfalto📚 Encenada pela primeira vez em 1961, baseado em Arandir, um homem casado que beija outro homem que foi atropelado e está morrendo. As frases dos personagens são curtas, muitas vezes interrompidas, o que confere uma agilidade impressionante para a leitura. As emoções começam a escalonar até que, por fim, temos o clímax.
O aspecto que mais me agradou foi ver como uma “fake news” muda completamente a vida de uma pessoa e o quanto um beijo pode ser mais chocante que uma morte por atropelamento.
Queria amar, mas não amei. Pretendo continuar tentando Nelson Rodrigues mesmo assim.
O livro é na verdade um roteiro de peça e foi criado especificamente para a atuação da Fernanda Montenegro nos palcos. Como as falas são escritas para serem encenadas com naturalidade, o texto é super informal e cheio de coloquialismos. Mesmo sabendo disso e provavelmente porque eu não estou acostumada com o formato, achei que o que foi feito pra simplificar acabou deixando a obra truncada. De outro lado, li críticas que elogiam justamente esse estilo da escrita... então, como de praxe na literatura, vai do gosto do freguês.
A história é interessante e o plot mais ainda. Um belo dia no Rio de Janeiro de 1960, morre um homem no meio da rua e, imediatamente depois, com o corpo ainda estendido no asfalto, outro vai lá e tasca-lhe um beijo. A história desenrola tentando esclarecer as circunstâncias desse beijo e os pontos de vista dos policiais designados pra apurar o caso, da esposa do beijoqueiro, da família da esposa do beijoqueiro & do beijoqueiro itself. No fim, um desses personagem citados ganha inesperado protagonismo e essas reflexões que falei ficam de lado, dando espaço pra uma revelação chocante.
Não é spoiler dizer que o beijo no asfalto é um beijo entre dois homens e aí vale destacar a vanguarda do Nelson ao abordar o assunto nos anos 60.
O livro se desenvolve a partir de um fato insólito, um beijo no asfalto. A obra não responde várias perguntas, ficando o leitor encarregado de formular possíveis hipóteses a respeito da história. Não só isso, mas a forma como os diálogos são construídos é muito interessante, as falas são sempre cortadas com um ponto final, os personagens são tomados por tamanha emoção que não concluem a linha de raciocínio, cabendo diferentes interpretações para o que eles queriam dizer. De uma forma muito refinado, Nelson Rodrigues faz diversas críticas sociais a partir da peça (fake news, avareza, desejos encobertos), mas o que chamou a minha atenção foi o fato das personagens confiarem cegamente no que a manchete do jornal propunha, fazendo com que eles mudem os fatos a partir do que foi lido, porque o jornal lhes dizia o que pensar e o que eles repetiam entre si o que foi dito. Se Arandir tinha um amante ou se era apenas compassivo, fica em aberto. Em suma, um livro super interessante e gostoso de ler.
Uma peça incrível. Uma vez vi uma cena muito tocante no tiktok que me fez querer ler muito esse livro e finalmente o tirei pra ler.
A estrutura é diferente e super interessante. São várias frases sendo cortadas pelo meio por um ponto final. Dá uma sensação frenética como se fosse uma grande discussão, todos falando por cima de todos.
O que fazer quando um jornalista canalha se junta a um delegado corrupto? Fake news!
Gostei muito de tudo e principalmente o final que me deixou passada com o plot twist.
Esse é um livro bem difícil de avaliar. Principalmente por conta de ser minha primeira leitura em formato de peça, e por conta de seu tamanho não impedir de ser bem decepcionante (se é que é possível envolver decepção em algo que você não sabe muito bem o que esperar).
'O Beijo no Asfalto' tenta ser muitas coisas — misterioso comovente e até mesmo carioca, sendo que o Rio de Janeiro em si é um pano de fundo bem deixado de lado —, porém não passa de homofóbico. Na intenção de criar uma aura misteriosa em volta do acidente com o homem desconhecido e o beijo que ocorre em seguida muitos personagens interagem entre si a fim de entender o que realmente aconteceu, levando a uma série de suposições desnecessárias enredadas por comentários machistas e homofóbicos que só servem para fazer o leitor odiar certos personagens que já não eram de muita serventia.
O ponto central, e que interliga os demais, de eu não ter gostado dessa leitura é seu formato de peça, dividido em atos. Por ser um estilo completamente fora da minha zona de conforto até cheguei a dar uma pesquisada para não ficar completamente perdido, mas não acabou adiantando muita coisa: os diálogos são confusos, difíceis de entender e terminam de forma abrupta, tornando-o uma experiência complicada em formato de texto.
Logo no fim do livro vem um texto de apoio escrito por Flávio Aguiar, professor da USP e autor de 'Anita', analisando o texto de Nelson, esmiuçando que as interrupções entre os diálogos são sua maneira de demonstrar a incerteza dos personagens — o que até concordo, se estivesse assistindo a peça e não lendo o roteiro. Sem contar que tenta justificar os comentários ofensivos dos personagens como uma forma que eles acharam de lidar com conflitos “mais complexos”. Se isso não é um absurdo, eu não sei o que é.
Sendo assim, ‘O Beijo no Asfalto’ é, a grosso modo, um montante de coisas erradas. Uma ultima surpresa amarga é que essa foi uma história escrita especificamente para Fernanda Montenegro que, para quem não sabe, há pouco tempo atuou em uma novela em que sua personagem era uma senhora lésbica orgulhosa de sua sexualidade e que viveu toda uma vida ao lado de sua parceira; logo, saber que ela encenou na primeira montagem dessa peça é bem decepcionante. Sim, são tempos completamente diferentes em questão, mas esse não deveria ser o ponto. O ponto é: chega de representatividade negativa. Uma história só veio para disseminar negatividade sem tentar chegar a um ponto benéfico não merece espaço na estante alheia.
Em “O Beijo no Asfalto” temos um resumo de tudo que Nelson Rodrigues produziu em suas peças teatrais e crônicas: dramas familiares, hipocrisia, desejos reprimidos, traições e, principalmente, tragédia!
O texto é dinâmico, frenético e com muitos diálogos propositadamente incompletos. A tensão está o tempo todo no ar por conta de um insólito beijo dado por Arandir, o protagonista, em um aparente desconhecido que fora atropelado por um ônibus minutos antes da cena que dá título à peça.
Não dá para dizer que “O Beijo no Asfalto” é um texto ruim. Mas talvez pelo fato de ser curta, a história não conseguiu me cativar o suficiente. Não deu tempo de me afeiçoar às personagens nem à trama.
As várias pontas soltas não são necessariamente resolvidas ao longo do texto e isto me deixou com uma sensação de incompletude. Pode ser que tenha sido algo intencional, porém não funcionou comigo.
De maneira geral gostei do livro. Vale a pena relê-lo em uma outra oportunidade e observar se alguma questão passou despercebida por mim. Outra coisa importante é reconhecer que peças teatrais foram escritas não para serem lidas em primeira instância, mas sim para serem encenadas. Acredito que a experiência em um palco seja exatamente positiva e completa para o leitor-espectador.
Nelson Rodrigues é um gênio do teatro brasileiro, e “O Beijo no Asfalto” é mais uma se suas diversas obras que comprova isso. O posfácio de Gustavo Bernardo apenas engrandece a experiência. “Todos acreditam no jornal, livrando seus ombros da responsabilidade. Abdicam de significar o universo que os rodeia, porque há quem faça isso para eles. Não à toa filósofos como Fernando Savater afirmam que a nossa única obrigação moral é a de não sermos imbecis. Ele explica, didático, que a palavra ‘imbecil’ vem do latim baculus, que significa ‘bastão’ ou ‘bengala’. O imbecil, portanto, é aquele que precisa de bengala para pensar, ou melhor, para fingir que pensou. O imbecilidade se permite ser pensado pelos Amados Ribeiros” (BERNARDO, 2020, p. 145). Simplesmente excelente!
adorei meu primeiro contato com nelson rodrigues, e queria deixar bem claro que fiquei gagging com o final kk tive até uma reação bem alta enquanto lia.
ele realmente soube me prender na história, me deixar tão atordoada quanto os personagens durante as tantas camadas de acontecimentos. acho que foi por isso que o final me impactou tanto, além de eu realmente não estar esperando o que aconteceu, me senti dentro da história e pude vê-la ter um desfecho.
queria muito poder ter visto essa peça com a diva fernanda montenegro, deve ter sido incrível!
eu não sei se é o fato de ser um roteiro de uma peça, se é o estilo de escrita do nelson rodrigues, ou se essa era a norma mais comum na época que essa peça foi criada, mas o fato é: me senti lendo um delírio febril de uma pessoa hiperativa e com déficit de atenção.
mas eu adorei! haha foi a primeira peça que já li, e meu primeiro contato com nelson rodrigues, mas foi uma leitura tão fluida e divertida (apesar de trágica) que me deu vontade de expandir essas listas.
Nelson Rodrigues sempre com uma construção impecável. Nessa peça ele aborda a corrupção policial, jornalística, fake news, homofobia, incesto, entre outros temas importantíssimos. O mais incrível é pensar que isso tudo foi escrito em 1961. Nelson é um escritor a frente do seu tempo. E surreal como TUDO dele te prende do início ao fim e você fica besta de queixo caído! Sempre com linguagem coloquial e críticas sociais e morais. Five starssssss Nelsito! Não consigo te dar menos que isso….
Estou numa fase de amar ler peças de teatro e não sei se já disse isso em outra review, mas acho que sim. Enfim, sempre quis ler essa e tenho o sonho de ver ela montada, talvez adaptada pro século XXI. É engraçada, meio angustiante, capta aspectos de um Rio de Janeiro que se modernizava, nos anos 1960, e continuava cheio de valores morais hipócritas. Gostei, me diverti e me deu mais vontade ainda de ver a montagem.
esse amor e familiaridade com a língua que te leva a ouvir o texto escrito é insano. as direções de atuação são tão fantásticas, parte essencial do texto como literatura. é um baita tratado sociológico sobre o que significa ser homem no Brasil em forma de peça
Arandir é um homem casado que beijou a boca de outro homem que acaba de ser atropelado, realizando o último desejo dele, mas um jornalista vê a cena e decide tirar proveito dela causando um grande escândalo na sociedade carioca.
Considero incrível o modo como essa peça, escrita em 1961, ainda possui assuntos tão atuais. O Beijo No Asfalto começa abordando a corrupção e o abuso policial fazendo um importante alerta sobre isso com os personagens mais podres possíveis, logo em seguida fala sobre fake news antes mesmo dela ter esse nome. É uma peça que constrói a cada momento uma trama que só se faz a partir do que a manipulação da mídia faz com a população, isso sem época de disseminação em whatsapp ou robôs no twitter, e faz isso com maestria, com uma matéria, uma cena tirada de contexto, nascia a cultura do cancelamento.
Por se passar ainda nos anos 60 vemos também o choque que um beijo entre dois homens causa em uma população inteira, tudo somado a uma matéria falaciosa no jornal. Um homem morre atropelado por uma lotação que não parou no sinal que já ficava vermelho, mas o foco vai para dois homens se beijando, o escândalo deixa de ser o crime e passa a ser o tabu, novamente de mantendo atual mesmo que hoje em dia não seja tão forte quanto antes.
O Beijo No Asfalto constrói uma tragédia que supera expectativas, é uma peça que toca nas feridas de uma sociedade corrupta e facilmente manipulável. Seus personagens são de camadas incríveis e sua escrita supera o esperado de um roteiro, mesmo que a história acabe pecando no terceiro ato.
Na minha opinião, o último ato, que encaminha para a finalização da tragédia, é desconfortável no pior sentido da palavra. Uma personagem acaba sendo levemente descaracterizada para levar o leitor a criar outros pensamentos sobre o rumo que a história levaria e até mesmo afirmar a sexualidade do protagonista (o que não tinha necessidade alguma) e também leva para uma conclusão que pode até ser compreensível mas com declarações que não fazem sentido com tudo que trouxe a tragédia até aqui, além de algumas cenas desnecessárias.
Encerro dizendo que O Beijo No Asfalto não é uma história representativa, como muitos acham. É sim uma peça que fala muito sobre o que é tabu na sociedade, mas de forma alguma aborda o tema sexualidade de modo que poderia se chegar a dizer que tem alguma representatividade. O foco dela é escancarar a manipulação midiática e a corrupção policial e nesses quesitos ela funciona extremamente bem.
Eu não sei bem o que eu esperava pra essa história quando comecei a leitura, mas sei que ela acabou sendo uma coisa completamente diferente. No fim, eu acho que a história representa bem a sua época, mas acaba sendo, na falta de uma palavra melhor, meio densa e perturbadora, tratando de temas como a violência policial, aborto e, claro, homofobia, com uma visão que parece bastante com a dos livros dos anos 50, onde, no fim, os personagens lgbt's são punidos por suas ações (e, nesse livro, os dois homens acabam morrendo, um servindo de plot e outro só depois de ser alvo da homofobia de todos os outros personagens da peça, que diziam que ele era uma "viúva" do outro, e até dele próprio, que não para de negar que jamais seria gay!).
Além disso, acho que a questão principal acaba sendo deixada em aberto (eu acabei a leitura sem entender se o Arandir e o outro eram realmente amantes ou se a viúva estava usando aquela história apenas para justificar o seu próprio adultério), mas suponho que isso acaba potencializando a crítica do livro, exacerbando os efeitos negativos da hipocrisia preconceituosa da sociedade carioca dos anos 60.
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Bela crítica à sociedade brasileira, atual inclusive. Foco em como atos de pouca relevância podem ser elevadas, descritas e tornadas em fofocas no intuito de esconder fatos de real importancia e como as pessoas vão se importar mais com as fofocas e fatos de baixa relevância social. Envolvente descrição, com toques de humor. A peça é uma leitura envolvente e interessante que vale a pena.
Primeira experiência lendo uma peça, não foi uma experiência horrível, mas não é bem meu estilo de leitura. Contudo, confesso que a leitura é excelente e muito fluída. Sobre a história: QUE PLOT TWIST FOI ESSE?
absolutamente icônico, as vezes é tanto melodramático q n da pra entender nada mas foi uma crítica sobre mídia sensacionalista q fica relevante até hoje