Diversamente do que indica a sinopse desse livro, ao se colocar como “objeto” em um leilão privado para ricos pais americanos, Michael Tremayne, marquês de Falconridge, não estava colocando à disposição tão somente o seu título em favor de uma das suas mimadas filhas através do casamento, ele estava violando a si mesmo, pois tal ato representava a quebra de seu orgulho masculino, da sua dignidade. Para completar, o pai que o “arrematou” colocou-o como noivo de Kate, uma mulher temperamental, que não aceitava nada menos do que amor no seu leito. Rejeitado, Michael empreende uma paciente empreitada em busca de conquistar a afeição da esposa. O que ele não sabe é que Kate guarda um segredo, um amor do passado, o qual ela teve que abrir mão por imposição da família. Além disso, Michael também oculta de Kate alguém muito importante para si, e as razões pelas quais se viu em uma situação de endividamento. Pois bem. O livro é muito bom, tem personagens bem elaborados com um enredo de fundo intrigante. Michael é encantador, solitário, reservado, tem um ar triste, algo que remonta ao seu passado e a sua criação. Um homem lindo, mas não muito bem resolvido quando se trata de finanças e mulheres. De qualquer forma, tem um inegável carisma, especialmente quando busca de várias maneiras identificar a cor favorita de Kate e de agradá-la. Fiquei comovida quando suas verdadeiras circunstâncias são gradativamente reveladas ao leitor, não que seja profundamente dramático, mas para a época leva-nos a pensar que era situação desconhecida e por isso desafiadora. Kate, no entanto, não me conquistou. Profundamente mimada e protegida, me pareceu muito arrogante e cheia de si. Todas as vezes que ela, já na condição de marquesa, ameaçava “cortar” os fundos financeiros de Michael quando suas vontades se viam ameaçadas eu pensei comigo: que mulher petulante e cega!! Sim, que mocinha estúpida, eu diria assim. O certo é que ela melhora sensivelmente na reta final, fica toda fofa e carinhosa, mas minha antipatia por essa personagem não desapareceu completamente, muito embora ela venha a aprender o que é o amor. Como disse a mãe de Kate, de forma sábia, “o amor não é encontrado em palavras (...). É encontrado em momentos tranquilos, um olhar, um suspiro, um sorriso, uma alegria (...) E muitas vezes, isso é mostrado com sacrifício.”