O mundo de amanhã será definido mais pelas dinâmicas que prevalecem na luta entre as democracias liberais do que pela evolução da ciência e da tecnologia, das mudanças climáticas ou das epidemias.
A crise da ordem liberal marca o regresso da competição entre as grandes potências. As divergências entre os Estados Unidos, a China e a Rússia dominam a política internacional e prejudicam as dinâmicas de integração que garantiram a paz no período pós-Guerra Fria. No mundo de amanhã, Portugal e a Europa terão de recuperar as condições de autonomia indispensáveis à defesa dos seus valores e dos seus interesses.
Através de uma análise das crises internacionais e das estratégias das principais potências, este ensaio procura demonstrar que o destino do mundo está, afinal, nas mãos da geopolítica contemporânea.
CARLOS GASPAR é Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais (1982), pelo Institut d'Etudes Politiques de Paris e doutorado en Relações Internacionais, especialidade História e Teoria das Relações Internacionais (2016), pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde é professor auxiliar convidado no departamento de Estudos Políticos. Investigador e membro da Direcção do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI/UNL). É também membro da Associação Portuguesa de Ciência Politica, do European Council on Foreign Relations e European China Research and Academic Network, tendo sido assessor da Casa Civil dos Presidentes António Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio (1976-2006). Tem como áreas de investigação história internacional, teoria das relações internacionais, política externa portuguesa contemporânea e modelos de estrutura e ordenamento internacional.
Carlos Gaspar analisa de forma sucinta, clara e lúcida, como poucos em Portugal, os mais recentes desenvolvimentos da geopolítica contemporânea. O livro inclui uma útil lista de referências bibliográficas.
Partindo da premissa idealizada do fim do mundo como o conhecemos, Carlos Gaspar constrói um ensaio bem esquematizado, com escrita clara e concisa e com uma retórica que faz sentido e pode ser empiricamente comprovada.
Consegue em cem páginas sintetizar os principais acontecimentos históricos que marcaram a geopolítica nas décadas mais recentes. Retrata igualmente em síntese o posicionamento de Portugal no mundo.
A sua divisão nas principais potências que fazem pender a balança de poder hoje é interessante, explorando assim a tese multipolar com destaque para a China, a Rússia e os Estados Unidos (e o seu declínio como hegemon do mundo unipolar no pós Guerra Fria).
Excelente ensaio que põe todas as cartas na mesa desde o fim da Guerra Fria até ao fim do fim da história, quando Donald Trump é eleito presidente dos Estados Unidos e causa mudanças na ordem mundial, e os poderes revisionistas Orientais (China e Rússia) ganham condições para assertarem dominância no palco mundial.
Quem está familiar com Ciência Política e Relações Internacionais, provavelmente não irá ler nada de novo com este ensaio, mas consegue refrescar algumas ideias e foi-me útil nesse sentido. Quem é um total novato, o Professor Carlos Gaspar consegue de forma sucinta delinear toda a história contemporânea que contextualiza os eventos globais de hoje, como a ascensão da China, a crise no mundo liberal, a queda do Consenso de Washington, a Grande Recessão de 2008, as mudanças na Europa e seu papel em relação aos outros poderes, e a cereja no topo do bolo, está no olhar de alguns destes eventos pelas lentes dos políticos e academia Portuguesas, que tiveram alguma participação histórica neles.
São pouco mais de 100 páginas, mas tem capítulos densos que requerem uma leitura repetida. Outra utilidade que este pequeno livro tem, é uma grande fonte de referências e leituras adicionais para poder aprofundar os conhecimentos em geopolítica, e essencialmente entender como a política internacional funciona, sem clubismos políticos. O Mundo de Amanhã consegue assim ser um bom ponto de partida para quem estiver a chegar ao mundo da geopolítica.
Quando se fala nos grandes problemas do mundo vêm nos sempre à cabeça duas coisas: a guerra e as pessoas que ainda usam crocs. Ora, para grande surpresa minha, este livro não fala de crocs, fala sim de geoestratégia mundial. Logo desde aí percebe se a dificuldade do autor em focar se nas coisas importantes. É óbvio que o livro nos faz refletir, mas isso até um espelho faz. Dito isto, acho que o título é enganador, porque fala do "amanhã", mas não consegue fazer previsões sobre o que realmente interessa, como a guerra da ucrânia ou como quem é que vai apresentar o preço certo quando o fernando mendes se reformar. A questão do futuro parece me, nesse sentido, muito mal abordada. Para além disso, com tantas previsões falhadas, nem uma palavrinha para o clube em que o ronaldo vais jogar na próxima época. Enfim, desilusão. Há muita gente que diz que este é o tipo de livros que "faz crescer", mas o que faz crescer é ir para o ginásio. Fica a dica!
Tive Carlos Gaspar como professor na universidade há mais de duas décadas e meia e ficou para mim como um dos melhores, pelo conhecimento, pela capacidade de passar o mesmo, e precisamente por isso tenho sempre interesse em tudo o que escreve.
Apesar de tem em casa “O Mundo de Amanhã” em papel, aproveitei uma promoção e comprei a versão em audiolivro, e foi por aqui que acebei por conhecer o livro, aos poucos, nas últimas semanas.
Não tendo melhores palavras para descrever o livro, aproveito parte da sinopse, que com toda a verdade, refere o seguinte: “Através de uma análise das crises internacionais e das estratégias das principais potências, este ensaio procura demonstrar que o destino do mundo está, afinal, nas mãos da geopolítica contemporânea.”.
Uma radiografia do mundo pela mão de quem sabe e melhor consegue explicar. Uma leitura obrigatória, em papel ou audiolivro (é um boa oportunidade para conhecer o formato de audiolivro).
Interessante abordagem ao xadrez das nações. Algumas partes mais densas, mas no seu todo muito interessante, de leitura rápida e interessante. Um pequeno manual de relações internacionais e geopolítica mundial das últimas décadas.
O Mundo de Amanhã – Geopolítica Contemporânea apresenta uma reflexão clara sobre as transformações do sistema internacional após o fim da Guerra Fria. O ensaio destaca a crescente competição entre grandes potências e a reconfiguração de alianças e equilíbrios regionais. A obra contribui para compreender como disputas por influência, capacidade económica e arquitetura de segurança estão a moldar a política global contemporânea. Trata-se de uma leitura útil para quem procura interpretar tendências estratégicas e possíveis direções do sistema internacional nas próximas décadas.