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Multiverso Pulp: ópera espacial

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Caro leitor, neste volume, você encontrará muita aventura no espaço sideral e em outros planetas. Expedições científicas, alienígenas, passados alternativos, piratas, naves e tecnologias fantásticas, monstros bizarros e viajantes espaciais estão presentes em um único livro. Escritores brasileiros também exploram os confins do universo e as relações humanas na literatura conhecida como ópera espacial. Conheça o trabalho destes autores. Antes de decolar lembre-se de fazer uma revisão em sua nave espacial e nos seus trajes de astronauta. E não deixe de se preparar também para a diplomacia.

150 pages, Kindle Edition

Published May 12, 2020

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About the author

Duda Falcão

39 books3 followers
Começou a publicar textos ficcionais a partir de 2009, em antologias com temáticas fantásticas.
Em 2010 fundou com Cesar Alcázar a Argonautas Editora. Para além de escritor, organiza Tu, Frankenstein e a Odisseia de Literatura Fantástica.
Atua como professor universitário, sendo graduado em História, especialista em Literatura Brasileira, mestre e doutorando em Educação.

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Profile Image for Paulo Vinicius Figueiredo dos Santos.
977 reviews12 followers
August 11, 2020
1 - Um Exílio na Espiral Infinita, de Mélani Sant'Ana (2 estrelas)

Às vezes temos boas ideias só não conseguimos encaixá-las em nossas histórias de uma maneira que faça sentido. Isso se chama coerência. Foi um pouco disso que aconteceu com a narrativa da Mélani. Na narrativa ela nos apresenta a doutora Milene que faz parte de uma tripulação que está seguindo a um estranho planeta que possui uma espécie de distorção temporal. Lá o tempo flutua alterando nossa percepção de tempo: um momento no planeta pode significa minutos, horas ou milênios dependendo do instante em que se sai do planeta. O cientista da nave, através de sua nave, consegue encontrar um período de estabilidade de duas semanas onde pesquisas podem ser realizadas. Mas, o capitão Atnas acaba se tornando um obstáculo para a realização das mesmas, mas Milene acaba fazendo suas próprias pesquisas. Isso vai acabar gerando confusão para ela.

Percebi que a autora tinha algumas boas ideias como a noção da distorção temporal e como isso afetava a estrutura do ser humano e o próprio drama vivido pela protagonista. Mas, em nenhum momento eu consegui me importar com ela. A história acabou soando rasa demais e quando acontece o momento climático de virada, ele não provocou a emoção esperada. Em vários momentos na história também me senti perdido e precisei voltar algumas vezes porque algumas situações me pareceram um pouco estranhas e pouco coerentes com o todo. Não me entendam errada: a narrativa é bem escrita, só que as situações parecem truncadas e fora de sincronia.

2 - "O Ser mais satisfeito no espaço sideral", de Tiago Rech (5 estrelas)

Mais uma vez o Tiago Rech me entregando uma narrativa curta memorável. Essa não é a primeira vez que eu leio uma história dele e como ele consegue escrever uma narrativa com tanta leveza e entretenimento. É um plot tão simples e bobo, mas que deu tão certo nas mãos certas. Às vezes eu digo a quem me procura que não há problema em escrever uma história que seja clichê, ou um tema que seja simples. Basta que o desenvolvimento seja bem feito.

Na história, o personagem é um alienígena que é uma espécie de taxista espacial conta suas peripécias em seu cotidiano. A história escolhida é de quando ele levou um humano até um ponto desconhecido da galáxia. Tudo aconteceu neste dia: explosões, tiros, insanidades. É uma narrativa bem aventuresca com um tom divertido e leve graças à narrativa em primeira pessoa empregada pelo autor. A história acaba passando bem rápido muito por contra do ritmo frenético com o qual as coisas vão se sucedendo uma após a outra. Não há muito tempo para respirar. A escrita precisa do Tiago também ajuda bastante e ele entende bem do timing cômico sabendo quando ser engraçado e quando ser mais dramático.

3 - "Julgamento no Espaçoporto Sarajevo", de Tarcísio Lucas Hernandes Pereira (3 estrelas)

Usar a ficção científica para extrapolar possibilidades é algo que já é feito há décadas. Autores como Philip K. Dick e Ray Bradbury usaram essa fórmula à exaustão. E sempre rendem boas histórias. É mais ou menos isso o que Tarcísio tenta fazer aqui. Sua escrita é bem corretinha, não deixando nada a desejar, mas também não surpreende. Senti falta de um pouco de ousadia, de testar um algo mais nessa fórmula até porque a temática que ele abordou eu já vi sendo realizada em outras histórias de outras formas até mais criativas.

Temos um homem honrado, experiente e que já participou de inúmeras batalhas que é levado a um conselho ao chegar a um espaçoporto. Ele estranha a ida até o lugar ainda mais tendo sido apreendido o que gera até um certo constrangimento para ele. Parece que ele foi acusado de algo que ele não sabe o que é.

O tema do ser julgado por aquilo que ainda não foi realizado é algo que Philip K. Dick explorou muito bem em Minority Report. Por essa razão o conto de Tarcísio acabou não me chamando a atenção. Quando a gente avalia contos ou aconselha novos autores, tenho por hábito dizer que não há problemas em usar fórmulas já existentes. Desde que você crie algo seu em cima do que já existe. Se eu só repito uma fórmula, por melhor que ela seja, é só uma repaginação. Pode ser até um elemento novo.

4 - "A Prisioneira", de Rafael Fontoura (3 estrelas)

Esse é o primeiro de alguns contos de assalto que temos nessa coletânea. Temos uma mulher que é capturada por conta de seus talentos como técnica em conserto de máquinas. Duke vê a grana chegando ao colocá-la para trabalhar com o material que ele consegue de seus roubos. Ele também lida com apostas em uma espécie de arena de gladiadores. Mas, a esperteza de nossa prisioneira pode ser demais para nosso chefão do crime.

Um conto simples e eficaz sobre uma mulher inteligente enganando um chefão do crime. Eu até gostei da maneira como ele apresenta a dinâmica do Duke e até dos Irmãos Tragédia, aquele típico nome de capanga de bandido. Só achei que o autor deu um belo de um deus ex machina nas mãos da protagonista com ela possuindo as peças perfeitas para resolver seus problemas. A escrita também está bastante adequada, mas novamente não me surpreendeu e nem me deixou irritado. Cumpriu o seu papel para o objetivo que o autor quis. Acho que o autor deveria trabalhar melhor na parte da ambientação que ficou um pouco falha e a percepção nas cenas de ação que parecem um pouco confusas.

5 - "Verde e vermelho", de Diego Mendonça (3 estrelas)

Uma boa ideia para um conto é criar duas histórias distintas que em algum momento se chocam para criar um clímax emocionante e produzir as cenas finais da narrativa. Parece ser uma fórmula simples, mas não é. Para ela funcionar adequadamente você precisa equilibrar bem os dois arcos narrativos tornando-os igualmente interessantes ao leitor. Tal não foi o que aconteceu aqui. A ideia foi boa, mas a execução nem tanto. Na primeira narrativa temos um grupo de ladrões tentando realizar um assalto a uma espécie de nave contendo grandes figurões. Todos são muito experientes e possuem uma boa sincronia, mas de repente acontece uma explosão. Na segunda narrativa, temos um alienígena em busca de uma gema vermelha que complementa a sua gema verde, dando ao usuário poderes incomensuráveis. Ela parece ter caído nas mãos de pessoas que não merecem seus poderes. Ele está seguindo até lá para retificar esse erro.

O que acontece é que a segunda narrativa acaba sendo mais interessante do que a primeira. Para que a primeira funcionasse bem, ela precisaria de mais espaço para formar os laços que ligam os membros do grupo. Para que fôssemos capazes de sentir empatia pelos personagens. Só que isso não foi possível dadas as restrições do tamanho de um conto. Por outro lado, a mitologia por trás das gemas perseguidas pelo alienígena produzem um tom de tensão e suspense que nos prendem por mais tempo na história. Até o tom da narrativa é diferente: na primeira narrativa o autor emprega mais diálogos; na segunda, mais descrições. Esse desequilíbrio ficou claro no momento em que as histórias se cruzam e o final sofre com essa diferença de tom.

6 - "Elhya", de Otávio Definski (4 estrelas)

Otávio cria uma história bem curiosa a partir de uma proposta simples: Elhya faz parte de um grupo de caçadores de recompensa. Ela é boa no que faz e como recompensa por sua próxima missão (isso ela sendo concluída) um posto como comandante de um grupo de caçadores de elite no planeta para onde ela está indo. Óbvio que a missão não vai ser assim tão fácil quanto ela espera que seja. Uma premissa fácil de entender, mas é nos pequenos detalhes que o autor vai te pegar.

Por exemplo: a personagem é trans. Ela sofre com o preconceito dos seus pares que não entende a distinção entre o gênero em si e se sentir diferente. O autor aborda o tema em poucas linhas, mas dá uma baita profundidade para a personagem. Também ficamos sabendo rapidamente que o planeta Terra foi completamente destruída por nós mesmos. Mas, tudo isso o autor faz de maneira sutil com informações jogadas aqui e ali. Muitas vezes os autores se preocupam em abordar temas em capítulos e mais capítulos sobre algo sem relevância para a narrativa. No gênero conto, a concisão é essencial para que tudo funcione.

O autor não criou um conto brilhante. Mas, ele se destacou para mim pela atenção aos detalhes, pela precisão da escrita. Algo que acaba faltando para alguns autores.

7 - "O Domador de Nebulosas", de Caliel Alves (4 estrelas)

Em O Domador de Nebulosas, temos uma proposta bem ousada: homens que são responsáveis por disparar bombas em nebulosas para ampliar o tempo de existência do universo. Caliel vai explicar isso com mais detalhes no texto, mas achei a proposta bem inovadora e interessante. Ele cria uma dinâmica entre Jack, Bárbara e o capitão que consegue fazer a função do desenvolvimento de personagens. Em determinadas histórias não há a necessidade de empregar um grande número de personagens; o elenco pode ser curto, fazendo com que a narrativa te forneça apenas as possibilidades necessárias para o conto.

Gostei da ideia, da relação entre os personagens, mas não do final. E isso acontece com bastante frequência em alguns contos. A ideia é boa, a execução começa bem, mas acaba derrapando no final de algum jeito. Não sei se o autor ficou preocupado com a quantidade de palavras ou não pensou em como a história terminaria, senti que tudo acontece de uma maneira brusca. O momento final tem o tom de dramaticidade necessário ao ajuste final que o autor queria, mas a forma como este final acontece não dá ao leitor aquela sensação de fechamento.

8 - "A Aurora no Fim do Universo", de Tassi Viebrantz (5 estrelas)

Sempre discutimos o que existe no fim do universo. Todo o tipo de teorias já foram criadas a esse respeito: múltiplos universos, elementos estranhos, vidas em outro sentido do que significa uma vida. Aqui Tassi nos mostra a Aurora da Íris e a Aurora Obscura, duas teorias curiosas sobre o que existe lá. Luz e escuridão. Um personagem se sentindo culpado pela perda de seu amor. Nesse mundo é possível trocar de corpos. Nosso protagonista trocou de corpo com seu amado Giovanni no momento em que seu corpo físico estava morrendo. Agora ele habita o corpo da pessoa que ele mais amava. Todos os dias ele precisa olhar no espelho e olhar o rosto, o sorriso e os olhos de alguém que já se foi. Ele é chamado para investigar algo no laboratório de Giovanni que parece ter a ver com sua morte. E isso vai levá-lo aos confins do tempo e do espaço.

Adorei o tema, a proposta e o tom dramático que a autora fornece à narrativa. Aliás uma ótima narrativa LGBT bem sutil, sem apelações e que singra um caminho tão doce. A escrita dela conseguiu me encantar por toda a narrativa e ela consegue alternar entre momentos mais reflexivos e os diálogos entre os personagens. Gostei também do encadeamento de palavras, permitindo que a gente lesse sem interrupções. O elemento conceitual também é verossímil dentro da proposta física criada pela autora. Pode até ser bizarra, mas ela faz ter sentido na história, o que é fundamental para que esse tipo de narrativa funcione. Para mim, um dos melhores contos do coletânea.

9 - "Garimpeiros", de Roberto de Sousa Causo (5 estrelas)

Preciso admitir um mea culpa aqui. Já li alguns romances e contos do Causo e ainda não tinha entendido a habilidade do autor. Sabia do quanto ele representava para o meio de ficção científica. Mas, não tinha conseguido simpatizar com os textos dele. Achava-os estranhos, duros, difíceis de digerir. Ainda não tinha conseguido entender a essência do que ele queria dizer na sua escrita. Aonde ele queria chegar. Faltava aquela faísca, aquele insight que me abrisse as portas para as demais leituras. E eu me sentia culpado por isso. Até evitava ler textos do autor porque achava que o problema estava comigo. Mas, pronto. Assunto resolvido. Achei o conto! Consegui entender. Garimpeiros me permitiu entender a escrita do Causo. E até me fiz uma autorreflexão sobre outros textos que já li dele como Selva Brasil que pretendo reler em outro momento.

Temos a história de um grupo de resgate que recebe um ansível vindo de um asteroide de mineração. Mineiros estão sendo explorados por uma empresa inescrupulosa e trabalham sem os equipamentos apropriados. Isso tem causado acidentes constantes e fatais entre eles. A empresa busca manter os fatos na surdina, seja subornando os supervisores, seja sumindo com as provas. A equipe de resgate quer tirar a equipe de mineiros que se revoltou dali antes da chegada dos membros da empresa. O que temos no conto é uma mistura de sabotagem com disputa política em uma narrativa tensa o tempo inteiro. O protagonista precisa lidar com uma situação volátil em que um dos mineiros gravou dados comprometedores, mas algo está errado.

A situação toda lembra o caso dos mineiros presos na mina de carvão no Chile. O quanto disso pode pegar mal para uma empresa e toda a questão de precisar lidar com um grupo que você não sabe se pode confiar. Além disso o protagonista é um oficial em treinamento que precisa confiar em seus instintos. Gostei demais de como o Causo lidou com várias situações o tempo todo, não fazendo o leitor prever sua próxima ação. Para mim, um conto perfeito com um perfeito equilíbrio de boa escrita, personagens tridimensionais e uma narrativa intrigante.

10 - "Becky Star e Ronnie na Zona Morta", de Duda Falcão (4 estrelas)

E cá temos Duda criando mais um personagem para que possamos acompanhar. Dessa vez em um ambiente de space opera. Becky Star é uma exploradora que acaba indo parar em um planeta onde o maquinário de sua nave não funciona corretamente. Ela e Ronnie seguem para explorar o planeta e buscar entender o que tem nele como exploradores.

Esse conto é usado para construir os personagens de Becky Star, de Ronnie e indiretamente do pai de Becky. O que me parece é que Duda está preparando outras histórias da personagem em histórias futuras. É um conto bem simples e direto sobre exploração planetária e aventura, que absorve bem o espírito das histórias pulp. Acho que a história sofreu um pouco por ser uma espécie de apresentação, mas eu gostei da escrita. O Duda tem hoje uma das escritas que mais me agradam dentro da literatura fantástica nacional. Só queria ter visto um pouquinho mais.
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