A história de Vicente pode muito bem ser o espelho das nossas. Morava em Alfama e era carteiro, transportador público dos privados de cada um. Lia banda desenhada para se alimentar e, no seu universo, para além das vidas alheias que impotentemente partilhava em cartas e embrulhos de papel normal, transportava a timidez bloqueada de quem, com 30 anos, não conhecia a Primavera. Entrega-se então a um processo de curiosa metamorfose que o transforma em corvo. Ciente de que "o destino de um homem depende das crenças e dos seus fantasmas", imagina-se um herói que salva outros quando nem a si mesmo... O Corvo, indivíduo profundamente português, é assim o reflexo da desprotegida ingenuidade em que todos intervimos nas histórias das nossas ruas.
Esta é a história de um super-herói lisboeta bastante tótó e trapalhão, que, na ânsia de ajudar os outros, só faz asneira, e nem sequer se apercebe disso. A história é tão absurda, que acaba por se tornar engraçada, embora o texto pudesse estar mais bem escrito e o final me tenha parecido exageradamente disparatado. Acabei por preferir os desenhos.
Ilustrador, desenhador e autor de banda desenhada, Luís Louro tem uma carreira extensa com várias obras publicadas em Portugal. As parcerias também têm sido imensas, dentro e fora do meio da banda desenhada, com António (Tozé) Simões, Rui Zink ou Nuno Markl.
Os seus trabalhos a solo terão começado exactamente com este O Corvo, um livro onde se destaca a Portugalidade para construir um herói peculiar carregado de contrastes e intenções pouco concretizadas.
E afinal que quero dizer com isto? Vicente, a personagem principal foi criado pelos avós após a morte trágica dos pais – um acidente seguido de suicídio que leva o jovem a deixar a cidade onde se sente bem, para viver no campo.
Fascinado por revistas de super-heróis, e instigado pela criminalidade crescente a que assiste quando regressa, anos depois, à grande cidade, o jovem resolve fazer justiça e vigiar as ruas durante a noite, do topo dos telhados. Mas as suas intervenções serão marcadas por contratempos e reviravoltas diferentes dos feitos heróicos a que aspira.
O desenho, mais crú do que aquele que apresenta em trabalhos mais recentes (como Watchers ou Sentinel) acompanha o enredo mirabolante de uma personagem desastrada em que se destacam os elementos bem portugueses de uma família tradicional.
A mãe cozinha, enquanto o pai regressa de um dia de labuta, com uma garrafa na mão pronto para ver mais um jogo de futebol. O miúdo joga à bola na rua com outros rapazes e terá de existir, claro, uma janela partida. Sente-se, também, aquela moralidade de raíz religiosa que leva à suposta superioridade moral de alguns.
Mas tudo isto é revelado como caricato, traços que ajudam à caracterização da personagem, que lhe dão uma motivação e um enquadramento, enquanto, simultaneamente, se mostra o quão desastrado é.
Com a publicação do mais recente livro desta personagem, achei que deveria ler algo antes, até para poder comparar o estilo e a evolução da personagem, pelo que esperem algo mais nos próximos dias sobre o volume Inconsciência Tranquila.
Luis Louro creates a visually appealing comics describing the adventures of the Anti-hero "O Corvo", a justice seeking young man from Lisbon, with a traumatized past. This book is already a classic of Portuguese BD.
É um livro engraçado e um bocado parvo que já andava cá por casa há muito tempo 😊 É a história dum herói distraído e ingénuo que quer salvar Lisboa de vários perigos, mas é tão tonto que acaba por criar ainda mais caos por onde passa. As ilustrações são muito giras ✨
Achei ok. Não sou muito fã do traço de Luis Louro. Quanto à história. Começou bem, parecia algo com alguma profundidade e seriedade. Depois afinal tornou-se numa espécie de comédia sobre um desastrado iludido. Tem partes engraçadas, mas não faz o clique comigo.
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