Não há milagres em Stalingrado, a não ser que você saiba onde procurar. Há rumores que a figura do Diabo assombra Stalingrado e, em troca de favores, dá comida e segurança àqueles que vêm buscar sua ajuda. Nadya vai até ele pensando em vender a medalha da sua mãe, mas o Diabo quer outra coisa: informações sobre o exército. Quando um espião é descoberto, Nadya precisa escolher: entregar um inocente em nome de sua própria segurança, ou morrer como traidora.
Laura Pohl is the New York Times best-selling author of The Grimrose Girls. Her debut novel, The Last 8, won the International Latino Book Awards. She likes writing messages in caps lock, never using autocorrect, and obsessing about Star Wars. When not taking pictures of her dog, she can be found curled up with a fantasy or science-fiction book or replaying Dragon Age. Her favorite Disney princess is Cinderella, and her favorite Disney prince is Kylo Ren. A Brazilian at heart and soul, she makes her home in São Paulo.
She is represented by Kari Sutherland at Bradford Literary.
Legalzinha. É uma história meio genérica, mas não tenho nada contra histórias genéricas. Na verdade, eu gosto. São confortáveis. Aqui é aquela situação de guerra e sofrimento e você consegue perceber o drama. Para quem busca o sentimento, pode achar aqui.
Mas vou ter que concordar com uma crítica que ouvi do amigo que me recomendou a história. A Laura aqui tentou emular os russos, com termos em russo, e etc. Tentou emular as sensações deles e etc. Mas não deu certo, não soou natural. Eu entendo que é bem difícil fazer isso, mas... pois é.
Concordo também que Segunda Guerra Mundial é um período histórico MEGA BATIDO e acrescento outro ponto de vista: as narrativas da Segunda Guerra vêm no sentido de concentrar toda a "vilania" em Hitler e nos Nazistas, mostrar os judeus como as únicas vítimas (evidenciando o Holocausto) e promover os EUA como Heróis da Liberdade. Deixam de lado complexidades como... EUA só entrou nessa DE VERDADE por motivos econômicos e de conquistar hegemonia política (ALGUÉM LEMBRA DE HIROSHIMA E NAGAZAKI? Não é simplesmente vingança por Pearl Harbor), e nem foi o Dia D do Eisenhower que realmente pressionou a Alemanha para a derrota. Quem derrotou mesmo foi a URSS. Outros pontos é... Judeus não foram as únicas vítimas do Holocausto, mas antissemitismo e eugenia eram naturais em toda a Europa, mesmo nas "potências liberais" Inglaterra e França. A Liga das Nações, predecessora da ONU, deixou o Hitler crescer como um "monstrinho de estimação" para usá-lo contra a URSS e a guerra só começou depois do tratado Ribbentrop-Molotov e invasão da Polônia, em que ficou claro que o Hitler não atacaria a URSS primeiro. A URSS aceitou o tratado principalmente porque queria ver a Inglaterra e França pegarem fogo. Não tem bonzinhos na história.
Ok, continuando... Mesmo a URSS não sendo boazinha, mesmo a estratégia militar do Stalin ter sido horrorosa para o povo, a gente não pode negar que em termos de derrotar nazistas eles tiveram mais efetividade. E isso não apaece nas narrativas. Então é legal mostrar o ponto de vista da URSS... Mas não sei se foi tão legal mostrar só como todo mundo tá sofrendo nesse regime comunista. Quando você junta isso com todas as histórias de Estadunidenses Heróis da Liberdade.... Só reforça a propaganda deles, em minha opinião.
É, foi um período histórico bem ingrato de se retratar.
E no mais... É impressão minha ou o diabo é o Rumpelstilskin? haha
Bela história! Bela mesmo. Nem sempre é fácil surgir com ideias especulativas usando o cenário de guerra para criar algo novo. Laura Pohl pegou Stalingrado durante a Segunda Guerra e criou uma narrativa bem intimista em que ela analisa o papel de espiões civis empregados pelos russos para levar informações de um lado para o outro. O que ela criou fica nos limites do realismo e da ficção especulativa. Se torna bem difícil descolar uma coisa da outra. Ao final nos deparamos com uma história que trabalha com a nossa capacidade de pensar no amanhã e, mais do que isso, ter a esperança de um futuro melhor. Isso em uma situação-limite onde todos perdemos nossos sonhos diante da morte iminente.
Nadya tem uma vida muito difícil junto de sua avó. Tendo perdido seus parentes por causa da guerra, ela precisa levar uma vida de dificuldades e privações. Para conseguir colocar pão em casa, ela se torna uma prividenyie, uma espécie de espiã civil que leva informações russas a diferentes postos de batalha espalhados por toda Stalingrado. Uma tarefa difícil em que a maioria dos prividenyie acaba morrendo vítima de uma bala perdida ou quando são alvejados por rifles alemães. A vida não tem oferecido saídas fáceis e só passar de hoje para amanhã já é uma tarefa complicada. Dentre várias lendas urbanas, Nadya ouve falar sobre uma espécie de demônio que é capaz de oferecer qualquer desejo das pessoas. Mas, para isso, ele exige alguma oferenda em troca. Nossa personagem sai rumo ao rio Volga para buscar o esconderijo desse diabo e pedir o que ela deseja.
Essa é uma daquelas histórias que transbordam tristeza e melancolia. O cenário de guerra é capaz de trazer essa virulência e efemeridade da vida. Viver até o dia seguinte já é uma dádiva por si só, quanto mais sonhar ou desejar o futuro. Ter um pão na mesa, não ser alvejada por tiros e chegar em segurança em casa talvez sejam os únicos desejos de Nadya. Mas, o Diabo tem outros planos para ela. Nessa dura caminhada do dia-a-dia, Laura consegue nos mostrar um ambiente duro e complicado para que os seres humanos possam se expandir. Em vários momentos, o leitor tem uma sensação de claustrofobia e medo. Nesse sentido a autora foi muito feliz em conseguir transferir uma ambientação dessas para o seu conto.
Minha reclamação está no fato de que a história começa um pouco confusa e demora a engrenar. As cinco primeiras páginas não ficaram legais e o leitor sente dificuldade de se localizar no tempo e no espaço. Depois disso, a história flui numa boa. Melhor até do que imaginamos a princípio. Adorei os personagens: Ilya (uma espécie de amor platônico ou de sobrevivência), a avó e o Diabo. O desenvolvimento dos personagens é bem conduzido e a autora consegue criar uma narrativa cujo tamanho é bem apropriado para aquilo que ela planeja. Achei que faltou trabalhar um pouco a importância da Babushka (a avó) na vida de Nadya. Embora a maior preocupação da vida de Nadya seja ela, não ficou claro na história a relação entre ambas. Ficou algo muito solto no ar. Umas duas cenas com as duas conversando ou um flashback ou qualquer coisa do gênero teria servido para criar uma empatia melhor entre as duas personagens. Me importei mais com o Ilya do que com a avó.
Se podemos falar de um grande tema aqui é a esperança. O Diabo aparece na narrativa como alguém que deturpa os desejos e necessidades daqueles que o procuram. Sua postura de corromper as pessoas pode ser feito sem precisar receber oferendas. Basta levar o personagem a fazer aquilo que ele deseja que ela faça para poder roubar sua alma. É mais ou menos isso o que ele faz com Nadya. Depois do seu acordo inicial com o demônio, Nadya vai ficando cada vez mais e mais etérea. Não é só a sua percepção sobre a vida que vai nublando, mas todo o seu ser que se torna fantasmagórico. A constante morte de conhecidos faz com que ela tenha pouca esperança em sua vida. É como se ela realmente fosse um espectro em vida.
Essa história curta da Laura consegue ser bem sucedida na tarefa de apresentar um cenário realista e criar uma narrativa especulativa à parte. Daria até para cogitar pensar que o Diabo poderia ser apenas um ser vivo com muitos conhecimentos e capacidade para chantagear a protagonista. Não há o emprego de habilidades sobrenaturais claras, apenas a percepção de Nadya de que as coisas estavam acontecendo. Boa parte das violências fazem parte do próprio comportamento agressivo do homem em tempos de guerra. Ao ficar com essa coisa da "fantasia" ou não na cabeça, Laura brinca com nossas expectativas. No mais, só tenho a recomendar.
Na Stalingrado do final da II Guerra, Nadya tenta sobreviver, nem que para isso tenha que fazer um pacto com o Diabo.
A atmosfera de A Morte do Diabo é o grande trunfo do conto da Laura Pohl. Eu me vi transportado para a congelante Rússia, imerso no medo de ser alvejado por um sniper alemão a qualquer momento. Nadya é uma personagem promissora, embora pudesse ser mais desenvolvida caso tivesse espaço para isso. Os personagens acessórios são bem diferenciados, e, embora eu tenha previsto um pouco antes a revelação do final, ela ainda tem a dose de impacto que merece.
Com um cenário tão rico, me resta desejar que um dia um romance inteiro seja elaborado em cima desse background.
li esse conto sem saber nada sobre o plot e adorei o cenário de Stalingrado durante Segunda Guerra e o uso da cultura russa pela autora (ela deve ter pelo menos visitado, só pode). A gente entende a protagonista já na primeira cena, mas isso não acontece tanto com o amigo de infância, fundamental para a história. Talvez essa seja minha principal questão: a leitura é muito fluida, mas algumas coisas poderiam ter sido menos plantadas no início. Não sei se foi uma questão de espaço, mas tá tudo lá, só queria mais tempo no mundo e entre as pessoas! Gostei bastante da autora, vou continuar seguindo.