Em Abril de 2017, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou a ilha de Gorée, no Senegal, uma ilha que está simbolicamente associada ao tráfico transatlântico de escravos. As declarações que a esse respeito então fez desencadearam uma verdadeira tempestade de críticas e foram pretexto para um debate público que já dura há três anos. Que pretendem os críticos de Marcelo? Valerá a pena voltar à escravatura tantos anos depois? Deverá Portugal pedir desculpa pelo seu envolvimento nessa prática? Seria o padre António Vieira um apologista da escravidão dos negros? Teremos de alterar os programas de ensino da História, com visões alternativas desses acontecimentos? Foi Lisboa uma importante capital do tráfico negreiro? Combates pela Verdade: Portugal e os Escravos responde a essas e a muitas outras questões.
JOÃO PEDRO MARQUES nasceu em Lisboa, em 1949. É desde 1987 investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical e foi Presidente do Conselho Científico desse Instituto em 2007-2008. Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou a cadeira de História de África durante a década de 1990, é autor de dezenas de artigos sobre temas de história colonial, e de vários livros, dois dos quais publicados em Nova Iorque e Oxford (The Sounds of Silence, 2006, e Who Abolished Slavery? A debate with João Pedro Marques, 2010).
Quem ler este livro tem de estar ciente de que se trata de uma compilação de artigos escritos sobre a temática da escravidão e o papel de Portugal (e do ocidente) na ampliação desta prática, mas também na sua abolição. O leitor pode, desta forma, esperar alguma repetição ao longo do livro. No entanto, penso que essa repetição é a primeira vantagem desta obra, pois permite apreender os conceitos de forma mais eficiente. João Pedro Marques é um reconhecido historiador, especializado nestas temáticas (segunda vantagem do livro) e tem a habilidade de desmontar argumentos e teorias que têm sido comummente apresentados por diversas personalidades. Trata-se da terceira vantagem, pois a apresentação dos factos encadeados em raciocínios de resposta ajuda a melhor interligar aquilo que é factual e a eliminar a ficção. Parece-me uma excelente introdução a um tema complexo, obrigatória para quem queira debater o assunto, seja de forma informal ou formal. Na sua simplicidade de menos de 200 páginas estão muitas informações relevantes e úteis para garantir que qualquer debate possa fazer uso dos factos e abandonar outros argumentos não tão sustentados pela história global da humanidade.
Já havia lido três dos artigos de João Pedro Marques no Jornal "Publico" e um no "Observador" sobre o absurdo de certas pessoas quererem que nós agora, enquanto portugueses, pessamos desculpa pela escravatura feita pelos nossos antepassados durante e depois da expansão maritima portuguesa, como comcordo plenamente com o historiador, ao ver este livro, interessei-me pelo resto dos artigos que me faltavam ler.
Aconselho-o a quem concorda e a quem discorda.
Quem concorda, mas como eu, não está dentro de todos os meandros da história dos negocios de escravos sempre aprende mais alguma coisa, e quem não concorda talvez ao aprender possa entender melhor a historia do mundo.
Eu cá, orgulho-me de tudo o que conseguimos com os descobrimentos portugueses. Fomos grandes sim, porque o nosso país tornou-se pequeno para as ambições da nossa elite e para todos aqueles que os seguiram à procura de algo melhor. Onde está a vergonha nisso?
Fizemos coisas abominaveis? Sim fizemos. Tal como todos os outros povos que, antes e durante a nossa época d'ouro, detiveram maior poder economico e tecnológico. Quem é que se lembraria de pedir aos Italianos que pedissem desculpa a todos os povos que subjugaram e escravizaram, numa altura em que Italia ainda não existia?
Nós não o fizemos como por exemplo Sadam Hussein o fez contra os curdos ou como Hittler o fez contra os judeus (embora na nossa historia este último povo tambem tenha sofrido). Isso não o faz correto, mas permite-nos entender a história do Homem da qual todos nós fazemos parte.
O que me preocupa são noticias de um segurança que espancou uma moça insultando-a verbalmente por não ser portuguesa, ou ler que agentes so SEF mataram um imigrante.
Porque é que os nossos politicos não se preocupam com isso? Será porque demostra um radicalismo que eles próprios possuem?
Apesar de ser uma colectânea de textos publicados em jornais (e uso aqui o termo "jornais" de forma liberal, porque 99.9% dos jornais portugueses actualmente pouco mais são que pasquins que vomitam mentiras atrás de mentiras, travestidas de "notícias"), este livro deveria ser de leitura obrigatória no terceiro ciclo do ensino básico em Portugal.
Em vários textos, o Professor João Pedro Marques expõe de forma clara não só os factos sobre a o negócio de escravos no tempo do Império, como desmonta pedra a pedra as mentiras da corja histérica e "politicamente correcta" da extrema-esquerda em Portugal (quase todos militantes do Bloco de Esquerda, Livre, PS e PCP) sobre o tema e expõe, de forma objectiva e factual, a realidade histórica.
Como é óbvio, e ainda que este livro devesse ser lido por todos, tenho quase a certeza que as pessoas que partilham da ideologia anti-portuguesa e anti-histórica da extrema-esquerda se irão recusar a lê-lo, e limitar-se-ão a fazer aquilo que gente pequenina como eles fazem sempre: rotular o autor como "fascista" e seguir em frente.
Infelizmente para os histéricos da extrema-esquerda, os factos históricos não vão mudar só porque eles gostariam que mudassem. Por mais que tentem re-escrever a história.
Conjunto de artigos publicados em jornais portugueses. O volume faz sentido e falta, ao reunir os textos e indicar aqueles a que o autor responde. É um instrumento útil para a discussão, pois parece-me que boa parte delas, das discussões, tem o seu cerne na ignorância dos contendores, antes de qualquer intenção ideológica, que, quando existe, se torna enviesada.
Escolhi este livro após uma discussão com o meu filho sobre os Descobrimentos, versando especificamente a escravatura exercida pelos portugueses sobre os africanos. Quis aprender mais sobre o assunto para poder argumentar com numeros e factos credíveis e não somente uma ideia fruto das aulas de História. Este livro é composto por um conjunto de artigos publicados em jornais ao longo dos últimos anos. Aprendi muito. Até tirei notas!! O formato torna a passagem de informação pessada e repetitiva, de modo que não lhe posso dar 5 estrelas.
Nao e um livro mas uma compilacao de artigos de jornal escritos por um historiador especialista nos temas de escravatura, escravidao, o comercio transatlantico de escravos, o abolicionismo e o papel dos portugueses naqueles. Repetitivo mas com pontos de relevo neste tema tao actual e sobre o qual todos temos os dever de nos educar.