A Rainha do Ignoto, discorrendo sobre temas relacionados à alma feminina e sua situação na sociedade patriarcal, revela uma sociedade secreta de mulheres, hierarquicamente organizada em uma ilha, denominada Ilha do Nevoeiro, governada por uma Rainha que recrutava mulheres a partir do sofrimento vivenciado por elas no cotidiano. A Rainha do Ignoto é uma curiosa narrativa que, lembrando velhas lendas, recria num clima de mistério a beleza dos contos europeus. O grande interesse do livro está na criação de uma utópica comunidade de mulheres, uma comunidade perfeita, a das chamadas paladinas que só fazem o bem e buscam ajudar aos perseguidos.
Ao invés de resenhar o livro, resolvi resenhar a experiência de ter lido "A Rainha do Ignoto" sendo uma brasileira feminista em pleno 2016. E essa experiência com certeza vale 5/5!
Fiquei sabendo da existência desse livro e da própria Emília Freitas só esse ano, em um artigo do jornal Cândido (recomendo muito, aliás: www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/not...). Quase caí pra trás quando descobri que a obra que muitos consideram a primeira fantasia brasileira foi escrita por uma mulher cearense. E que a história flerta com ideias feministas e abolicionistas. Me parece muito sintomático essa "ignorância" a respeito da obra e também a dificuldade de encontrar A Rainha do Ignoto pra comprar e ler por aí, mesmo com a obra já em domínio público.
Sobre a história: apresar de ser protagonizada por Dr. Edmundo, um advogado bem sucedido e certinho, a verdadeira estrela da obra é Funesta, a líder meio feiticeira de um grupo de paladinas que vivem na Ilha do Nevoeiro, uma ilha que é ocultada dos olhares indesejados através de névoas mágicas (note que o livro foi escrito quase cem anos antes de Brumas de Avalon). A função das paladinas, que singram os mares do Ceará em seus navios e que são encantadas por Funesta para parecerem outras pessoas (inclusive, homens), é basicamente combater as injustiças, especialmente aquelas perpetradas contras as mulheres. Assim, elas salvam mulheres que sofrem violência doméstica, escravos (Emília era ativista abolicionista), crianças abandonadas, pessoas dadas como "loucas" por serem diferentes ou por terem passado por traumas, deficientes.
O ar surreal do livro me agradou MUITO, especialmente quando combinado com aquela ambientação do Brasil antigo que conhecia bem dos outros clássicos da literatura brasileira. Além de tornar ainda mais incrível a potencial existência de um lugar como a Ilha do Nevoeiro logo ali, no Ceará, é uma delícia imaginar os cenários e os acontecimentos - inclusive uma festa junina maravilhosa - com aquele jeitão de novela de época da Globo. Uma adaptação pras telas seria incrível, aliás.
Sim, a linguagem do livro é bem esquisita - apesar de não ser nada complicada. A leitura não é enfadonha e existem umas pérolas de lirismo que amei (marquei algumas, mas emprestei o livro porque simplesmente está praticamente impossível achar o livro pra ler por aí). Nessa edição que li, optou-se por manter a narrativa como estava, sem adaptação pro formato convencionado dos textos modernos. Entre outras coisas, os diálogos não têm travessão pra indicar a atribuição do diálogo, por exemplo. Tipo: - Não sabe de nada, inocente, disse Funesta, você precisa aprender muita coisa ainda.
Uma outra coisa sintomática e até "triste" é que o livro, que é praticamente uma exaltação ao direito das mulheres de assumirem o timão de seus próprios destinos (e dos destinos dos mais vulneráveis), é protagonizado por um homem. Dr. Edmundo se veste de mulher para saber mais sobre Funesta - porque ele meio que se apaixona por ela, na realidade - e, sob os olhos dele, aprendemos mais sobre Funesta e sobre as paladinas. Mas a própria Funesta só aparece meio ao longe, sob um status quase sagrado. Fico pensando quão foda seria ler esse romance sob o ponto de vista da própria Funesta, mas por outro lado entendo que esse foi o caminho que Emília achou pra se expressar em um meio em que ela a minoria das minorias.
Em resumo: gostei de ler o livro pela história contada nele, mas também pela história que envolve sua escrita e publicação. Emília tem todo o meu respeito por ter sido pioneira nesse gênero e corajosa de dar voz a quem não tinha em pleno 1899. Espero fortemente que o livro se torne cada vez mais conhecido e mais acessível para jovens leitoras e escritoras (e leitores e escritores também). :)
amei esse livro. esta história entrega uma narrativa feminista e abolicionista no Brasil do final do século XIX. claro que não teve espaço para ser publicado, óbvio que teve problemas para circular fazendo piada sobre coronéis, se opondo diretamente ao governo e peitando oligarquias da época.
gostei mesmo levando em conta que foram quase 150 páginas de uma trama introdutória chata, tateando o conflito principal. mesmo com muitas personagens e muitos nomes que acabaram me confundindo. e também relevando alguns diálogos difíceis de entender e algumas ações confusas. gostei porque quando chega na Rainha do Ignoto e seu reino, deslancha.
fiquei esperando a confirmação de que é um livro de fantasia e agora discordo dessa qualificação. eu acho que é um livro proto steampunk: tem ferrovias subterrâneas, navios avançados para a época, teatralidade e recursos de cena que tem uma estética de colagem. tem momentos de hipnose praticamente mágica usada pela Rainha e algumas paladinas e tem manifestação de fantasmas, mas acho que isso entraria no steampunk como deslocamento e uso cômico de elementos de horror e ficção científica.
a questão central dos afetos românticos é claramente usada para validar as mulheres poderosas do livro. acho que a economia dos afetos é investigada de uma maneira muito interessante nos relacionamentos em volta da Rainha do Ignoto. me deu vontade de fazer altas fanfics.
acho que este livro poderia ser lido na escola, em vez de Senhora, de José de Alencar, por exemplo. recomendo muito a leitura não só porque trás uma crônica de costumes muito interessante (e vai além elaborando viagens mirabolantes pelo Nordeste do brasil que eu nunca tinha nem imaginado serem possíveis), mas porque coloca na nossa frente essa figura histórica que foi Emilia Freitas e muda o que aprendemos na escola sobre o século XIX (ou pelo menos abre caminhos para novas leituras).
Descobri A Rainha do Ignoto através de um vídeo no youtube, e fiquei surpresa de saber que o livro considerado a primeira fantasia brasileira foi escrito por uma cearense. Tinha que ler, e a experiência valeu demais a pena. Emília Freitas realmente foi uma mulher de imaginação fértil, escrita mais madura que dos homens contemporâneos a ela. Ela trata de temas que os autores do século XIX costumam ignorar, como a força da mulher e a capacidade de ser dona do próprio destino. Emília Freitas fala de união feminina diante de uma sociedade patriarcal, e de como essa união é eficiente na rebeldia.
Não sei se classificaria o livro como fantasia histórica ou realismo fantástico. A Rainha do Ignoto também me lembrou um pouco de Terra das Mulheres, que é uma ficção científica, com a diferença que em Rainha há uma centralização da sociedade ao redor da Funesta, e em Terra, há foco no coletivo.
O livro é narrado com uma certa oralidade que, no entanto, dificultou um pouco meu engajamento na leitura, por mais que tenha sido bacana ter em livro a oralidade cearense. Achei algumas histórias meio repetitivas e sem muita conexão entre si, apesar de serem importantes isoladamente para mostrar o sofrimento e a superação feminina, além das habilidades da Funesta.
No mais, o rsgate de A Rainha do Ignoto merece todos os elogios. Que esse livro e a obra de Emília Freitas passem a ser discutidos academicamente, além da divulgação ao público geral. A Wish tá fazendo um ótimo trabalho nesse último aspecto com as ações no youtube. Não fosse isso, jamais teria lido esse livro, e eu cursei Letras na Universidade Federal do Ceará uns anos atrás, terra natal da Emília Freitas...
O primeiro romance de literatura fantástica/ficção científica do Brasil é de uma mulher. A Rainha do Ignoto traz, de certa forma, uma história utópica de uma comunidade de mulheres que vivem e se organizam em torno da proteção de pessoas em vulnerabilidade. O livro é bem interessante, cheio de uma aura soturna e nebulosa que envolve a funesta (rainha do ignoto). É um marco de muitas formas é uma leitura muito importante e instigante. Adorei
Não entendo como esse livro tão importante acabou caindo no esquecimento no decorrer dos anos; uma obra que fala abertamente sobre questões feministas e abolicionistas, que critica a hipocrisia da igreja e da burguesia, que adentra no psicológico feminino... é um livro muito rico em todos os seus aspectos. Sem contar que é o primeiro romance nacional de fantasia. Talvez tenham sido essas questões que esconderam o livro de Emília Freitas das pessoas, visto que, na época (e ainda hoje) não suportavam ver uma mulher falar tão seguramente sobre tais questões.
A Rainha do Ignoto começa com um quê de regionalismo, mesclado com características visivelmente resgatadas do gótico, com todo aquele suspense em cima de uma imagem feminina e fantasmagórica que assustava as pessoas daquela região cearense. Então vem o protagonista, Dr. Edmundo, que fica bastante intrigado com aquele ser desconhecido, e isso o motiva a fazer de tudo para desvendar o mistério que ali paira.
Mas ele não esperava que aquela criatura era na verdade a rainha de um "reino de mulheres", que se disfarçava e embarcava por todo o país, tentando ajudar as necessitadas e recrutando as mais sofridas para aquele reino tão perfeito. Logo, aquela quem inicialmente era o objeto de terror, pode ser entendida quase como um messias, que tenta carregar nas costas toda a dor em sua volta, amparando as moças e libertando escravos, e sempre com discursos extremamente inteligentes de uma verdadeira líder.
Apesar de todo o bem que trouxe para aquelas pessoas, a personagem é bastante triste e solitária, e isso a torna bem mais incompreensível, tanto pra suas seguidoras, quanto para Dr. Edmundo. Por isso, de todo aquele universo fantástico criado pela autora, a própria Rainha do Ignoto é na verdade o maior mistério que há, em toda sua complexidade do que é ser uma mulher. Além do mais, a imagem do típico "herói salvador da pátria" que é construída no protagonista masculino é quebrada, visto que ele passa o romance todo travestido pra tentar resolver a situação e, no fim das contas, a real heroína sempre foi a Rainha. Livro incrível.
Como ficamos tanto tempo sem saber desta raridade? Talvez pelo fato de mulheres com pensamentos à frente de seu tempo não terem espaço nas academias de Letras... Bem, com um primeiro capítulo simplesmente arrebatador, o livro cativa desde então. Linguagem simples, atraente, com aura de mistério; mas não faltam alfinetadas na educação de jovens homens e mulheres, algo inovador (desafiador?) para fins de século XIX. Um mergulho na alma pequena e mesquinha dos que se dizem "elite" deste país (desde sempre...). Mistério, boa linguagem, fantasia de qualidade: Quem quer conhecer as Paladinas do Nevoeiro?
Eu sabia que logo no início eu iria gostar dessa leitura, principalmente ao saber o quão representativa essa obra era. O fato que Emília Freitas fez sua história com um brilhante equilíbrio de temas pesados e leve, usando do pacato cotidiano dos personagens ao seu favor, foi incrível. Já sei que é uma leitura que precisarei reler para entender todos os seus minúsculos detalhes. Gostei muito a forma que ela abordou temas como o racismo e o sútil empoderamento feminino. As paladinas? Brilhante! Também adorei a nossa Rainha do Ignoto, um ser totalmente misterioso e ao mesmo tempo tão presente à história. Confesso que demorei a entender que Dr. Edmundo - nosso protagonista - estava se vestindo de Odette, e no final me deu uma certa nostalgia shakespeariana. O mais interessante de tudo foi como Emília Freitas trouxe o aspecto de fantasia, através de várias crenças do espiritismo que reconheço. Sinto que isso deve ter sido revolucionário à época. É um livro muito gostoso de ler e repleto de aventuras. Mesmo que o começo foi devagar para engatar na história da Rainha de Ignoto, os capítulos voltados para apresentar os personagens valeram a pena.
Fantasia brasileira de primeira qualidade, a escrita da Emília Freitas me soa bastante familiar, algo com um ritmo tão nordestino, que ao ler posso até escutar o ritmo das palavras. O livro tem uma divisão, a primeira parte narra uma história mais contida, de pessoas simples em uma cidade pequenina no grande sertão nordestino. Na segunda parte já acompanhamos esse personagem fantástico, a rainha, que toma conta desse tempo/espaço e nos faz viajar a cada página por lugares e histórias diferentes; feminista, abolicionista, revolucionária, mas no fim, também, bastante humana.
Perfeição. Será que é possível resenhar esse livro com apenas essa palavra? Emília foi uma visionária, escreveu um livro de fantasismo, de realismo fantástico, de "roadtrip" e aventura tudo na mesma história. Suas inspirações nos clássicos gregos, principalmente na Odisséia é clara, o que não tira a originalidade de sua Rainha. E a biografia da autora é ainda mais interessante. Sobre a trama, o final deixa um pouco a desejar, um tanto apressado se comparado ao início bem escrito e ambientado. Mas o livro tem tantos incidentes episódicos que o final não é decepcionante, e sim apenas uma consequência da vida das grandes mulheres da época. Pelo fim é possível entender porque a própria autora classificou seu romance como "psicológico", embora em 90% da trama o que se sobressai é a ação. Um livro importantíssimo, que deveria ser ensinado em escolas, e Emília elevada ao rol de grandes autores do século XIX, apesar de ter apenas essa obra de romance. É incrível pensar na trajetória desse livro, em como ele foi escrito e em como ele chegou até nós mais de 100 anos depois.
A obra de Emília Freitas é realmente magnífica. Tendo sido escrita no século XIX brasileiro, apresenta um universo tanto histórico quanto místico. O mundo da Rainha do Ignoto lembra as brumas de avalon, uma ilha mística coberta por núvens, que tem um grupo de amazonas que pretendem o bem de todos.
Fiquei curiosa com o futuro de diversas personagens, e fiquei triste por não haver outras obras no mesmo universo
É um CRIME literário que a Emília Freitas e esse livro maravilhoso sejam tão desconhecidos, tão "fora do cânone". Agradecerei para sempre a amiga abençoada, deusa da literatura, que me indicou. Depois de passar anos esgotado, agora temos edições novinhas em folha pela Wish e pela 106. Escolha o seu e vá ser feliz na Ilha do Nevoeiro.
A edição da Wish, com prefácio de Alexander Meireles, está sublime! A obra tem importante valor histórico, em justiça às mulheres que ficaram à margem do cânone, como Emília Freitas. Não sei se o subtítulo "Fantasia Rara" condiz com a excepcionalidade da obra, visto muitas leituras dela já ocorrerem na Academia - talvez a barreira ainda seja no tocante ao público geral e, por extensão, estudantes e jovens leitores. Um ótimo livro, embora com conflito bastante difuso e episódios por vezes repetitivos - a breve extensão dos muitos capítulos também perpassa certa monotonia ao volume bastante extenso. Um dos personagens centrais da obra, Probo, caçador em disfarce e serviçal da Rainha do Ignoto, apresenta argumento e desenvolvimento pouco verossímeis em alguns momentos, maior problema em minha leitura até então. Edmundo, herói que não se torna herói, se redime ou alcança qualquer feito, é um personagem interessante e dá ao homem um lugar comum e simplório na história - ponto alto da narrativa para mim. Romance talvez ingênuo ou incipiente, mas como pondera a própria Emília (citação constante no posfácio de Adriana Alberti) "parece haver uma causalidade entre a falta de vivência feminina e não excepcionalidade do texto" haja vista mulheres não ocuparam papéis de destaque na vida social e cultural da época. Citação preferida da obra, por certo a ser retoma por mim muitas outras vezes: "os pobres precisam de pão e Deus não precisa de templo porque tem o Universo por altar". Leitura muito recomendada!
A história é bastante feminista, as mulheres são maravilhosas, socorrem diversos personagens em dificuldades, fazem e acontecem e ainda possuem algum tipo de magia (que não é muito bem descrita).
Por outro lado, o livro é repleto de "causos" pelos quais não me importei muito, parecia uma grande novela. Eu queria era saber da Funesta, o passado e o presente dela, mas infelizmente isso não é muito desenvolvido na história.
Eu adorei o primeiro capítulo, jurava que o livro se tornaria um dos meus preferidos, mas, a empolgação parou por aí. Sim, entendo a importância deste livro para a época em que foi escrito (e neste caso entendi mais ainda o fato dele ter sido "apagado" da história), porém para o entretenimento da Raquel de 2021, não funcionou.
Recomendo como estudo para quem quiser conhecer o primeiro romance fantástico escrito por uma brasileira.
A Rainha do Ignoto é um romance cheio de surpresas, a começar pela própria autora. Após décadas e mais décadas de esquecimento, é muito gratificante ver o nome de Emília Freitas sendo relembrado e finalmente estabelecido em seu lugar de direito como primeira obra de fantasia do Brasil. O romance em si é talhado no ritmo da literatura nacional e dos cenários que lhe eram típicos no momento de sua publicação, chegando a ser um retrato da vida da mulher na sociedade nordestina do finalzinho do século 19. Ainda assim não deixa de ser envolto em mistério e curiosidade, pois a Rainha do Ignoto é uma figura que dá medo em alguns e inspira a outros. Enfim, vale muito a pena conhecer esta obra de Emília Freitas e se deixar levar pelas aventuras da Rainha e suas paladinas do nevoeiro.
No sabía si podía esperar algo de este libro. Confieso que fui con las expectativas muy bajas, con algunos prejuicios sobre la manera que estaría escrita la historia o hasta sobre cuál sería el contenido de esta narrativa.
Lo acabo de acabar y estoy en shock. No fue el libro perfecto, pero me impresionó mucho. La manera en que la autora te hace creer en todo lo que cuenta, como fue creando ese mundo donde esas situaciones no sólo son posibles, pero también no te dejan sintiendo que falta algo. Nunca parece que sus poderes son demasiado fuertes, porque la autora ya había preparado el terreno.
Fiquei fascinada com a escrita desta autora, que me era totalmente desconhecida até o início deste ano. Fantasia, sobrenatural, ciência, tudo se confunde nesta narrativa marcada por uma linguagem bem nordestina e por personagens marcantes. Daria extraordinárias discussões sobre questões de gênero, étnicas-raciais, sociais, políticas, etc. Uma leitura surpreendente.
O universo onírico e a comunidade feminina criados por Emília são fenomenais, com passagens deslumbrantes. As fortes críticas à escravidão e à construção patriarcal são interessantes e corajosas.
O enredo é legal, mas senti falta de um senso de urgência. Algumas pontas, para mim, ficaram soltas. O final foi ousado.
Sei admitir quando o problema sou eu, e acho que o problema dessa história fui eu. Ela não me prendeu, não me cativou. Fiquei pensando que ela muito clichê padrão feminino, apesar de tentar quebrar exatamente isso. Como eu disse, o problema fui eu.
Se é difícil resistir aos dispositivos de gênero como mulher em 2025, ver uma mulher, cearense “transgredir” no século 19 beira o absurdo. Por trás de uma figura mística que reúne tantas representações e nomes, Emília Freitas faz o inimaginável. Que honra ler este livro.
4 ⭐️ O primeiro (provável) romance fantástico escrito e publicado no Brasil. Muito interessante, a história do livro passa por vários estados do Brasil, inclusive passa no Rio (Botafogo mentioned). Várias histórias interessantes sobre abolição, justiça, feminismo etc dentro desse livro.
É um romance com pitadas de realismo mágico. Embora a personagem principal seja frequentemente referida como algo surreal e misterioso, ao longo da história só me pareceu uma mulher empreendedora e poderosa, líder de uma espécie de seita voltada a fazer justiça onde esta não chegava.
É impressionante. Emília Freitas ainda não nasceu. Mas quando nascer, ela vai viajar pro passado e escrever esse livro. Eu nunca tinha lido um livro tão à frente do seu tempo quanto esse.