Valorizo o trabalho da Manuela, mas, não vejo livro nessas edições dela. Não sei dizer a razão exata, mas acho a Manuela sempre paternalista explicando conceitos políticos e feministas básicos que tem sido ensinados com frequência desde a nova onda feminista. Também acho que, na tentativa de falar a todos e todas, ela soa com falsa modéstia, ou falsa simplicidade. Claro, me soa assim, mas, como não conheço a autora, não sei dizer se é só minha percepção, se é o contexto histórico que vivemos e que tem me feito duvidar até da minha sombra, ou se é o mercado editorial que só quer vender e vê público pagante em tudo. Cansa.
Mas, gosto muito quando ela cita vivências familiares, quando analisa, ainda que brevemente a história da avó e do avô, quando expõe a visão de si mesma, em texto de redes sociais.
O livro tem a ideia de interatividade, como se a gente estivesse ajudando a autora a escrevê-lo, embora não esteja. Vejo muito isso nos livros dos adolescentes, e tenho visto em algumas poucas publicações pra adultos: ela faz uma pergunta e pede que "contemos"pra ela nosso comportamento, ou "listemos pra ela"nossas mudanças ou nossas mulheres inspiradores. Não gosto. Parece (e isso deve ser mesmo) que é pra encher miolo de livro que falta conteúdo. E daí me vem de novo a ideia de desonestidade intelectual.
Li de uma vez só, logo assim que acabei Os Testamentos da Margaret Atwood. Embora pareça rápido, achei difícil de ler por conta das questões acima. Depois de 2019, a sensação que eu tenho é que estamos numa ciranda gigante mesmo, e que vai ser difícil alguma mudança no Brasil enquanto for assim.