Como nascem as histórias? Do que é feita a ficção? Como se forma um escritor? Para que serve a literatura?
O jornalista Ricardo Viel, leitor voraz e apaixonado, faz essas e outras tantas perguntas a um time extraordinário de dez romancistas. O resultado são saborosíssimos diálogos sobre o fazer literário e o ofício da escrita. Neste livro, exclusivo para os associados da TAG, podemos acompanhar as longas conversas que Viel manteve durante anos com autores de língua portuguesa e espanhola que lhe são próximos do coração. E não falta sabedoria, erudição e inteligência na prosa informal de Rosa Montero, Javier Cercas, Dulce Maria Cardoso, Juan Gabriel Vásquez, Bernardo Carvalho, Valter Hugo Mãe, Mia Couto, Milton Hatoum, Tatiana Salem Levy e Djaimilia Pereira de Almeida. Os bons leitores estarão, aqui, em excelente companhia, não há dúvida.
Adorei o tom das entrevistas, como ele conseguia arrancar pedacinhos de cada autor em sua individualidade. Saí com vontade ler os livros de cada um (e cada obra citada).
[13:51, 01/07/2020] Diego Toledano: De brinde da caixa de junho da #TagCuradoria , recebi o #SobreAFicção , do jornalista #RicardoViel , com uma compilação de entrevistas de grandes nomes da literatura brasileira, portugues e latina, como #MiltonHatoum , #ValterHugoMãe e #DjaimiliaPereiraDeAlmeida . . . Os textos falam sobre o método de escrita de cada um dos autores, suas inspirações, formas de editar o trabalho e selecionar o que vale ser dito para o enriquecimento da literatura. . . Não conhecia Djaimilia antes de ler o livro, e me apaixonei pela escritora que é antes mesmo de ler sua obra. Outros destaques são Valter Hugo Mãe, que (nada surpreendentemente) fala com muita ternura sobre a literatura e o amor que aplica a cada romance, e Milton Hatoum, que nos deixa uma lição sobre como fazer essa arte: "A melhor memória para literatura e a imaginação". . . Mesmo que alguns dos escritores selecionados demonstrem muita amargura ao falar do trabalho, este é um livro fantástico para quem é apaixonado por literarura e imprescindível para quem planeja fazê-la.
"E isso é exatamente o que penso da tragédia humana, da desgraça de ser gente, que é iludirmo-nos com a capacidade de falar mas nem sempre estarmos conscientes de que falar não é suficiente para que nos entendamos."
Amei!! Só conhecia dois dos autores entrevistados e me deu vontade de ler todos. São reflexões bem interessantes sobre a escrita e o papel da literatura.
porque, na verdade, não há grande diferença entre as vidas que vivi, as que li e as que escrevi. na minha cabeça vão se misturando, e é bom que assim seja.
Não gostei das opiniões de alguns autores, mas aprecio o trabalho que o Ricardo Viel colocou neste livro. Invejo a sua capacidade de compreender rapidamente a mensagem que os entrevistados queriam passar, em muitos momentos em que eu própria teria interpretado de forma diferente. Então ele não só fez perguntas interessantes, também ajudou o leitor a compreender as respostas.
Sublinhei imenso, rasurei ainda mais. Acho que é um livro interessante para qualquer aficionado de literatura e pretendente a escritor.
Não sei quem me recomendou esse livro de entrevistas de autores ibéricos. Foi recomendado porque não estava no meu horizonte. Agradeço a quem o fez. Foi uma leitura gostosa. Dos dez escritores entrevistados só não conheço a obra de um deles ainda que já soubesse de sua existência. O livro abre e fecha com as entrevistas de que mais gostei, autoras cujas personalidades conseguiram ultrapassar os diversos filtros de distanciamento existentes em qualquer entrevista; uma espanhola e uma portuguesa: Rosa Montero e Djaimilia Pereira de Almeida. Um elogio precisa ser feito ao trabalho de Ricardo Viel, que em Sobre a ficção [Cia das Letras: 2025] regeu as conversas com cada um dos romancistas de maneira segura, mostrando conhecimento das obras de cada um, sem interferências irrelevantes, deixando cada escritor aparentemente à vontade — personalidades, aparecendo através dos diálogos.
Ao final, cheguei a uma conclusão: escritores são gente igual a toda gente. Há uns mais simpáticos, outros modestos, um ou outro mais cheio de si. Quer se vejam como referências da ‘alta’ literatura, quer sua obra seja altamente pessoal, eles vêm de todos os cantos do mundo, de todas as classes sociais, de famílias que liam ou não, com ou sem livros em casa. E a leitura pode ser descoberta em criança, na adolescência ou como jovens adultos. E não há idade para se começar. Todos têm hábitos diversos. Não há padrão. Não há comportamento igual. Não há predestinação, nem caminho fácil para o sucesso. Notívagos ou não, organizados e desorganizados, com planos detalhados dos personagens já sabendo como será o ponto final do romance ou escrevendo de supetão, instintivamente, sem ideia prefixa de para onde vão, cada um deles se encontrou como escritor por diferentes meios. Os dez romancistas entrevistados são contemporâneos, já foram aplaudidos por milhares de pessoas, têm sucesso além fronteiras da terra natal, veem o que fazem de maneiras diferentes. O único ponto em comum, mesmo, é a necessidade de escrever. Essa supera grande parte de todas outras atividades de suas existências. E podem escrever diariamente ou passar anos sem colocar uma palavra no papel.
Na era em que tudo parece ter um livro ou um método para como escrever; como superar o bloqueio; com que tipo de primeiro parágrafo atrair o leitor; entender a ‘Jornada do Herói’, dividi-la ou não nas doze partes que Joseph Campbel a descreveu; tudo isso parece, ao final dessas entrevistas, irrelevante. Cursos e mais cursos que se multiplicam na internet, sobre como ser ou tornar-se um escritor, provavelmente pouco poderão ensinar. Ler. Ler, ler. Ler muito e constantemente, parece ser a melhor pedida. Fica a dica.
No final o que resta é a obra. Ela é o que realmente conta. As atividades e circunstâncias da vida de cada autor, não são de grande relevância a não ser para quem gostaria de biografá-los. É a obra.
“Sobre ficção” é um livro que merece demais cinco estrelas. O Ricardo Viel, jornalista e amante dos livros, faz um trabalho brilhante ao entrevistar dez romancistas contemporâneos e com trabalhos com particularidades que os distinguem, ou os coloca num pioneirismo nos modos do fazer literário atual.
A maneira como Ricardo conduz as entrevistas é maravilhosa, fluída… ele, de fato, conhece a fundo cada escritor entrevistado, assim como domina minimamente os caminhos temáticos das obras dos escritores, para citar alguns: Mia Couto, Tatiana Salem Leny, Dulce Maria Cardoso, Milton Hatoum e outros. É interessante demais ver como biografia e obra de entrecruzam no fazer literário de cada um deles… um tema persistente é o da herança, ou obsessão, que consciente ou não acompanha a criação de cada um deles.
O livro é uma aula sobre como a literatura antes de ser a palavra escrita é a relação desta com os olhos e histórias de quem lê, ela é viva antes mesmo de ser literatura. Escrevemos antes mesmo de escrever… é justamente aí que habita o que nos perseguirá por toda a vida. Se você se interessa pela escrita como eu, indico demais ler o livro e, com calma, apreciar as múltiplas rotas por onde podemos conhecer e alargar aquilo que nos faz conhecer o mundo e nós mesmos.
"A memória muito boa pode ser uma maldição. O excesso de memória, o recordar demais pode ser terrível. O esquecimento existe porque temos que continuar, e porque há coisas que nos são mesmo insuportáveis" (Dulce Maria Cardoso, p. 47). Esse livro furou a fila quando a escritora @socorroacioli comemorou sua reimpressão pela editora Companhia das Letras; a minha versão foi enviada como um "mimo" da assinatura da Tag Livros. @ricardo.viel entrevista autoras e autores importantes do nosso tempo. Eu amei as entrevistas de Dulce Maria Cardoso, Rosa Montero, Javier Cercas e Djaimillia Pereira de Almeida. Para quem tem vontade de escrever, é um prato cheio.
Não conhecia a maioria dos autores entrevistados, e não só me senti extremamente feliz em conhecê-los, mas extremamente tentado a ler todos os livros publicados por eles. Entrevistas diretas, muito centradas no entrevistado, e que atiçam a curiosidade do leitor não apenas pelo autor como autor, mas pelo autor como pessoa, em como a vida o levou até ali, em como cada memória, lembrança, mesmo que parecido levaram a autores com escritas tão diferentes.
Colocando todos os autores entrevistados na fila de leitura!
3,5 acho muito curioso como funciona toda essa história de ser escritora. quero muito ser uma. a entrevista com o bernardo de carvalho colocou em palavras o que acredito que a literatura deva fazer: alargar os mundos.