O tema de ‘Cálice’ é a morte do pai (de todos os pais): essa ocultação maior que permanece. Trata-se de uma narrativa que testemunha o modo como três gerações de uma família lentamente se redescobrem.
A morte do pai é a privação do coro grego a que os filhos desde sempre se habituaram. Recuperá-lo é uma longa viagem que se está sempre a reiniciar.
O romance - que podia ter sido um longo poema sobre os laconismos da memória - avança entre o tempo histórico e o andamento de várias urgências interiores, deixando para o final uma surpresa, porventura um assombro.
Luís Carmelo (Évora, 1954) é autor de uma vasta obra literária e ensaística, de onde se destacam dez romances (com destaque para A Falha, adaptado ao cinema por João Mário Grilo em 2002) e quinze livros de ensaio (incluindo o Prémio A.P.E. de 1988) sobre semiótica, teoria da cultura, literatura e o cruzamento multidisciplinar de expressões contemporâneas.
Doutorado pela Universidade de Utreque (Holanda), o autor é professor na Escola Superior de Design (IADE), membro da Associação Portuguesa de Escritores (A.P.E.) e da Associação Internacional de Semiótica (I.A.S.S.-A.I.S.).
Para além de autor de diversos manuais de escrita criativa, actividade que coordena em diversas instituições, entre elas o Instituto Camões, é ainda colunista do jornal Expresso (edição online), autor do blogue "Miniscente" e editor do site PNETliteratura.