Então Éden é uma cidadezinha típica do redneckismo americano, no meio de um daqueles estados que tem nome estranho. Uma cidade em que a placa de bem-vindo e volte sempre é a mesma, como outra qualquer, certo?
Não. Éden é uma cidade invisível, não tem no GPS, não tem Facebook, não tem Instagram, não tem TikTok.
É uma cidade para idosos? Não.
É uma cidade para criminosos.
Fundada por criminosos lá na loucura psicodélica dos anos 70, com um acordo escamoso e secreto com o FBI que mantém a cidade para criminosos que não querem mais se incomodar com o sistema, aquela tal de lei e o Homem. E as coisas funcionam? Bom, mais ou menos; volta e meia tem um probleminha aqui ou ali - a velha história do tigres e das listras - e a prefeita, ex do, supostamente falecido, fundador, resolve com uma bala na cabeça no meio da missa de domingo, porque em Éden ninguém da moral para malandro; escreveu, não leu, o pau comeu.
A função começa quando o carteiro resolve que quer dar uns pegas na garçonete.
Por quê? É só uns pega, nada demais.
O Carteiro é o filho autista da prefeita e do, supostamente falecido, fundador e a garçonete é, secretamente, uma informante do FBI. Parece que a história deveria ser sobre isso?
Mas não. O supostamente falecido fundador, obviamente, não está morto e volta prometendo vingança, e o pessoal, especialmente a ex, faz uma propaganda de que o cara é um deus da violência, do sangue e da destruição, leva umas 20 edições para o cara voltar como um velhinho de barba branca, um monte de criancinhas ridículas em volta, uma bengala e meia dúzia de cultistas que não durariam cinco minutos em qualquer filme do Van Damme. Maior propaganda enganosa.
No meio do caminho temos boxe clandestino, intrigas no FBI, neonazistas, neonazistas arrependidos, meninas rebeldes e psicopatas e mais umas bobagens. O real problema é que a volta do fundador demora muito e é meio: esperei vinte edições para essa bosta?
Eu tenho certeza que tem mais coisas espalhadas que eu não percebi, é um daqueles casos em que a culpa não é do livro, o leitor que não ajuda muito.
Por último, um lembrete: sempre que vocês depuserem um tirano de alguma idílica cidade do interior; cortem a cabeça e toquem fogo, porque, como todo mundo sabe, o fogo purifica.