Después de una gran tormenta, exactamente cuatro siglos después del nacimiento del célebre rey Sebastián de Portugal, un farero descubre en la playa de la Adraga, en una gigantesca cáscara de huevo, a un niño fantástico. Debido a su misteriosa aparición y a la extraña coincidencia de las fechas, lo llaman Sebastián . Pero, contrariamente a su homónimo del siglo XVI (misógino y poco dado a las cosas del amor), quien, según anuncia la leyenda, un día volverá para restaurar la grandeza del imperio portugués, el joven Sebastián revela desde los primeros arrumacos de su ama, a los dos años, un sorprendente talento para las artes y las batallas del sexo, entre las que irá creciendo en destreza y sabiduría. La empresa a la que se consagra el nuevo Sebastián , es, pues, de otra índole : una campaña devastadora contra la tristeza, la frustración, la monotonía y a favor de los gozosos y creativos juegos del amor y de la sensualidad, del placer, en suma.
ALMEIDA FARIA nasceu em Montemor-o-Novo, a 6 de Maio de 1943. Em Lisboa frequentou as Faculdades de Direito e de Letras, sendo licenciado em Filosofia, e é actualmente professor de Estética na Universidade Nova de Lisboa. Viveu como escritor residente (1968-69) nos Estados Unidos (International Writing Program, Iowa City) e em Berlim, onde fez parte do Berliner Künstlerprogram no qual participaram, entre outros, Gombrowicz, Michel Butor, Peter Handke e Mario Vargas Llosa. Tem colaborado em diversas publicações colectivas, nomeadamente em revistas alemãs, brasileiras, francesas, holandesas, italianas, suecas e norte-americanas. Os seus romances foram objecto de várias teses universitárias em Itália, Holanda, Brasil, França e, mais recentemente, também em Portugal. Em 1979 seleccionou e traduziu Poemas Políticos de Hans Magnus Enzensberger.
Ficcionista e ensaísta, Almeida Faria obteve o Prémio Revelação de Romance da Sociedade Portuguesa de Escritores com o livro Rumor Branco (1962), confirmando depois a sua maturidade literária com A Paixão (1965), primeiro romance de uma «Tetralogia Lusitana» de que fazem parte Cortes (1978) – Prémio Aquilino Ribeiro da Academia das Ciências de Lisboa, Lusitânia (1980) – Prémio Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus, e Cavaleiro Andante (1983) Prémio Originais de Ficção da Associação Portuguesa de Escritores. Os seus livros estão traduzidos em várias línguas.
Almeida Faria publicou ainda o conto Os Passeios do Sonhador Solitário (1982) e o ensaio Do Poeta-Pintor ao Pintor-Poeta (1988). O seu último romance, O Conquistador, foi dado à estampa em 1990. Em 1997 adaptou ao teatro o romance A Paixão, sob o título Vozes da Paixão (1998), peça que não pretende ser subsidiária do romance, até por ter sido escrita em verso livre. Nesse mesmo ano, foi estreada em Lisboa no Centro Cultural de Belém. Em 1999, na colecção "Caminho de Abril", publicou a peça intitulada A Reviravolta.
O estilo de escrita de Almeida Faria tem um encanto próprio. É sofisticado, mas ao mesmo tempo carregado de ironia e de um certo exagero que torna a leitura ainda mais cativante. Adorei a forma como brinca constantemente com a oralidade e com as superstições populares.
Em "O Conquistador", encontramos recordações de infâncias e muitas invenções do protagonista Sebastião Correia de Castro. Parece haver sempre um exagero intencional, quase como se o narrador estivesse a gozar consigo próprio e com a sua "própria" lenda. O facto de Sebastião crescer envolto no mito sebastianista, mas ao mesmo tempo ser um jovem cheio de dúvidas e contradições, dá-lhe um toque trágico-cómico maravilhoso.
Almeida Faria consegue a proeza de misturar episódios burlescos com reflexões mais filosóficas. Numa página encontramos a descrição de um concurso de mijação cheia de humor e logo a seguir, temos divagações sobre identidade e destino. Tem a capacidade incrível para transformar pequenas trivialidades em momentos divertidos, carregados de humor e crítica à masculinidade e à virilidade, algo que aparece de forma recorrente no livro, mas sempre tratada com muito sarcasmo.
Não sou um grande apreciador de sátiras -- e muito menos de paródias -- da mesma forma que não gosto de caricaturas. Acho que o traço é sempre excessivamente vincado quando não simplesmente tosco. Esta novela é sem dúvida uma sátira embora só o seja de forma intermitente: a troça cede por vezes a primazia a considerações filosóficas ou a erupções de erudição. No entanto não me desagradou completamente e isso por diversas razões: primeiro, porque a "acção" decorre em lugares que desde a infância conheço muito bem, como sejam Sintra, Peninha, Almoçageme, Azóia e outros; segundo, porque é ilustrada com desenhos de Mário Botas, pintor que muito aprecio; terceiro, porque tem um personagem que me remete univocamente para os meus anos de juventude: o professor de História, Gabriel Gago de Carvalho, conhecido por "Florianopolis", propenso a grandes e tortuosos entusiasmos oratórios, é sem dúvida inspirado no meu "dilecto" professor de história Floriano de Carvalho. De notar ainda que, para além de cada capitulo da novela incluir a descrição de um sonho que mais não é do que a transposição em palavras do desenho de M. Botas que o ilustra, Almeida Faria inclui um personagem que é o retrato escrito do pintor.