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Amália, ditadura e revolução : a história secreta

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Chamaram-lhe "cantora do regime". Acusada de servir a ditadura e colaborar com a polícia política (PIDE), foi perseguida e ostracizada após 25 de Abril de 1974, reconquistando depois a unanimidade enquanto voz de Portugal no Mundo.Esta é a história secreta da vida de Amália Rodrigues. Como se relacionou com o Estado Novo e sobreviveu à admiração por Salazar? Como enfrentou a pobreza, seduziu a aristocracia e os intelectuais? Como ajudou presos políticos, cantou poetas proibidos, colaborou com antifascistas e financiou clandestinamente a oposição e o PCP? Como sobreviveu aos boatos, ataques e tentativas de silenciamento no pós-revolução? Como é que os políticos, os músicos, os poetas, a ditadura e a democracia lidaram com a maior cantora portuguesa de sempre? Amália - Ditadura e Revolução (a história secreta) é uma investigação jornalística que atravessa dois regimes, vários continentes e reúne perto de uma centena de entrevistas e depoimentos exclusivos, gravações inéditas da fadista e de personalidades que com ela conviveram, milhares de páginas de documentos nunca revelados, além de cartas e fotografias desconhecidas da cantora.

603 pages, Paperback

Published June 30, 2020

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About the author

Miguel Carvalho

14 books33 followers
MIGUEL CARVALHO nasceu em 1970, no Porto. É Grande Repórter da revista Visão desde dezembro de 1999. Em 1989, concluiu o Curso de Radiojornalismo do Centro de Formação de Jornalistas do Porto. Trabalhou ainda no Diário de Notícias e no semanário O Independente. Venceu o Prémio Orlando Gonçalves (Jornalismo), em 2008, e o Grande Prémio Gazeta, do Clube dos Jornalistas, em 2009.

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
October 19, 2020
Esta biografia de Amália Rodrigues poderá ter começado a ser pensada no dia 06 de Outubro de 1999 quando, numa reacção à morte da cantora, José Saramago afirmou em Paris: “A realidade é sempre mais complexa do que parece. (...) Essa mesma Amália que diz que era celebrada pelo salazarismo, algumas vezes fez chegar dinheiro através de pessoas, dinheiro que ela sabia que ia para o Partido Comunista Português, então na clandestinidade”. A afirmação do Prémio Nobel da Literatura caiu como uma bomba em certos círculos e Miguel Carvalho, jornalista da Revista Visão, viu aí uma oportunidade para tirar a limpo um conjunto de questões que ligavam a cantora ao antigo regime e levavam a que muitos continuassem a ver nela “a Princesa da PIDE”. O projecto de investigação estava em marcha, mas só em 2012 é que as coisas começam a ganhar forma. A colecção de recortes sobre a cantora faz engordar um particular dossier e o fascínio do jornalista por tão “estranha forma de vida” não cessa de crescer. Há dois anos, uma bolsa de investigação jornalística atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian oferece a Miguel Carvalho, finalmente, as condições para se abalançar numa narrativa de longo alcance. O resultado é esta extraordinária biografia, publicada no ano do centenário do nascimento de Amália.

É crível que Miguel Carvalho se preparasse para subir uma colina e lhe surgisse uma montanha pela frente. Agora que começou a caminhada, avança destemido, não há como recuar. Entusiasma-se? Claro que se entusiasma. Perante o fascínio de uma vida que se mete por dentro de nós qualquer um se entusiasmaria. Os primeiros capítulos denotam algum excesso e não é fácil ao leitor adaptar-se à escrita musculada deste livro. Imagine-se um documentário em que cada desenvolvimento é corroborado pelas declarações de inúmeras entidades, surgidas ininterruptamente, à esquerda ou à direita do ecrã. Os factos são muitos, as impressões também. Miguel Carvalho não perde o fio à meada mas torna-se difícil acompanhá-lo. Não raramente, o leitor sente a necessidade de recuar uma ou mais páginas para se reposicionar. Importa não perder de vista quem é quem, juntar as pontas, entender os caminhos trilhados, as companhias “às claras”, os vultos que deslizam nas sombras. Mas se a primeira parte do livro chega a ser um desafio à resiliência do leitor, a segunda metade “é uma fervurinha”. A leitura torna-se absorvente, empolgante, o livro devora-se freneticamente. Terá o autor enveredado por uma maior contenção ou será uma questão de adaptação do leitor ao estilo de escrita? (Ou será que o 25 de Abril, marca intangível de um antes e um depois na vida de todos nós, tem alguma coisa a ver com isto?)

A escrita deste “Amália – Ditadura e Revolução” não espelha na íntegra a quantidade de material recolhido, das entrevistas, testemunhos e depoimentos à bibliografia consultada e aos arquivos vasculhados. Mas é uma bela súmula e oferece um vislumbre suficientemente claro sobre o trabalho que se abriga por detrás de quase seiscentas páginas, obrigando-nos a admirá-lo e a saudá-lo efusivamente. Amália é uma mulher indomável, insubmissa, um coração independente e Miguel Carvalho dá nota disso em passagens que se sucedem e nos espantam. Que nos cativam e emocionam. Interessado na mulher e nas circunstâncias políticas que viveu, dá conta de como atravessou dois regimes, vencendo “invejas artísticas e preconceitos ideológicos”, de como “sobreviveu a silenciamentos, calúnias e ataques, e até mesmo à sua morte antecipada – e do próprio fado –, tantas vezes proclamada.” Ao mesmo tempo narra a história de um país e de uma sociedade à luz do Estado Novo, da revolução e da construção democrática, revelando histórias de muitos daqueles que com ela se cruzaram, alguns dos quais não saem propriamente bem da fotografia.

No final, fica-me da obra a descoberta de que sabia muito pouco do “mito” e ainda menos da mulher que foi Amália. Não por preconceito, quem sabe por distração. Daí que o virar de cada página de “Amália – Ditadura e Revolução” fosse feito com a avidez de quem penetra num lugar misterioso e, entre o perplexo e o maravilhado, vai desvendando um a um os seus segredos. E, de repente, dou comigo a querer mais, a procurar mais. Abre-se o Youtube e busca-se o “Barco Negro”, um dos maiores êxitos de Amália, a beleza da voz a exaltar a música e o poema. Com o corpo num embalo bom, vai-se à procura de outras versões. Lá está Mariza, claro, mas também a batida rock dos Amor Electro. Lá está um tropicalíssimo Ney Matogrosso, mas também a catalã Sílvia Perez Cruz. Lá está, belo e profundo, arrepiante, o tema no piano de Júlio Resende. E o mesmo poderia dizer de “Foi Deus”, “A Canção do Mar”, “Povo Que Lavas No Rio” e tantas outras. Viajar ao encontro de Amália, das suas qualidades artísticas mas também humanas, da sua bondade e generosidade, da sua firmeza de carácter, é aquilo que o leitor poderá esperar deste livro. “E La Nave Va”.
Profile Image for Patricia Posse.
253 reviews2 followers
December 30, 2020
Para uma geração mais jovem, este livro é uma descoberta do símbolo nacional que foi Amália Rodrigues. É um verdadeiro tratado sobre o seu perfil (pessoal e artístico), com pistas para as devidas ilações e com testemunhos muito interessantes. Uma obra que merece uma leitura atenta e que, para uma geração anterior, iluminará zonas de penumbra associadas a este figura mítica da cultura portuguesa.
Profile Image for Lorena.
70 reviews15 followers
July 7, 2025
O livro centra-se quase inteiramente na vida de Amália Rodrigues (e não só) no pós-25 de Abril e no breve "cancelamento" do nacional-cançonetismo e do fado logo após a Revolução, motivado pela sua associação ao antigo regime.

Para quem prefere poupar-se a uma leitura densa e repetitiva, as mais de 600 páginas deste livro e a própria Amália podem ser resumidas numa só frase do jornalista brasileiro José Ribamar: Nem tão santa como atualmente se pretende, nem tão safada como se pretendeu.
147 reviews
October 22, 2020
Como o próprio nome indica é a história da carreira da Amália e de que forma a política portuguesa influenciou (ou não) a sua visibilidade e sucesso no país.
Aparentemente antes dos portugueses apreciarem a Amália, já o estrangeiro se tinha rendido.
Profile Image for Joana Henriques.
46 reviews
November 26, 2025
A primeira metade custou-me um pouco a ler, mas a segunda? Cativou-me imenso, li em tempo recorde. Apesar de ter achado o livro um pouco repetitivo, principalmente na primeira metade, foi uma leitura importantíssima. Já não tendo tido o privilégio de “conhecer” a Amália viva, a ideia que de si conhecia era unicamente da brilhante artista e ícone intemporal da cultura portuguesa. Este livro deu-me toda uma nova perspetiva da artista e, durante a leitura, dei por mim tanto a admirá-la como a ressenti-la. Fez-me despertar emoções, o que, no fundo, faz todo o sentido quando falamos de Amália Rodrigues. Afinal, foi isso que ela fez toda a sua vida: despertar emoções nas pessoas.
1 review1 follower
February 5, 2022
Põe a descoberto uma faceta desconhecida da Amália Rodrigues, enquanto nos mostra o quanto continuamos sem saber quem era realmente esta mulher. Ao longo do livro vai ser dada voz a personalidades da vida portuguesa, que conviveram de perto com a fadista, dando ao leitor a oportunidade de ter uma visão mais global, das relações e das dinâmicas à volta da Amália e das influências que foram moldando a história do Portugal durante o Estado Novo e no pós 25 de Abril. Adorei e recomendo vivamente.
Profile Image for Pedro Santos.
3 reviews
October 26, 2024
Amar Amália é algo muito português. A figura maior que a vida, mesmo quando exposta às fragilidades da sua grandeza, mesmo quando a colocam na insuportável posição de ser questionada. Miguel Carvalho mostra-nos isso de forma brilhante, bem trabalhada e executada.
E no final continuamos a amar Amália, talvez com um ainda maior fulgor.
Para quem gosta de biografias e de grandes figurões, com uma pitada de história e de comportamento humano e colectivo, este livro não se pode perder.
421 reviews14 followers
May 2, 2022
De um livro escrito por um jornalista espera-se que nos traga notícia; de uma biografia que contenha revelações e que nos desvende segredos. Escrita (e muito bem, diga-se!) por um jornalista esta biografia traz notícia, contém revelações e desvenda segredos. É , por isso mesmo (e por isso tudo) indispensável para perceber quem foi, de facto, Amália e o(s) contexto(s) em que o foi e o “afirmou”.
Profile Image for José Manuel Rodríguez.
296 reviews13 followers
October 8, 2024
Rendirse ante Amália, Ditadura e Revolução de Miguel Carvalho es entregarse a la poderosa sinfonía de una vida que transcurre entre los ecos desgarradores del fado y los abismos profundos de la historia. Este libro no es solo una biografía, es un canto épico que atraviesa las venas de Portugal, donde la música, la política y la revolución se entrelazan con una fuerza casi mística. Miguel Carvalho, con la destreza de un cronista avezado y el alma de un poeta, nos conduce por los senderos de la vida de Amália Rodrigues, esa figura que trasciende lo meramente artístico para convertirse en un símbolo de resistencia, vulnerabilidad.

Carvalho nos invita a ver a Amália desde una nueva perspectiva, más allá del mito, más allá del ícono inmortalizado en las melodías del fado. Aquí encontramos a la mujer detrás de la leyenda, su compleja relación con el régimen salazarista y su eventual papel en los cambios que sacudieron a Portugal durante la Revolución de los Claveles. Es un retrato íntimo y, al mismo tiempo, expansivo, que revela las contradicciones que marcaron su vida: una artista que representaba la melancolía y la pasión de un pueblo, pero que, en el ámbito político, fue vista a menudo como una figura ambigua.
Lo más impactante de este libro es la profundidad con la que Carvalho explora las contradicciones y los dilemas morales de Amália. La presenta como una mujer dividida entre su amor por su país y el temor a las consecuencias políticas de su fama. En este sentido, Amália, Ditadura e Revolução es también una meditación sobre el poder del arte y su relación con el poder político. ¿Puede el arte mantenerse ajeno a la política? ¿Debe hacerlo? Estas preguntas laten en el fondo de cada capítulo, desafiando al lector a reflexionar sobre el papel del artista en tiempos de opresión.
Profile Image for Rita.
38 reviews
October 30, 2022
Interessante mas um pouco repetitivo por vezes.
Displaying 1 - 10 of 10 reviews

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