A obra de Andrade é uma profunda reflexão sobre a formação da sociedade brasileira, desde as primeiras bandeiras até a derrocada das oligarquias paulistas nas primeiras décadas do século XX. Misto de autobiografia, ficção e reportagens que realizou para a revista Realidade, o romance Labirinto – originalmente publicado em 1978 – investiga os meandros da memória e constitui uma verdadeira busca de si mesmo em meio a acontecimentos históricos, eventos fictícios e conversas sinceras e reveladoras. Andrade encontra ecos de seu labirinto pessoal em diálogos com nomes-chave do pensamento nacional, como Sérgio Buarque de Hollanda, Antonio Candido e Gilberto Freyre. No estúdio do artista plástico Wesley Duke Lee, ou na companhia de Érico Veríssimo, vê-se às voltas com recordações do ambiente familiar tradicional e autoritário. Em reportagem no interior de um presídio, reconhece como espelho o amor e ódio que um prisioneiro sente pelo pai. Pessoas, objetos e sensações o remetem a velhas memórias e pequenas epifanias, na melhor tradição (assumida) de Em busca do tempo perdido, obra-prima de Marcel Proust.