Imperfeita por natureza, a democracia provoca tanto a crítica como a desilusão. Este permanente estado de crise e questionamento é o seu calcanhar de Aquiles, mas também a sua grandeza. Hoje nada parece ser capaz de fazer retroceder a onda de populismo que varre o mundo. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade recuam um pouco por todo o lado, enquanto as pessoas cedem à tentação do líder forte. Mas estaremos mesmo à beira do colapso da democracia? Face às transformações económicas e políticas em curso em países como a Itália, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França, o autor defende que as democracias se reinventarão a si próprias tal como sempre fizeram ao longo dos últimos 200 anos, incorporando elementos externos tais como estado de direito, o liberalismo político, ou o estado social.
"A impugnação do modelo de democracia liberal-constitucional ganhou um novo momentum com a crise do subprime. Num contexto em que a democracia do pós-guerra gravitava vazia de concorrência ideológica à altura e mergulhava numa reflexão introspectiva da(s) sua(s) qualidade(s), o mercado, que ajudara a sua consolidação e projeção à escala mundial, propagava-se liberto de controlos e de responsabilidades. Parafraseando Daniel Bell, a escala da democracia, territorialmente circunscrita, tornou-se demasiado pequena para gerir os efeitos da globalização e o mercado tornou-se demasiado poderoso para se render às exigências da política, sejam elas de natureza redistributiva ou regulatória. Nesta obra, Yves Mény percorre com os leitores as insuficiências do modelo de democracia liberal-constitucional do pós-guerra, escalpelizando o «canto das sereias» dos populismos em marcha. A «verdadeira» democracia que os adversários dos sistemas em vigor preconizam, para bem do povo que dizem ter sido abandonado e sistematicamente abusado pelas elites de poder, na realidade nunca existiu. Todavia, as democracias são resilientes. Não é a primeira vez que são contestadas ou odiadas. Aquilo que é a sua maior fraqueza em momentos de crise, a quebra de confiança generalizada, é também o que estimula o seu renascimento. «As democracias», escreve o autor, «foram inventadas, modificadas, adaptadas e estão longe de terem esgotado os recursos da imaginação e da experimentação». A crise que se instalou com esta nova pandemia global, é uma oportunidade única para inovar a democracia."
Luís de Sousa (Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa)
Yves Mény est un universitaire, chercheur en sciences politiques français. Élu à la tête de l'Institut universitaire européen de Florence en 2001, il en fut le président de 2002 à 2009. De 2010 à 2012, il a été le président du conseil d'administration du Collegio Carlo Alberto à Turin. À partir de janvier 2014, il est devenu président du conseil d'administration de l'École supérieure Sainte-Anne de Pise. Il est actuellement membre de des comités scientifique de Pouvoirs, de la Revue française de Science Politique, de West European Politics, de Regional and Federal Studies, du Journal of Public Policy et enfin du Journal of Common Market Studies.