Jump to ratings and reviews
Rate this book

Inteira Como um Coice do Universo

Rate this book
A obra de Cláudia R. Sampaio, poeta e artista visual portuguesa, é um grito de êxtase e de agonia. Inteira Como um Coice do Universo é a primeira publicação da poeta no Brasil, e traz uma reunião de três dos seus livros (A primeira urina da manhã, 1025 mg e Outro nome para a solidão), além de ilustrações da própria autora. O fio condutor desse volume é a aparição da loucura como doença mental, e um eu poético fragmentado entre o hospital e a vida cotidiana. No posfácio dessa edição, Otávio Campos aponta: "Se, por um lado, é um movimento brilhante deixar a ver a lógica da loucura, retirar os loucos de uma solidão compulsiva, por outro é ainda o violento desejo e seus movimentos que perpassam toda a obra. Depois do quadro, depois do poema, depois da fotografia o mundo continua a se criar e a se destruir, e aquele eu, que se contorce e se movimenta nos textos, se um dia existiu, vai embora junto de suas próprias bengalas do real ao final da obra. É o gosto que fica na boca no fim do livro, algo que, antes de ser capturado, foge, e é irreversível.

137 pages, Paperback

Published October 1, 2019

23 people want to read

About the author

Cláudia R. Sampaio

13 books105 followers
Cláudia R. Sampaio é uma poeta e artista plástica nascida em Lisboa (1981). Estudou escrita de argumento na escola Superior de Teatro e Cinema, escreveu para cinema, televisão e teatro. Publicou os livros de poesia: Os dias da Corja, A primeira urina da manhã, Ver no escuro, 1025mg, Outro nome para a solidão, a antologia Já não me deito em pose de morrer e Uma mulher aparentemente viva. Está também publicada no Brasil com a trilogia Inteira como um coice do Universo (Edições Macondo). Tem desenvolvido, em parceria, um trabalho musical a partir dos seus poemas e já integrou vários grupos como diseuse. Em 2019 juntou-se ao colectivo artístico MANICÓMIO. No âmbito do trabalho desenvolvido neste projeto, integrou em Janeiro de 2020 a primeira delegação portuguesa a ser convidada pela Outsider Art Fair, a maior feira de arte informal do mundo, em Nova Iorque, para expor a sua obra. Vive em Lisboa com as suas duas gatas: Polly Jean e Aurora.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
6 (66%)
4 stars
3 (33%)
3 stars
0 (0%)
2 stars
0 (0%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Agnes.
177 reviews4 followers
July 11, 2020
Caminhamos com os olhos ausentes
quando recordamos, não é já com a memória
mas com o seu futuro
Não tivesse escolhido o inferno
e estaria agora dentro da terra
uma casca morrendo de si própria

Sei que imagino a minha vida no altíssimo
nuvem elegante sempre branca
e renasço cada vez mais vezes
por tempo demasiado curto
Ouso e danço com a cabeça entreaberta
um pensamento de pássaros soltos
que se prendem na distância

Sou, no café do bairro, os pés certos na hora incerta
movimento-me na minha brutalidade honesta
cumprimento a mesma gente de febre viva nas axilas,
de corpos sentados soltando pasto e vida,
olhos secos de perfume

Que seria de mim sem esta calma de aprender
a disfarçar um rosto
se não me desfigurasse a cada gesto lúcido
com os braços abertos na manhã da minha vida
se não escrevesse estas palavras
que não servem para mais nada útil
que não seja um registro de sopro
Porque ov azio não se enche de peito
nem desta luz vertical que parte as janelas
nem do canto sagrado onde te descalças para ser
nem das outras coisas que se empoeiram
como navios em extremo

Eu não o preencho nunca

O meu vazio é a calma e a ordem da certeza
A minha carne pendurada na fachada do teu rosto
Um saco roto que carrego em divindade
Despejo-o repetidamente e ele a mim
Que assim nos mantenhamos sempre"



"estamos diante de uma iconografia, que busca a unidade do documento fotográfico, mas só encontra sua aura cósmica, realmente um impulso (violento) do universo. (do posfácio de ótavio campos)

não conhecia , e comprei por se tratar de uma mulher que fala da própria experiência com a loucura e os hospitais psiquiátricos, achando que conseguiria um diálogo com a minha pesquisa sobre alda merini. o que só seria possível se eu decidisse ressaltar o quão diferentes elas são. sampaio busca evidenciar o tanto que o "eu" está dissoluto, se volta para convenções que são inevitavelmente repensadas -- a mulher enquanto mulher, a loucura, as relações sociais, o estar no espaço (e aqui, me lembro muito das imagens do ozu: tudo o que resta de humano sem ninguém em cena), a relação com os objetos, drogas. "o que resta, junto da experiência psiquiátrica, é um resíduo do movimento." e os restos são muitos: do movimento, sim, mas também pedaços desse eu desfeito, urina, partes do corpo, fragmentos de momentos, enfim tanta coisa. e, nisso, uma visão de mundo singular.

o que podemos perceber é, na verdade, um registro de mundo ou de um descompasso entre o 'eu' e o 'mundo', pois, como no poema, cada um ocupa seu polo de sentido.

talvez algo semelhante entre a poeta portuguesa e a italiana seja o encarar da loucura como fonte de criação, porta aberta a tantos novos sentidos
Profile Image for Matheus Carvalho.
10 reviews5 followers
September 18, 2020
“Não lhe resta nenhuma casa, declarou a guerra perdida
Mas há-de vir uma desculpa que lhe baste para o nojo
[de estar
desperta
e o cheiro contínuo a orfandade”

Displaying 1 - 3 of 3 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.