SINOPSE Este livro é uma biografia com uma perspectiva original sobre a história do ditador português. É a sua História escrita de dentro para fora e não de fora para dentro, como quase sempre se faz. Muita gente olha para os factos históricos à luz dos conceitos de hoje. Falamos de colonialismo com base nas ideias de hoje.
Este livro coloca-se na época, tenta percebê-la por dentro, projectá-la de dentro para fora para a mostrar aos leitores como era o tempo resultando numa verdadeira história do Estado Novo. Normalmente, as histórias do Estado Novo são histórias da oposição ao Estado Novo, das torturas da PIDE, das revoltas contra Salazar, das eleições de Delgado, do desvio do Santa Maria, etc.
Ora esta história, tendo esses episódios, tem sobretudo uma visão sobre o próprio Estado Novo, das suas figuras, das relações entre elas, os seus conflitos, dos seus projectos, das suas ambições, das suas realizações.
Trata-se de uma reconstituição histórica e não de uma história académica, que procura descrever os acontecimentos com o seu colorido, explicados no contexto da época, reproduz diálogos, conversas, factos, como se o autor estivesse a assistir a eles e os relatasse, como um repórter jornalístico, sem qualquer preconceito político.
Terminei este livro e o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi “Há livros que merecem ser lidos… este é um deles!” Uma escrita bastante dinâmica e cativante, que foge muito bem ao aborrecimento de uma narrativa histórica, pautada por uma crítica subtil mas sempre certeira, que sabe tão bem ler, quanto mais não seja para relembrar o quão é importante pensar nas coisas!
Uma óptima forma de aprender História. Boa escrita, fluída, perceptível, direta ao ponto. Boas fontes / bibliografia. Sensação de veracidade em tudo o que se lê.Um compêndio do que foi Portugal, de como se construiu esta história. Gostaria, no entanto, de salvaguardar um ponto: o famoso clickbait , o marketing aqui presente, visto o título do livro ser enganoso relativamente ao que se vai ler. De facto, o famoso episódio da cadeira apenas ocupa cerca de 1/3 do texto. Dessa forma, o subtítulo ("Estado Novo: A História Como Nunca Foi Contada" ) será muito mais condizente com o que de facto se lê. De todas as formas, grande trabalho de investigação do autor, que se prolongará ao longo dos 3 volumes desta história.
Excelente livro. Disclaimer: sou um fã da visão do mundo do José António Saraiva. Livro muito bem escrito, agradável de ler e com factos bem justificados. Importante ainda para que a história portuguesa do século 20 não tenha apenas a versão das pessoas de esquerda, que de resto estariam relativamente longe dos acontecimentos. E para tentar perceber que cultura se desenvolveu em Portugal, dependente do estado pai, que conseguiu que nos primeiros 20 anos do século 21, Portugal se tenha tornado num dos países mais atrasados de toda a Europa.
Tenho de me confessar desapontado com este livro, não pelo conteúdo em si, mas pela forma como foi apresentado e como foi dada uma imagem de ser o que afinal não corresponde ao cerne do mesmo. Mais ainda, este é o primeiro de três livros que contarão a historia do Estado Novo “como nunca foi contada”. Ajudaria ter folheado as primeiras páginas para perceber e não ser induzido em erro. Existe um qualquer dizer sobre livros e as suas capas, consta. A premissa do livro surge ancorada numa investigação digna dos melhores romances de espiões, que vive de realidades fabricadas e conspirações. Por muito meritória que seja a conclusão a que o autor chega, não sendo nenhuma novidade ou versão que já não tivesse sido avançada, o que mais impressiona é que “a queda” ocupa menos de um terço do livro; terá sido um erro de formatação do tamanho de letra dos títulos da capa? Não deveria ter sido trocado o destaque que se dá a um e outro elemento? Arrumado o episódio da afamada cadeira e um compreensivo relato dos acontecimentos subsequentes, assim como do AVC de que Salazar veio a sofrer após ter sido intervencionado devido a dita queda, segue-se então a história. A forte componente do livro centra-se, curiosamente, em Marcello Caetano, a sua relação com a Situação e, de maior relevo, com o próprio Salazar. Não estando muito familiarizado com a personalidade, que apenas associo às revoltas estudantis, esse retrato foi bem-vindo e suportado pela extensiva correspondência que sobrevive. Percorre-se também os anos da Guerra Civil espanhola e os da Segunda Guerra Mundial, a neutralidade portuguesa, os meandros diplomáticos para a conseguir e a depressão que acometeu o Presidente do Conselho nos anos que se lhe seguiram; atenção também é dada à relação com a jornalista Christine Garnier, que viria a publicar um livro sobre as suas “férias” com Salazar. Consta que a senhora foi responsável por arrancar-lo da letargia, devolvendo-o ao seu habitual vigor politico; mas isso terá de ficar para o segundo volume… Tirando todas as outras considerações que se poderiam fazer, não se entende realmente porque é que a obra não foi estruturada como um relato histórico que melhor servisse o propósito a que se propõe, beneficiando de um enquadramento oportuno do dito episódio da cadeira, seguindo o tempo e os acontecimentos o seu normal percurso cronológico. Para que se perceba, quando estamos já quase na morte de Salazar, voltamos a falar dos tempos iniciais da ditadura militar e dos primórdios do regime, a sua concepção e implementação. Confusao… O que temos é um texto que, embora de fácil leitura e com informação relevante, nos obriga considerar isoladamente uma primeira parte, para depois então lentamente encarreirar no que parece ser o seu principal assunto. Para isso teremos de esperar pelo segundo volume que tratará dos anos 50 e 60.
Livro muito interessante que refere o bom e mau que Salazar era como pessoa e "politico". Para quem não está familiarizado com a morte de Salazar, este livros faz umas referências interessantes e como tudo foi gerido e onde. O maior lapso deste livro é o titulo enganoso porque fala muito pouco acerca da verdadeira queda que no fim acaba por nem referir com exatidão onde foi realmente a queda. Apenas uma vaga "conspiração". Aconselho a todos os leitores que tenham interesse no tema mas que não se deixem enganar pelo titulo. Preferencialmente de mente organizada para não se deixar levar por alguma tendência do escritor.
Das coisas que mais me "impressionaram" foi a quantidade de citações/fontes. Uma riquíssima bibliografia que traz veracidade e confirmação à escrita de José António Saraiva. Gostei muito do livro.
Interessante o ponto de vista de José António Saraiva, segundo o qual o Salazarismo era um ismo próprio que não o fascismo. Menos interessante a primeira parte centrada no episódio da cadeira.
Bastante interessante do ponto de vista histórico pois esclarece a forma como o evento (a morte do ditador) realmente ocorreu face ao que foi divulgado e ainda hoje se acredita (caiu da cadeira)