A imitação consiste em transpor para o nosso próprio estilo as imagens, os procedimentos e o jogo das frases que dão vida ao tom peculiar de um autor. Mas tal jogo, longe de ser o resultado de um método artificial, é fruto da sensibilidade interior, e é essa sensibilidade que é necessário absorver, e não a parte material do texto. Imitar não é copiar, nem parodiar. A paródia é uma imitação servil; é um exercício mecânico de meter a mão em algo que não é nosso. Quanto ao plágio, é roubo desleal e condenável. A boa imitação, por sua vez, consiste em aproveitar as concepções e a forma da exposição de outrem, e colocá-las em ação segundo as qualidades pessoais e o modo de ver do imitador. Longe de suprimir o mérito individual, este processo serve para criá-lo. Este livro trata de expor como se pode aprender a escrever estudando e assimilando os processos dos bons escritores. O autor percorre as obras dos grandes mestres, dos clássicos aos modernos, fazendo ressaltarem as belezas que devemos imitar, e os defeitos que é preciso evitar.
É um livro interessante, mas passa longe de ser uma obra prima. O autor também limita o seu escopo a analisar escritores franceses, e não traços universais de escrita. Basicamente, prevê dois tipos de escrita: por descrição, e por antítese. Ao final do livro, enfatiza o uso de epítetos. Reconhecendo apenas esses três módulos de escrita, os primeiros capítulos são exercícios de assimilação e longos e exaustivos capítulos de análise de textos de autores franceses. É interessante para que o aluno perceba algumas características dos autores, mas parece haver uma limitação na forma de apreciar o estilo.
Dicas práticas de Albalat sobre como absorver o estilo dos melhores autores até o ponto de desenvolvermos o nosso próprio. Para ele, é pela assimilação da tradição que surgem os autores originais, que sempre bebem na fonte dos grandes do passado.