«... o clarão perdia terreno: já se via o bananal, apagavam-se, ao longe, os contornos da selva, o rio fundira-se na noite e os troncos cinzentos das três palmeiras começavam a vestir-se de luto. Quando chegasse a manhã, derramando da sua inesgotável cornucópia a luz dos trópicos, haveria ali apenas um montão de cinzas que o vento, em breve, dispersaria....» Ferreira de Castro (1898-1974) é um dos mais significativos romancistas portugueses, traduzido e lido em todo o mundo e também dos mais apreciados em toda a vasta comunidade onde se fala a língua portuguesa. Alguns dos seus romances retratam um Brasil apaixonante, misterioso e revelador, outros penetram no húmus português e outros ainda ocupam-se dos problemas trágicos de um mundo dilacerado que procura descobrir a sua verdade. O que descobrimos, porém, em qualquer dos romances de Ferreira de Castro é a mesma profunda paixão pelo destino do homem, o seu apego a uma verdade fundamental que se alicerça na conquista de um ideal de liberdade humana.
Não é possível pensar no romance português deste século sem, de imediato nos referirmos a Ferreira de Castro como precursor do neo-realismo, ao seu nome e à sua obra, de tal modo nos surgem como essenciais para a pesquisa do quotidiano.
José Maria Ferreira de Castro was a Portuguese writer and journalist. At age 12, he immigrated to Brazil, where his work at a rubber plantation for the following four years would be the inspiration for his most famous book, A Selva (1930; The Jungle; filmed 2002 - http://us.imdb.com/title/tt0210971/). He returned to Portugal in 1919, and started working as a journalist. He was a noted oppositionist to António de Oliveira Salazar. He was also famous for his travel literature, namely his book A Volta ao Mundo, recounting his travels around the world in the outset of World War II.
3,7* A Selva é um livro tão difícil de percorrer como a Amazônia que lhe dá o nome. Pouco me encantei com a descrições demasiado espessas da da natureza omnipresente, mas aprendi muito sobre a realidade duríssima dos seringueiros, a forma como eram enganados e explorados, fazendo-me lembrar sobejas vezes o drama atual dos migrantes. Quanto à história, desiludi-me com o português monárquico e com o final. Esperava, utopicamente, uma qualquer equivalência dos seres na desgraça e na resposta à afronta. Talvez fosse demasiado para o tempo em que foi escrito. Já assim o foi.
"Não acusaria jamais. A ninguém! A ninguém! Depois do que vira, em si e nos outros, quando o instinto pode mais e acorda mil reacções ignoradas, mil imposições que tiranizam os próprios lúcidos e os desvairam, e os amarrotam, e os igualam aos que trazem alma primitiva, só havia a acusar a origem remota, que não fora perfeita na sua criação. Mas também ela era irresponsável e perdia-se na lenda ou na hipótese, longínqua e obscuramente."
O equilíbrio é algo recorrente na acção humana, por vezes tão desenfreada no esforço que faz em ganhar vantagem sobre um dos pratos da balança, para se esquecer do outro lado onde se exerce força semelhante. A selva, espaço absoluto e reinado da natureza indomesticável, é procurada pelo homem para enriquecer rapidamente, sem olhar ao reverso da medalha, onde, devolvido à condição primária – quase em igualdade com os outros seres – cada um explora para ser explorado.
Alberto, universitário português e exilado político no Brasil, é enviado pelo tio para o seringal com o pretexto de ganhar o seu sustento. No interior da selva amazónica o jovem vai conhecer a indústria da extracção da borracha como encarnação da escravatura. Impotente para dizer do seu destino, Alberto é levado ao sabor da corrente pelo ciclo que a natureza impõe aos homens.
Ferreira de Castro é um escritor brilhante. Inteligente na abordagem crítica e súbtil o suficiente para não personalizar uma experiência que também foi a sua, dignificando a mensagem de igualdade entre os homens sem a banalizar. A construção frásica, obrigando o leitor a procurar o sentido da mesma, devorando cada palavra ao caminho é desafiadoramente deliciosa. O vocabulário riquíssimo sobressai nas descrições da selva e recria-a no papel, como personagem mais importante do livro – opressiva, bela e sufocante – sem livrar o leitor da sua presença, constantemente desvendando as suas múltiplas faces.
A melhor obra que já li em português (ex aequo com Os Maias). Os personagens estão sempre sob o jugo de forças não tão ocultas e a evolução de Alberto é provocada pela negação dos seus instintos primários e selvagens, regredindo na sua sorte quando a eles cede (aí, embate sempre contra algo mais poderoso). O ciclo completa-se quando o baixo na hierarquia aniquila o mais forte, pondo a nú a “falsa democracia” - para utilizar uma expressão que não é minha. Obrigado a quem sempre insistiu que lesse este livro magnífico.
🌴 D' A Selva: o ritmo lodoso e sôfrego da escrita, está sem a menor da dúvida ao nível do melhor que Conrad escreveu. •• Ferreira de e Castro o meu autor de 2018!
Um livro com fundo verídico - os pormenores, em muitos casos, impressionam. Um livro/pintura sobre o poder vegetal, salvífico, miscigenado e imprevisível da selva. Mas também uma obra sobre o auto-conhecimento: porque nos consideramos acima ou abaixo, integrados ou separados de certos grupos? A aprendizagem dos laços que desafiam estas ideias teóricas. E, finalmente, um livro sobre a liberdade, o peso da escravatura de facto ou prática, uma dinâmica implacável de exploração de um espaço onde trabalhadores, povos indígenas, espécies não humanas são todas atropeladas pelo preço da borracha. E estávamos em 1930...
“A Selva” é considerado o romance mais autobiográfico de Ferreira de Castro. À semelhança de Alberto, personagem central da obra, Ferreira de Castro também emigrou para o Brasil, também foi abandonado por aquele que supostamente seria o seu protector, acabando por ser ver “obrigado” a ir trabalhar para o seringal Paraíso, viajando em 3ª classe no barco Justo Chermont. Aliás, é o próprio Ferreira de Castro que o admite por ocasião da edição comemorativa da “Selva” em 1955.
Escrito em 1929 em apenas 8 meses, esta é uma obra que serviu de exorcismo ao autor, não só pelas dificuldades por ele passadas e narradas, mas e principalmente, pela exposição ao mundo da difícil e desumana vida levada por aqueles que retiravam (e retiram) borracha na selva amazónica.
Publicado em 1930, a obra foi bem acolhida pela crítica, sendo ainda hoje considerada a melhor obra de Ferreira de Castro.
O argumento é simples mas, em simultâneo, inquietante e revoltante.
Alberto é um jovem monárquico que se vê obrigado a fugir de Portugal por estar associado a um desacato. Emigra assim para o Brasil em busca se riqueza. Logo aqui o autor desmistifica a imagem de El Dorado que se tinha do Brasil. Alberto chega com sonhos de riqueza e logo vê cair essa ilusão ao ser abandonado à sua sorte por aquele que o devia guiar e proteger (o mesmo aconteceu a Ferreira de Castro).
Dessa forma Alberto apenas consegue trabalho na extracção de borracha, partindo então rumo ao seringal Paraíso em plena selva amazónica.
E é neste local, onde as dificuldades da vida ultrapassam o imaginável, que Alberto irá perceber o sentido da vida.
Embora a personagem central do livro seja Alberto, a Selva Amazónica acaba por ser o intérprete principal da obra. É nela que o autor expressa todo o poder da narrativa, dando-lhe alma, carisma, povoando-a de fantasmas, de ameaças ocultas sob a sua densa vegetação, de vida.
Nela se passa a maior parte do romance e é nela que Ferreira de Castro narra a difícil vida dos seringueiros que eram (e não são actualmente?) sepultados vivos na selva.
Pessoas humildes, analfabetas e muito pobres, o seringueiro aceitava que lhe pagassem a viagem em troca de, depois de instalado, ir pagando com a borracha extraída. No entanto este era o início do esquema que levava o seringueiro a ficar totalmente dependente do patrão acabando por cair na escravidão. No seringal, ele era obrigado a comprar tudo o que consumia e necessitava ao patrão (nada mais havia do que kms e kms de floresta cheia de perigos) e via o preço da borracha, que tão dificilmente extraia, ser-lhe pago de uma forma miserável. Ou seja, era explorado e dessa forma a sua conta corrente ia aumentando e nunca mais conseguia pagar o que devia.
Ferreira de Castro expõe essa relação desonesta entre patrão e seringueiro, demonstrando a exploração e a escravatura encoberta.
Mas vai mais longe, efectua análises à alma humana e escandaliza-se com o facto do ser humano ser capaz de ser tornar uma animal sem sentimentos: ”como podia ser, como podia ser que as vítimas saboreassem também o papel de algoz? De que sórdida matéria era formada a alma de alguns homens, que gozavam em castigar a desgraça alheia, mesmo quando era igual à deles?”
Um livro excepcional que adorei cada página, cada parágrafo.
Ferreira de Castro é objectivo, no entanto as suas descrições são pura poesia, arte literária pura, extremamente visual, luxuriante até na forma como constrói a narrativa.
"Sim, a selva era bela, majestosa, mesmo deslumbrante. E era rica, havia de ser fantasticamente rica também, mas um dia – um dia que vinha ainda longe. Entretanto, toda a sua grandeza esmagaria, toda a sua deslumbrância seria volúpia do primeiro contacto, logo desvanecida pela monotonia; e os anónimos desbravadores iriam caindo, inexoravelmente, sob as febres, trespassados pelas flechas envenenadas, desvairados pela ausência do amor – escravos, pobres, miseráveis, ali onde a natureza erguia as suas mais fastigiosas pompas!”
Confesso que ao início não foi um livro que me conseguisse cativar... Achei que o início se desenrolava de forma demasiado lenta, sem garra...mas depois, a pouco e pouco, a leitura do livro foi ganhando qualquer coisa mais e acabei por gostar! Não acho que seja um dos melhores livros que li e as quatro estrelas não são grandes estrelas,mas é melhor do que três estrelas e acaba por merecer ser lido!
Recebi este livro numa actividade do BookCrossing e, até agora, foi um dos meus preferidos nesse jogo.
Ferreira de Castro conta neste livro uma história semi-autobiográfica que retrata na perfeição o ambiente dos borracheiros na selva amazónica no início do século. Apesar de a narrativa ser bastante simples, apenas o suficiente para termos uma linha temporal, este livro foi um achado maravilhoso.
O autor mostra-nos todos os detalhes da floresta luxuriante, tão bela quanto perigosa e terrível. Conta-nos os segredos obscuros que estas maravilhas escondem, desde as pragas e insectos às grandes feras que atormentam os viventes. Já para não falar dos índios que, presença sempre constante, atormentam os sonhos dos habitantes destas comunidades que não chegam sequer a ser uma cidade.
O tratamento dado aos empregados deste ofício é também explicado com grande esmero e detalhe, sendo que quase mais perigosos que a natureza ou os índios, são os patrões, que praticamente escravizavam estes homens, colocando-os em dívidas cada vez maiores, dívidas essas que apenas significam os gastos com a própria subsistência.
Um livro maravilhoso e que me encantou do início ao fim.
با اینکه رمانه و براساس واقعیت محض نیست.ولی بسیار طبیعی و واقعی نوشته شده.بدون هیچ افراط و تفریطی. نمیشه گفت ترجمه مشکل داره اما اون حذف های بی هوا و توضیح ندادن کلمات تخصصی کتاب رو تاحدودی گنگ کرده با این حال جذابه البته میشه گفت این حداکثر تلاش مترجم بوده که درامانت خیانت نکنه و متن رو گنگ ننویسه.با سه نقطه گذاشتن ها هم مشخص میکرده کجاهارو حذف کرده, خواننده گیج نشه توضیحات درمورد جنگل آمازون آدم رو به رویا میبره )البته یه رویای نصفه نیمه( هربار با خودم فکر میکنم اگر این کتاب رو یک خانم نوشته بود چقدر نگارشش فرق داشت چه چیزهای دیگه ایو توضیح میداد که این نوسینده ازش رد شده فک میکنم اگر یک خانم مینوشتش کتاب رنگ و آب خاصی پیدا میکرد.قصد پایین اوردن این کتاب ارزشمندو ندارم .فقط صرفا چون فک میکنم خانم ها جزیی نگرترند. خیلی آخرش جالب تموم شد در کل کتابیه که توصیه میکنم خونده بشه به دوستان
خود کتاب عمیقا دوست داشتنی است. اما ترجمه فارسی کتاب که کار آقای صنعوی است یک جاهایی سکته دارد و غلط دیکته ای در کتاب زیاد است. کلا هم یک بخش هایی سانسور شده و به جایش نقطه گذاشته شده و این ها خواندن روان کتاب را سخت می کند. اما برای توصیف های بکر از آمازون اینقدر اغواکننده بود که هر بار دندان بر جگر گذاشتم و هرکدام از این مشکلات را نادیده گرفتم.
One of the best books I ever read. Ferreira de Castro was a communist, you can chose to read this book as a political statement or as a work of art. I chose the second, it is a rich well crafted, artistic description of the jungle and the condition of being human. Very well written.
Breve arrazoado sobre o livro “A Selva”, de Ferreira de Castro.
Felipe Barros Oquendo
16 de março de 2014
“A Selva” é o mais famoso livro do prolífico autor português Ferreira de Castro, e com justiça. Trata-se de um romance dotado de muitos elementos autobiográficos, tirados da passagem do autor pelo Brasil, mais precisamente os quatro anos que trabalhou no seringal “Paraíso”, às margens do Rio Madeira.
O livro - nos conta o próprio autor no prefácio - nasceu da necessidade de Ferreira de Castro enfrentar esse passado que preferia esquecer mas que, lançado ao olvido, acabaria por encrispar raízes à sua alma e, como o sem-número de plantas parasitas que descreve no romance, subjugá-la com neuroses:
“eu devia este livro a essa majestade verde, soberba e enigmática, que é a selva amazónica, pelo muito que nela sofri durante os primeiros anos da minha adolescência e pela coragem que me deu para o resto da vida.”
É então “A Selva”, mais que um livro, um processo de cura espiritual e um ritual pelo qual o escritor português prendeu com selo mágico, em folhas de papel, os demônios desses quatro anos passados na selva amazônica.
Ferreira de Castro transmutou seu eu adolescente – passou dos 12 aos 16 na selva - em Alberto, um português de vinte e poucos anos que vive em Belém do Pará, na casa de um tio comerciante, rico e mesquinho, chamado Tio Macedo. Alberto não está no Brasil por sua vontade, senão porque, tendo se alevantado contra o governo republicano em nome de ideais monarquistas, viu-se forçado a fugir de Portugal para não sofrer represálias, fuga esta que cortou pelo meio seus estudos de Direito.
Alberto é uma personalidade fleumática, de compleição magra, mas com um ego leonino, bastante inflado, que leva sua imaginação quase sempre a lançar julgamentos nietzcheanos sobre os outros e a pintar-lhe um quadro em que é um advogado bem sucedido, brilhando, como ator, no centro do palco judiciário, fonte de glórias e fama.
Incapaz de manter-se empregado no comércio, em razão da crise da borracha, Alberto passara a ser um peso para seu Tio Macedo, que por sua parte pouco fazia para esconder o fardo em que se lhe transformara o sobrinho. Num dia, ao dar pousada a Balbino, um capataz do seringal Paraíso, vê a chance ansiada de se livrar do sobrinho, vendendo-lhe como possibilidade de enriquecimento a ida ao seringal que, no fundo, sabia ser caminho perdição. Alberto, sem acreditar um minuto nas postiças boas intenções do tio, aceita de bom grado o convite para por fim àquela situação humilhante.
A partir daí, com o embarque no Justo Chermont, começa a florescer o estilo enxuto e inventivo de Ferreira de Castro. É que, surpreendentemente, o autor, ao contrário de todos os escritores brasileiros, não se ufana da floresta nem canta em poesia suas supostas glórias. Pelo contrário, Ferreira de Castro, sem usar de linguagem rebuscada e com estilo quase espartano, encontra metáforas inusitadas para o rio e a floresta, pondo-as nas reflexões de Alberto, apreendendo a Amazônia por meio de posia em prosa; poesia simbólica, por vezes, e metafísica:
“Os olhos inexperientes não encontravam referência nessas margens aparentemente sempre iguais, na vegetação que se repetia, senão na espécie, no entrançado, despersonalizando o indivíduo em prol do conjunto, único que ali se impunha. Cada curva se parecia com outra curva, cada recta com a recta antecedente; onde não existia barraca ou cidade, o espírito quedava-se, perplexo, a formular a pergunta íntima: ‘já passei aqui ou é a primeira vez que passo aqui?’”
Apesar de se demorar em descrições da floresta, dos rios, da terceira classe, da primeira, das pequenas cidades ribeirinhas, de Manaus e das clareiras abertas em luta contra a floresta viva, tais descrições, via de regra, não são cansativas, sempre sendo oportuna e equilibradamente cortadas por diálogos e mudanças de cena. Na verdade, a própria descrição é coalhada de belas e inventivas metáforas, expressando invariavelmente espanto e horror, contrariando aquela serenidade decorrente da suposta beleza cantada por poetas que nunca puseram seus pés em terra amazonense: a poesia em prosa de Ferreira de Castro vem a substituir essas descrições românticas e insinceras de escritores passados.
Alberto é o protagonista, sem dúvida; mas não tem um antagonista definido, ao menos não um homem, servindo a selva, em sua atividade agressiva aos desígnios humanos, como um antagonista de fato, não só aos anseios de Alberto, como a de todas as pessoas ali presentes. E mesmo quando elas parecem integradas à floresta, já estão na verdade despersonalizadas pela opressão daquela natureza de gênesis:
“Atreito à vida sedentária, o caboclo não conhecia as ambições que agitavam os outros homens (...). A mata era sua. A terra enorme pertencia-lhe, senão de direito, por moral, por ancestralidade, da foz dos grandes rios às cabeceiras longínquas. Mas ele não a cultivava e quase desconhecia o sentimento da posse. Generoso na sua pobreza, magnífico na humildade, entregava esse solo fecundo, pletórico de riquezas, à voracidade dos estranhos - e deixava-se ficar pachorrento e sempre paupérrimo, a ver decorrer, indiferentemente, o friso dos séculos.”
Com efeito, carregado por estímulos externos até o seringal Paraíso, onde foi parar por uma indolência semelhante à do caboclo, Alberto passa a ter, finalmente, um objetivo claro em sua vida: sair de lá, custe o que custar.
Para Alberto, a selva amazônica tem sempre um caráter sombrio, ora depressivo, ora assustador. Quando o pânico de morrer por doença, picada de inseto ou de cobra, ou pelo ataque dos parintintins cessa na alma de Alberto, logo o espírito da floresta ameaça a integridade de sua alma, como na cena em que Ferreira de Castro dá à monotonia de um dia de chuva um caráter totalmente original:
“Nem cara colada à vidraça, em longas horas invernosas, sofreria a compacta monotonia da selva sob a chuva.
Sempre, sempre, os mesmos caules escorrentes, as mesmas frondes rumorejantes, o solo apardaçado, as gotas - milhões e, para além, o obstáculo multiforme que não deixava passar os olhos. Vinha de cima, de baixo, de todos os desvãos, de todos os rincões, a melancolia que a tudo traspassava. Agora, a selva não fabricava terror; não tinha expectativa, não se encontrava em suspensão; desvanecera-se, por momentos, o seu mistério e não se interceptavam já estranhos conciliábulos. Era um monstro que estava ali, pesado, inofensivo, a bramir um sofrimento que não despertava piedade. E, contudo, nunca, como então, sugeria a vontade de morrer.”
Para sobreviver a esse convite de sereia à entrega na morte, Alberto se apega às relações individuais que consegue formar naquela terra erma e hostil. Na única vez em que admite uma qualidade positiva na selva, esta não lhe serve para redimi-la:
“Sim, a selva era bela, majestosa, mesmo deslumbrante. E era rica - havia de ser fantasticamente rica também, mas um dia - um dia que vinha ainda longe. Entretanto, toda a sua grandeza esmagaria, toda a sua deslumbrância seria volúpia do primeiro contacto, logo desvanecida pela monotonia”.
Se por vezes a secura do estilo e a angústia que transpira do romance aproximam Ferreira de Castro de Graciliano Ramos, a sutileza das cenas humanas, sobretudo as que deixam vislumbrar qualidades superiores nas personagens, o aproxima mais de outro escritor com estilo limpo, sem bem que menos lacônico: José Geraldo Vieira.
Esta foi a impressão que tive ao ler algumas das passagens comoventes do livro, como a despedida de Alberto e Firmino, no último dia de seringueiro do protagonista, que dá azo a uma expressão primorosa daquela conversa muda e paralela que sempre povoa o constrangimento e tristeza das vésperas de despedidas dolorosas:
“A prendê-lo em aros sentimentais, só existia ali aquele Firmino de vulto esguio, rosto comprido, olhos e dentes brancos, o cabelo encaracolado e nos lábios um traço amargo de tristeza. Acabaram por não aludir mais à nova situação que os separava agora. E falavam muito, muito, com receio de que o silêncio dissesse o que eles pretendiam calar. Firmino repetia, conscientemente, episódios já conhecidos de Alberto e ouvia, com risos exagerados, as anedotas que ele narrava do seu tempo de estudante. Por fim, metido na mala o que andava à solta, apagaram o farol e deitaram-se. Fingiram adormecer logo, mas quer um, quer outro, sentia que o companheiro estava acordado e a pensar na mesma coisa. A mudez ia gritando todas as palavras do drama que eles tentavam subjugar.”.
Se Ferreira de Castro brilha nas descrições da selva, mais respondeu o meu gosto às cenas humanas, sobretudo as descrições que o narrador onisciente dá dos estados humanos mais deprimentes, como na febre de inveja, intriga e maledicência que toma conta da porca pessoa de Caetano, ao descobrir – fortuna das fortunas! – que Alberto não vinha fazendo um bom trabalho na rota de seringueiras de Todos-os-santos:
“Contente, tornou à barraca, montou e de novo se pôs a galopar, finalmente de regresso. No igarapé-assu, mais uma vez o compadre Nazário, ouvindo o rumor do cavalo, veio à porta, em oferta de comes e bebes, mas ele passou a toda a brida, acenando, de longe, escusas e agradecimentos. As murmurações de Balbino, que Binda lhe revelara, impeliam-no e picavam-no que nem serpentes, esvaziando muito a fundo o bolsilho venenoso.”
Outros tormentos mesquinhos são expostos em toda sua crueza pelas metáforas precisas de Ferreira de Castro, como o despeito de Juca Tristão com relação à estima que os seringueiros tinham pela grande figura de Guerreiro, o guarda-livros; o servilismo e perfídia de Elias; e, como não poderia deixar de ser, as duas cenas em que Alberto, picado fundo pela falta de mulher e de carinhos, vai espiar Dona Yayá tomando banho e, mais tarde, faz proposta indecente a Nhá Vitória. Em todos estes momentos, Ferreira de Castro coloca-se entre a ironia fina e blasé de Machado de Assis e a angústia nitscheana de Gracilano Ramos, demonstrando-se, em todo caso, um arguto observador da psiquê humana.
Como já dito, “A Selva” é um livro que resultou de um processo quase mágico de libertação de neuroses e demônios que pertubavam a mente do autor desde sua saída, a bordo do Sapucaia, daquele seringal ironicamente chamado de “Paraíso”.
Em consequência desse procedimento, colaboraram, intensamente, a memória e a imaginação do autor, mesclando-se de forma a se confundirem no produto final. Assim, a força das personagens e das situações advém, de um lado, da verdade daquelas memórias, fixadas pela observação de um adolescente sensível e inteligente, e, de outro, do encaixe de algumas personagens e cenas na moldura de grandes obras da literatura universal.
A viagem de subida do rio Madeira, as impressões da floresta, o grotesco do “brabo” morto por decapitação, a ameaça constante dos índios hostis e sempre camuflados na selva, são como páginas perdidas do livro “No Coração das Trevas”, de Joseph Conrad. A melancolia da selva, que enerva e neurotiza, levando à quasi-loucura o Agostinho, é a mesma que, no seio da África, levou o Coronel Kurtz a tornar-se um cacique apocalíptico de uma tribo que não conhecia a civilização, rebelando-se contra a Marinha Britânica. O negro Tiago, que ao cabo de contas, superando totalmente as expectativas, tem função primordial no desfecho do livro, é uma figura calibanesca, disforme e consciente de sua própria disformidade, submissa; mas que, ao contrário do servo de Próspero, é livre – liberdade esta que amou a ponto de, livrando-se do arcano literário que o regia, matar, e por defesa de princípio abstrato, o seu Próspero, Juca Tristão, amo e senhor da máquina infernal que, incrementando dívidas com preços monopolistas sobre artigos comestíveis e de primeira necessidade, aumentava cada vez mais os laços de servidão de cada um daqueles seringueiros que vieram alimentar com grandes esperanças a garganta sôfrega da floresta.
Não só alusões literárias exsurgem na obra. A demoníaca cena do baile no barracão do caboclo Lourenço é, praticamente, uma descrição narrativa de um “capricho” de Goya, daqueles mais tenebrosos:
“Ora a um, ora a outro, as cinco mulheres davam um pouco do seu contacto e do seu calor perturbante. Dilatavam-se os olhos masculinos, os lábios entumesciam-se, a lascívia ia, em onda alta, abrangendo todos os elementos e emprestando a alguns dos rostos súbita espressão de loucura. De quando em quando, uma sombra deslizava na grande sombra da noite, despia-se à beira do lago e atirava-se à água. O banho era o poder moderador. Voltavam com o cabelo a escorrer, gotas nas orelhas, as pestanas molhadas, e enfiavam de novo para a alpendrada – para a tentação, para o abismo. Várias monstruosidades estavam ali em hipótese, em íntima admissão, e seriam imediatas realidades se a frouxa luz do farol se apagasse de vez. (...) A fumarada do pavio enegrecera a chaminé do farol, tornando a luz ainda mais débil e mais lúgubre. Era um baile de misteriosos vultos que se efectuava agora na vasta alpendrada. Os homens que dançavam, adivinhavam-se mais pelo lume do cigarro, queimando a obscuridade, do que se viam.”.
Desde que tomou o navio “Justo Chermont”, Alberto deparou-se, o tempo todo, com tentações à descenção de padrões morais e espirituais. Temeu ficar como Firmino que, apesar de essencialmente bom, havia gastado ali todas as suas esperanças; temeu acabar como Agostinho, entregando-se à bestialidade e enfermo pela carência de um contato com mulher; repudiou também a subserviência do negro Tiago e as pequenas mesquinharias de cada um dos habitantes do seringal, com louvável exceção do Sr. Guerreiro, de quem se aproximou como o beduíno de um oásis.
Ferreira de Castro, não tendo encontrado nada de positivo na memória, tampouco conseguiu fazer sua imaginação vislumbrar qualquer situação em que Alberto poderia ter se salvado naquela selva hostil: a única salvação veio de fora, inesperadamente, com a notícia da anistia dada pelo governo republicano de Portugal e a posterior ajuda vinda de sua mãe. De fato, Alberto só começa a melhorar quando a prisão verde é subitamente partida por um raio de esperança vindo do mundo que, naquela altura, se lhe tornara totalmente esquecido. A aproximação da redenção final e a certeza que a acompanhava fez Alberto sintetizar em sua alma os muitos elementos contraditórios que nela se agitavam quando saiu de Belém. A arrogância pueril e o ódio à igualdade foram substituídos por um senso da igualdade radical de todos os homens, da possibilidade de cada destino infeliz ter sido o seu e pelo senso de caridade que tal reflexão acompanha, sem que Alberto se entregasse com isso a igualitarismos fúteis: apenas, o senso de hierarquia material e política que o monarquismo lhe havia insuflado se transmuta em sensibilidade moral para identificar, no cipoal de emoções que regem o convívio humano, os melhores caráteres e, dentre os piores, seus momentos de luminosidade.
Alberto, como poucos personagens da literatura luso-brasileira, passa por efetiva transformação de um estado pueril para uma madureza de homem feito. O processo de iniciação e sua conclusão exitosa deve-o Ferreira de Castro à selva, donde caracterizar este livro como um tributo à “majestade verde, soberba e enigmática” que, se muito o assombrou, também lhe deu forças e coragem para o resto da vida.
Por fim, não se pode deixar de comentar o final, com o incêndio que a tudo consome e mata o amo, engolfando a Ilha e Próspero num só ato rebelde de Calibã. Ao contrário do que ocorre no livro “O Ateneu”, o incêndio não surge como um deus ex machina para pôr um fecho abrutpo à estória. Pelo contrário, a rebeldia de Tiago, embora, confesso, um tanto surpreendente pela motivação idealista, não carece de verossimilhança e decorre das ações empreendidas por Juca Tristão contra os seringueiros evadidos. Mas a cena passa a ter todo o seu sentido quando, fechando o círculo, voltamos ao prefácio: o livro que lemos é um livro mágico, e o fogo que o consome ao fim é o símbolo da purificação do autor com relação a seus demônios passados. Ferreira de Castro é, então, ao mesmo tempo, Guerreiro, condenando a fúria assassina, e Tiago, o agente irracional que destroi tudo em nome da liberdade – a liberdade que o autor finalmente encontrou ao selar, com mágica, o livro “A Selva”.
Infelizmente, penso que este livro veio ter comigo numa altura menos boa, pois não consegui apreciá-lo como sempre pensei que iria apreciar. Embora não considerasse a leitura deste livro como prioritária, a verdade é que já me tinha cruzado com esta história, nomeadamente depois de saber da existência de um filme realizado por Leonel Vieira que despertou em mim a vontade de ler o livro que lhe esteve na origem.
No entanto, a determinada altura, a minha "alegria" foi esmorecendo e a verdade é que senti que o livro se ia tornando cada vez mais aborrecido aos meus olhos. Qual selva amazónica perante Alberto, senti que este livro começava também a oprimir-me.
Na verdade, acho que é uma boa história. Gostei de conhecer Alberto, . Gostei igualmente do fim da história (ainda bem que não desisti da leitura e cheguei lá), no qual fica patente que, a maior ou menor escala, haverá sempre prepotência no mundo, mas haverá também sempre quem se insurja contra ela...
Porém, e apesar de reconhecer mérito ao escritor na elaboração desta história, direi, infelizmente, que não creio que seja um livro de que me vá lembrar muito no futuro. No entanto, não querendo ser injusto, não é um mau livro.
Alberto, o personagem principal, viu – se na Amazónia como exilado político na sequência da revolta fracassada de Monsanto em 1919, dos monárquicos contra o nascente regime republicano em Portugal. Ao chegar ao Brasil, acolheu – se à protecção de um tio que já lá estava. A breve trecho, este cansou – se de o sustentar e o moço foi forçado a ir trabalhar como seringueiro. A adaptação foi difícil. Moço de estudos, sentia – se superior aos que o rodeavam, e esperava ser tratado com alguma consideração. Evidentemente que tal não aconteceu. Passou anos muito penosos. Para além do trabalho em si, havia risco de vida devido a possíveis ataques de índios, que consideravam os exploradores como intrusos das suas terras ancestrais, e não lhes perdoavam. Um golpe de sorte retirou – o do trabalho de campo, para o escritório. O trabalho era mais leve e de acordo com aquilo que sabia; mas continuava a sentir – se prisioneiro, e só desejava sair dali. Entretanto, recebeu notícias de amnistia política, pelo que poderia retornar a Portugal. Sendo impossível juntar dinheiro para o regresso, tanto mais que continuava com dívidas, pediu ajuda à mãe que lha enviou. O romance termina com a fuga de alguns seringueiros, a sua captura e entrega ao “dono” por outros seringueiros; o castigo cruel imposto pelo “dono” e executado por um dos seus homens de mão.
"Ferreira de Castro. Na selva se fez homem" - Teresa Carvalho - Jornal i - 29/05/2017 "Sobre «A Selva», um estrondo editorial e durante décadas um dos livros mais lidos da literatura portuguesa, disse Jorge Amado, que o considerava um daqueles romances definitivos, que foi «o bálsamo sobre a chaga aberta da violência mais ignóbil desabada sobre os índios iguais a crianças órfãs». Ferreira de Castro precisou de muitos anos para a reviver literariamente: «Medo de abrir, com a pena, as minhas feridas, como os homens lá avivavam, com pequenos machados, as chagas das seringueiras. Um medo frio que ainda hoje sinto quando amigos e até desconhecidos me incitam a escrever memórias», confessa num texto de 1955 destinado à edição comemorativa dos 25 anos desse romance admirável que não passou despercebido a Albert Camus ou a Blaise Cendrars."
اولین تاثیر متن رو من احساس آشفتگی بود. نویسنده می خواسته تجربه زندگی خودش را در قالب داستان بیان کند. تاکیدش هم بر شرایط کار طاقت فرسا و زندگی فقیرانه کارگران است که فریب وعده های دروغین را خوردند. اما به نظرم مطالب یک دست تقسیم نشده اند،بعضی قسمت ها خیلی با جزییات بیان شده، خیلی قسمت ها با سرعت جلورفته. پایان کتاب هم چندان توجیهی با نیت نویسنده ندارد. کلا هدفش عوض شده است. ترجمه چندان جالب نبود، هرچند خوشحال هستم که چنین کتابی را برای ترجمه انتخاب کرده اند. کتابی که فروش بالایی نخواهد داشت اما جایگاه خاصی در ادبیات مظلومان دارد.
"A Selva", de Ferreira de Castro mergulha o leitor no mundo assombroso da Amazónia e dos seus exploradores. Apesar de já ter quase 100 anos (foi publicado em 1930) continua atual a forma como descreve a ganância de determinados homens sobre a natureza e sobre outros homens. A descrição da Selva, tão deslumbrante como violenta, é magistral. Um autor intemporal.
Um livro impressionante. Um livro muito envolvente, sobre o ambiente opressivo da Amazónia na era da borracha - e já da sua quebra. Estive na Amazónia (boliviana) este ano, e o que vi estava bem longe do cartão postal. A natureza lindíssima, mas notava-se a dureza por ali - que afetava toda a gente. Este livro retrata de forma exemplar a força da natureza, e sobretudo a natureza humana, em contexto duro e de exploração. Tem-se a sensação de que tudo se repete, e que o contexto de exploração é muito semelhante ao atual, embora com contornos diferentes. Sobretudo, o que mais impressionou foram os relatos e descrições da selva, e de como tudo isso tem impacto nos humanos e nas relações de poder existentes. Um portento, um livro que vale mesmo a pena ler.
Baseado na própria experiência de Ferreira de Castro na Amazónia, acompanhamos o difícil trabalho dos seringueiros na recolha de borracha, numa época em que o seu preço está a cair e o dinheiro é reduzido, tornando os trabalhadores em quase escravos, enquanto tentam recolher a maior quantidade de borracha para pagarem as suas dívidas intermináveis.
Para mim, a história tem demasiadas descrições da selva, da flora, da fauna e a ação (confrontos, suspense, intrigas, por exemplo) acaba por ser reduzida. Também tive dificuldade em sentir empatia pelas personagens. O final foi surpreendente, é verdade, mas um pouco apressado, após capítulos e capítulos em que nada parecia acontecer. Um livro demasiado lento para o meu gosto.
Ferreira de Castro e a sua A Selva remetem-nos para o universo brasileiro da Amazónia, no início do século XX, um mundo sombrio e lamacento que nos leva a conhecer o âmago da selva e do ser humano. Um espaço de homens exploradores, de escravidão, de instintos cruéis e primitivos, que vão prender o nosso personagem principal, Alberto, um jovem português, instruído, que se vê atirado para esta dura realidade, que o irá fazer descer à mais baixa condição humana e provocar uma mudança de consciência, do homem e do seu sentido de liberdade e justiça. O autor transportou para estas páginas a sua própria experiência nas profundezas brasileiras dos seringais e, numa escrita densa e vibrante, faz-nos, certamente, viajar, respirar, transpirar e assolar por este mundo cruel e selvático.
O autor emigrou para o Amazonas quando adolescente e depois retornou a Portugal e se tornou escritor. O livro nos faz entender como era o Amazonas há 100 anos e a dinâmica entre a floresta, os índios, e os colonizadores.
ژوزه ماریا فرهئيرا ده کاسترو نویسنده پرتغالی که در خردسالی یتیم شده بود بیش از دوازده سال نداشت که راهی برزیل شد و در جنگلهای آمازونی زندگی دشوار کارگران مزرعههای کائوچو را نه از سر تفنن بلکه مانند تمام کارگران دیگر براثر نیاز - آزمود. پس از بازگشت به زادگاه و آغاز زندگی روزنامهنگاری و نویسندگی، در کنار سایر آثارش جنگل بکر را که حاصل تجربه عینیاش از زندگی تحملناپذیر کارگران مزرعههای کائوچو بود و بهحق یکی از شاهکارهای ادبی نئورئالیسم پرتغال در دوران حکومت سالازار در نظر گرفته میشود آفرید. این اثر مستند و غنائی که به دیار آمازونی مربوط میشود، هرچند رمان گونه است از رویدادهای واقعی وزندگی مردمی ابتدایی، ساده، بینوا، و گمگشته در جنگلهای نفوذناپذیر، و نیز از شعر، رقص، سنتهای عامیانه این مردمان سخن میگوید. قهرمان اثر که تا حدود قابلتوجهی از شخص نویسنده نشان دارد، دانشجویی جوان است که به سبب فعالیتهای سیاسی تبعید میشود و ناگزیر به زندگی اسارتبار دستهای از دوزخیان روی زمین که کارگران مزرعههای کائوچو هستند تن در میدهد. کاسترو به یاری تجربههای شخصی، واقعیتها را بیان میکند.
Excelentes descrições de cenários social, físico e psicológico, com as constantes metáforas inesperadas, contrastando aspetos do quotidiano nada semelhantes, intercetando-os de uma forma impressionante. Bom ritmo da ação, com analepses e prolepses que conferem ao ritmo uma velocidade moderadamente rápida. Boa historia, com final inesperado e uma excelente critica a exploração humana, bem como ao racismo como base da escravatura.
Interessante registro semi autobiográfico do escritor português sobre um período e local pouco explorado na literatura nacional:a Amazônia, na era áurea e decadencia da borracha .Das relações escravagistas e exploratórias entre os donos dos meios de produção e os migrantes seringueiros,levados ao inferno verde com promessas de una vida melhor porém em vez disso ser agriolhados em condições sub humanas. Consegui me por no lugar no narrador em suas discricoes claustrofóbica sobre este mundo separado e difuso que é o da floresta e rios, que obedece suas próprias leis e feras. Pois já tive oportunidade de viajar de barco pela Amazônia uma experiência inesquecível e única, do qual não teria coragem de repetir.
A narrativa é do ponto de vista do jovem Alberto, que por acaso da vida, acaba sendo testemunha destes acontecimentos, um pouco amoral e contraditório e com alguma crescente consciência social e política do seu papel neste mundo:insignificante.
Como estou a ler muito sobre os sistemas prisionais Rússia,como Siberia/ gulags, com seus campos de trabalho forçado e colônia penal não pude evitar traçar paralelos, pois os dois tem as mesmas origens, tanto econômicas e de expansão de território, extração de recursos naturais em areas distantes, para explorar de forma mais baixa e barata seres humanos em nome do progresso .
Bom me deu algo para refletir sobre estes fenômenos que ocorrem pelo mundo de injustiças sociais .