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Invierno en Oriente Próximo. Diario de viaje

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Annemarie Schwarzenbach, en sus 34 años de vida realizó viajes a diversos lugares del mundo que dieron como fruto una serie de lúcidas reflexiones sobre los pueblos, las personas y los paisajes. La sensibilidad de su visión y la perspectiva de lo exterior como algo propio, alejada de los tópicos del escritor occidental, resultan fascinantes.

190 pages, Unknown Binding

First published January 1, 1934

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About the author

Annemarie Schwarzenbach

49 books143 followers
Annemarie Schwarzenbach (1908-1942) was a Swiss writer, journalist, photographer and traveler.

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Profile Image for Katya.
490 reviews3 followers
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April 3, 2022
A imagem de Annemarie Schwarzenbach tem vindo a fascinar-me há muito tempo. Doutorada em história, fotógrafa e jornalista, Annemarie foi uma viajante intrépida e o tipo de mulher "sem medo" que admiro.
Ferverosa opositora do nazismo - amiga da família Mann, apesar da simpatia da sua própria família pelo regime nazi -, Annemarie chegou a financiar publicações anti-fascistas em que participaram grandes vultos da cultura mundial.
Aventureira e destemida, a escritora, verdadeira fura vidas do século passado, assombrada pela ameaça nazi, ensaia desde cedo várias viagens de carro pelos quatro continentes em busca de um mundo sobre o qual não pairasse a ameaça do totalitarismo alemão. Durante vários anos o foco do seu trabalho é o de retratar os efeitos deste flagelo sobre as populações europeias, mas também a exploração laboral ou o racismo nos EUA.

Com a definitiva ascensão do regime nazi, em '33, Annemarie então com 25 anos de idade, parte no intemporal Expresso do Oriente, rumo a Istambul e à companhia de colegas arqueólogos.

O relato do ano que passa a seu lado é aquilo que nos é dado ler nestas páginas. E é um relato a tempos apaixonado a tempos desiludido, mas sempre de uma vivacidade poética maravilhosa:


"Depois, de súbito, para o lado que supúnhamos ser o do deserto iraquiano, o Sol subiu com uma rapidez sobrenatural, como uma bola rodopiante, sem despedir um único raio, mas concentrando somente na periferia um halo cintilante de luz amarela. É assim que o símbolo solar alado plana por cima dos deuses e das rainhas nos espléndidos baixos-relevos dos hititas."
58




Orthostat relief: seated figure holding a lotus flower
ca. 10th−9th century B.C.
Metropolitan Museum


O seu percurso faz-se por locais que todos reconhecemos (muitas vezes só de nome e pelas piores razões), Istambul, Ancara, Palestina, Babilónia, Teerão, Persépolis. E nestes passeios, Annmarie reflete o tempo, a vida, a incerteza e a insignificância humanas:


"...cada época é como tem de ser e nada escapa mais ao nosso controlo do que os acontecimentos da nossa vida."
91


Pelo seu caminho cruzam-se caravanas, beduínos, príncipes e mendigos, planícies desérticas, montanhas nevadas, oásis e plantações férteis cada qual moldado pelas forças de uma natureza não domada pela mão do homem...


"Na Europa, o tempo que faz não desempenha um papel tão importante; aqui, continuamos dependentes da água, da tempestade de poeira, do rio, o que faz com que mantenhamos uma relação estreita com a natureza. É compreensível que os homens, cheios de temor e de esperança, dirijam preces aos seus deuses e que o poder destes últimos triunfe sempre sobre a nossa vontade. O que inspira uma forma de paciência completamente diferente."
95


Em terras sustentadas pelo ideal de comunidade a que se sacrifica o indivíduo, a escritora não se poupa, e não poupa os leitores, à dureza das paisagens, à dureza da vida e às suas contradições:


"Sendo Kerbela uma cidade santa, fora publicado um decreto que proíbia a prostituição, mas, para a substituir, tinham sido autorizados os casamentos efémeros que, por vezes, duram apenas algumas horas. Ainda que facilmente explicável, trata-se de uma estranha mistura de corrupção e de santidade num solo impregnado de paixões."
116


Embriagada pela liberdade ancestral e telúrica que encontra nas areias do deserto - Annemarie era também uma problemática consumidora de morfina-, o seu comportamento soa muitas vezes errático, perigoso, e desfasado da realidade contemporânea:


"Acontecia facilmente que o sangue-frio e o equilibrio pessoal se evadissem como cavalos espantados. Desamparados e desambientados, confrontávamo-nos com a nossa existência limitada em tempo e energia... Mas, em contrapartida, despontava uma vaga esperança: a de nos podermos abandonar tranquilamente às forças que sustentam e fazem mover o mundo. O reconhecimento dessas forças produzia de início um sentimento de grande liberdade, mas, pouco depois, dávamos por nós esgotados e estranhamente despojados sem que soubéssemos como tudo acontecera."
173


A sua escrita é belíssima, limpa e direta sem dispensar uma boa dose de figurações poéticas. E, no fim, quer Annemarie tenha ou não achado o que foi procurar às terras do Levante (e decerto não conseguiu escapar a ser quem era e a viver o seu destino), deixou-nos, sem dúvida, um magnífico documento e um espantoso testemunho das paisagens orientais tanto como da sua magnética personalidade.


"A única inquietação, e que assume proporções cada vez mais assustadoras, é que a vida nunca bastará para levar um único propósito que seja até ao seu termo incontestável.
(...) todo este tempo passado a viajar revela, de modo simplesmente um pouco menos mascarado e mais concentrado, a maneira como vivemos a nossa vida: de início, na exuberância, com uma multiplicidade de grandes projetos, não tardamos, no entanto, a contentar-nos com o que vamos fazendo pelo caminho e é raro que alcancemos uma meta bem determinada e, ainda mais raro, que estejamos seguros do seu valor, preocupados como estamos com a preservação da nossa dignidade interior e exterior e a manter-nos, além disso, em harmonia com o que nos é querido - sendo que consegui-lo será já muito.
Na vida corrente, que com frequência se repete durante anos e ganha em estabilidade, tudo parece decerto mais sólido e mais duradouro; a consciência do "episódico" perde-se; é mais facil acreditar que cada dia contribui para se construir um futuro e esquece-se que esse futuro inelutavelmente terá fim um dia ou uma noite. Mas quem sabe o que, então, nesse momento, contaria ainda?
É o estado do mundo que nos proporciona uma consciência assim dos perigos, dos acasos e das restrições que intervêm no curso de uma vida breve. Sabemos que o mundo está na véspera de alterações inevitáveis e profundas, mas ignoramos como enfrentá-las. Por isso, experimentamos reconhecimento por cada episódio atravessado sem emboscadas e numa paz relativa."
81
Profile Image for BrokenTune.
756 reviews224 followers
January 23, 2016
Winter in Vorderasien is Schwarzenbach's account of her first trip to Turkey, Syria, the Lebanon, and Palestine. She made the trip in 1933 and the impressions she gained would not only serve as inspiration for a collection of short stories (Bei diesem Regen) but would also determine her fate as a travel writer - as she would continue to travel and share her experiences through both her photographic work and her writing.

While this not the best of her work with respect to writing style, the fascinating aspect of this book is that it is a frank account of her impressions. The short stories she would later extract from these initial sketches are much more polished stylistically, but they also loose some of the edge with which Schwarzenbach takes account of the events of her travels at the time - inconveniences, frustrations, and not all but some of the unpleasant experiences are accounted for in Winter in Vorderasien which will not feature in the later revisions. Again, it must be said that the revisions are offered as a work of fiction and must be read as such whereas this book is not and as such portrays much more of the Western European attitudes of travellers in a world which is still governed by colonialists. Although Schwarzenbach does not share all of these attitudes, she is subjected to them as she could not have undertaken the trip without depending on the established ex-pat society she meets on the way, and this does come across in her impressions - even though her own thoughts and attitudes would be developed in more detail in the subsequent short stories.
Profile Image for Margaret.
788 reviews17 followers
June 3, 2021
Nos anos 30, Annemarie Schwarzenbach acompanhou uma expedição arqueológica pelo Médio Oriente, passando por países como a Turquia, Síria, Iraque, bem como a antiga Palestina e Pérsia.

A autora é uma narradora muito descritiva, que põe no papel tudo o que vê, às vezes até ao ínfimo pormenor, mas não é muito de revelar o que vai no seu íntimo. Tirando algumas considerações em relação ao povo Xiita (que até continuam bastante atuais!), falta um certo cunho pessoal, tornando várias passagens um pouco “secas”.

É uma leitura interessante, especialmente quando comparamos a realidade do passado com o que está a acontecer agora na região (a Síria deve ter sido um verdadeiro encanto!). Falta só um pouco mais de envolvimento com a experiência maravilhosa que é viajar.
Profile Image for David.
111 reviews2 followers
November 16, 2025
«Melancolía: los griegos inventaron esta palabra, grave y sonora como el colorido del atardecer justo antes de apagarse.»

La cubierta muestra la figura humana de una belleza andrógina con semblante melancólico. Indago un poco y descubro que Annemarie Schwarzenbach fue un alma viajera que tocaba los palos del fotoperiodismo, la arqueología y la literatura. Este diario de viaje por las tierras de Oriente Próximo recoge sus impresiones sobre tipos y costumbres de un imperio otomano recién disuelto cuyas nuevas aspiraciones clamaban un futuro propio mirando a Europa; pasa por reflexiones en Palestina, Líbano y la historia de sus pueblos y llega a paisajes indómitos que abren las puertas de Asia en Irán, Iraq o el mar Caspio.

Aunque a la autora se le escapa en ocasiones cierta mirada orientalista, lo cierto es que, cautivada por la paleta de los paisajes y la inevitabilidad del paso del tiempo describiendo los restos de civilizaciones antiguas, se detecta la desazón por la Europa de entreguerras. La calidad estética en el estilo es indudablemente bella e inmensa, precisa y sencilla, sin adjetivos superfluos, como fijando una imagen en la cámara para capturar fotografías como las que acompañan al texto. Como buena fotógrafa, ella no sale en el encuadre, y en las pocas escenas que en este diario aparece un yo me dejo arrastrar enseguida por la figura de Annemarie Schwarzenbach, que trasciende y se relaciona en mi imaginario como una especie de Corto Maltés mujer, rebelde, inconformista y real.

Adicta al tabaco y otras drogas, homosexual e hija de familia de bien simpatizante del régimen nazi, no se tardó en colgarle el letrero de oveja negra. Antifascista y personaje de la cultura vivió con pasión los excesos y relaciones dramáticas, las depresiones y la literatura, incluso algún intento de suicidio. Amante de la mismísima Carson McCullers, íntima amiga de Klaus y Erika Mann (a quienes confesaba sus demonios en unas correspondencias que parecen complementarse con este diario), en sus viajes uno encuentra la sensación de pérdida de la conciencia de espacio en la contemplación nostálgica de un atardecer dorado en Siria; o de tiempo, discurriendo sobre los secretos pendientes de Persépolis y que el humilde pincel de un arqueólogo pueda, con justicia, dar la grandeza que merece a su romantizada Persia. Aunque entusiasta, se enciende un cigarro en una ventana y dirige la bocanada de humo a un paisaje que busca reconocer como refugio pero se conforma con que pueda mantenerse inalterado, en vano, e intacto por el influjo occidental.

Alienada en su búsqueda de libertad, se entiende esta travesía lírica como una huida hacia delante de quien busca desaparecer entre pasado y futuro. Una escritura catártica hacia exóticos confines en los que dioses ajenos; pastores que obedecen antiguas leyes del desierto; inclemencias atmosféricas e inviernos orientales de matices fantásticos en Beirut; las portentosas formas de Uruk, Babilonia o Ujaidir; la historia de los traidores de Kufa, las santas Nayaf y Kerbala; las dimensiones del valle del Eufrates, el Tigris; o la inmensidad del cielo estrellado sobre Naqsh-e Rostam... hagan flotar, ingrávida, la arrogancia occidental y perder en la lejanía y el vacío a Europa. Todas las ruinas antiguas se convierten en puntos clave de la configuración de un mapa dibujado por su deseo de evasión, y «busca el alma de cada lugar en pequeños detalles: desde la interiorización espiritual de los espacios que rodean las mezquitas, hasta el hecho de cargar tintas en la mitología propia de cada lugar al que llega».

Vuelvo a mirar la cubierta del libro y veo a una cariátide con un aura fascinante que busca su lugar en el mundo convirtiendo sus viajes en palabras: elegante, culta, vestida como un hombre, con un cigarro en la mano y liberada de la Acrópolis de Atenas.
Profile Image for Claudia.
94 reviews8 followers
May 5, 2017
Winter in Vorderasien
von Annemarie Schwarzenbach

Im Oktober 1933 begann Annemarie Schwarzenbach am Bahnhof von Istanbul ihre Reise durch Vorderasien. Über Anatolien, Syrien, den Libanon, Palästina und den Irak geht es bis nach Persien. Eine magische Reise durch großartige Landschaften.

Das Buch lässt sich aus heutiger Sicht kaum lesen, ohne immer wieder an die aktuellen Ereignisse zu denken.
Annemarie Schwarzenbach schildert spannend Erlebnisse und Begegnungen der Reise, ab und an kommt sie ins philosophieren.

“ … man ist immer bereit, am gestrigen Tag zu zweifeln, und was weiter zurück liegt, kann man nur noch unter Schmerzen beschwören.“

„Es liegt am Zustand der Welt, dass man sich der Gefährdungen, Zufälligkeiten, Beschränkungen, die sich in den Ablauf eines kurzen Lebens mischen, so bewusst ist: Man weiss, dass sich die Welt unausweichlichen und grossen Veränderungen nähert, aber mann weiss nicht, wie man sie überstehen wird.“

Es ist das erste Buch, das ich von dieser Autorin lese. Jetzt bin ich sehr gespannt auf ihre anderen Werke.
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