Esta edição bilíngüe reúne dois livros de mesmo tí o De magistro de Santo Agostinho e a questão 11 do De veritate, o De magistro de Santo Tomás de Aquino. Separados por quase um milênio, esses dois textos carregam, compactamente, todo o problema do ensino no nível dos princípios, mirando o ponto central da atividade do magisté é possível que um homem ensine outro?
O De magistro de Agostinho é a transcrição de um diálogo com seu filho Adeodato, então com 15 anos, que veio a falecer no ano seguinte. O de Santo Tomás, por sua vez, é uma questão disputada, procedimento característico da escolástica
Embora curtos, ambos merecem leitura repetida e constante meditação, a fim de que possamos captar as idéias de pedagogia e de verdade subjacentes a ambos, e descobrir, na profundidade e no alcance que têm em cada detalhe, tesouros de valor inestimável.
Seguindo o regulamento do site, todas as suas obras devem ter como primeiro autor, obrigatoriamente, seu nome internacional ou inglês, i. e., Augustine of Hippo, mas também seu nome em português para fácil localização. Também é desaconselhado a inclusão de títulos e datas em seu nome.
Também conhecido como Aurelius Augustinus. Não confundir com com Santo Agostinho da Cantuária.
Este livro é composto por dois livros de mesmo nome, de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, onde se verifica se um homem pode ensinar o outro.
Começa por Santo Agostinho, em diálogo com seu filho Adeodato, onde Agostinho começa por definir que as falas devem ser ou ensinamento ou recordações. Prossegue instigando Adeodato, que resume a exposição de Agostinho, e depois Agostinho segue num monólogo, mostrando que há palavras que significam por si mesmas, como Deus. Por fim chega-se à conclusão de que o mestre apenas conduz, e que o aprendiz aprende pela reflexão. E só há um Mestre, Deus.
No De Magistro de Santo Tomás, a solução para a questão de se o mestre pode ensinar, passa pela questão da atualização das formas no ser. Para Santo Tomás, tanto o homem quanto Deus podem ser mestres, mas Deus é o Mestre por excelência, enquanto o homem pode ser um auxiliar. Diz que o ensino é superior à descoberta, por ser mais perfeito. Citando as Escrituras e também baseado em sua filosofia, diz que os anjos podem ensinar os homens. Conclui dizendo que ensinar faz parte da vida ativa e da contemplativa, mas prepondera a primeira.
O ápice da filosofia da Educação pode ser visto, de um lado, em Agostinho, que, em um diálogo com seu filho Adeodato, aborda o tema da fala e suas finalidades: o ensino ou a recordação. Ele também discute o cantar, como a modulação do som, e o orar, como uma conversa com o Mestre dos céus para moldar o homem interior. Para Agostinho, o homem usa signos para se comunicar, que representam nomes ou palavras com significados relacionados às coisas materiais. No entanto, existem também signos imateriais, que estão escritos no coração do homem por Deus, o único verdadeiro Mestre. Para Agostinho, é Deus quem nos ensina, e somente Ele. O homem, por sua vez, usa signos para conhecer as coisas.
Por outro lado, temos a visão de Tomás de Aquino, que dialoga com Agostinho em De Magistro. Aquino, embora compartilhe a ideia de que Deus é a fonte do conhecimento, acredita que Deus usa seres exteriores para ensinar, passando o que está em potência para o ato, por meio de anjos ou homens, que guiam outros homens ao conhecimento.
Uma excelente obra. Na obra de agostinho, na minha opinião, de leitura mais dificil, devolve vários temas como o conhecimento através dos signos, a linguagem, a gramática e relaciona isso com o ensino e com os mestres. Já na obra de Santo tomás, ela é um excerto das questões disputadas sobre a verdade, no excerto em questão fala sobre a possibilidade do homem se chamar mestre, de ensinar, se os anjos conseguem ensinar. Com a clareza caraceterística do doutor angélico, a leitura apesar de não ser fácil é mais direta do que o dialógo antecedente de Agostinho. Incrivelmente, Santo Tomás cita a obra de Agostinho.