A humanidade agora vive em metrópoles nas costas de criaturas gigantes. Em uma dessas terras, o Exército começa a perseguir um casal que poderá mudar a maneira como as pessoas entendem seu mundo. "Oceanïc" acompanha Rafael e Jonas fugindo da perseguição do Exército por razões que envolvem o passado de um deles — e um projeto misterioso do governo...
Waldson Souza é brasiliense, escritor, roteirista e doutorando em literatura na UnB. Sua pesquisa acadêmica possui foco em temas como afrofuturismo, ficção especulativa, autoria negra, representação e a obra de Octavia E. Butler. É autor de “Oceanïc” (Dame Blanche, 2019) e de “O homem que não transbordava” (Plutão Livros, 2021), finalista do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2022. Já publicou nas revistas Piauí e Quatro Cinco Um. Em 2021, organizou a coletânea “Raízes do amanhã: 8 contos afrofuturistas” (Editora Gutenberg e Plutão Livros).
Waldson Souza possui uma habilidade que eu admiro muito em alguns autores: o worldbuilding. O universo apresentado em Oceanïc é muito interessante. Também me agradou muito o domínio narrativo com os múltiplos pontos de vista. Se o começo demorou um pouco para fazer eu me interessar pela história, a segunda parte foi conexão automática. Os personagens e suas histórias de vida me fizeram comprar suas motivações e torcer por cada um deles. O fim é satisfatória, mas deixa uma forte insinuação de que ainda tem algo a mais para ser apresentado neste mesmo universo. Leitura mais do que recomendada para quem gosta de ficção científica.
Nessa ficção científica ambientada num mundo onde cidades são carregadas por criaturas marinhas gigantes, um grupo de amigos se une para fugir do governo.
"Oceanïc" me parece o prólogo de uma história maior. Aqui temos um cenário criativo e original envolto numa narrativa rápida e fluída. Gostei do que li, mas não me parece que encontrei uma história com início, meio e fim. Só vi parte do início.
Ao final da leitura, fiquei com mais perguntas que respostas, como: desde quando essas cidades existem? Como é a forma de governo? Como funcionam os avanços tecnológicos? De onde vem a luz quando a cidade está submersa? Qual o papel de alguns dos protagonistas aqui apresentados? O que está por trás do plano do governo? Como são as relações entre as cidades?
Espero ter a resposta para essas e outras perguntas num próximo volume.
Oceanïc é uma leitura que te prende logo nas primeiras páginas, com um enredo desenvolvido de forma cuidadosa e conduzido por personagens aos quais você se apega rapidamente.
O mundo criado pelo Waldson é apresentado aos poucos, embora nunca por completo, o que para mim funcionou muito bem. Aquilo que sabemos sobre Oceanïc e as outras cidades flutuantes é somente o necessário para que a narrativa se desenvolva e os personagens evoluam, de forma que cenário e personagens estão intrinsecamente relacionados.
É divertido acompanhar diferentes protagonistas e ver como suas histórias se entrecruzam. A experiência de leitura fica ainda mais incrível porque carrega uma urgência que se refere não necessariamente à cenas de tensão, mas à intensidade com que os sentimentos dos protagonistas são trabalhados.
Oceanïc foi uma das surpresas do ano, provando o quanto Waldson Souza (cuja escrita até então eu só conhecia através de alguns contos) é um escritor talentoso.
Depois de ler a última palavra do livro eu pensei: "Eu preciso de respostas!!!".
Ano passado quando eu conheci o Waldson, e ele me contou a história desse livro por cima, não imaginei que eu gostaria tanto de lê-la quando fosse publicada. Essa é a primeira novela dele e a leitura foi boa por inúmeros motivos:
- É um livro afrofuturista own voice escrito por um autor negro com personagens negros e bem palpáveis; - Tem representatividade LGBTQ+; - Plot twists!!!; - E apesar de ser uma história futurista vemos que a humanidade ainda sofre com muitos problemas do passado.
O que muda é que no universo criado pelo autor, as cidades se desenvolvem nas costas de criaturas gigantes e uma tecnologia mais desenvolvida, de resto vemos muitos dilemas diários que os personagens sofrem e que também sofremos hoje em dia.
O livro gira em torno da maior dessas cidades móveis, Oceanïc, e é lá que conhecemos a maior parte dos protagonistas. Os meus preferidos são o Beto, Rafa e um pouquinho do Jonas (depois que você conhece melhor quem ele é).
Eu ainda quero respostas, por isso vou continuar acompanhando o trabalho do Waldson para descobrir o que acontece depois daquele final. O cliffhanger, meu pai! Tem muito pano pra manga e muitas possibilidades. Espero que ele publique muita coisa explicando e contanto mais desse universo criado por ele.
Aviso a quem queira ler: a sinopse é vagamente enganosa. A história não foca no casal Jonas e Rafael, foca mais no Jonas. E é bem fix-up... Você tem histórias se cruzando para dar formar à jornada do Jonas em Oceanic.
Dito isso, é um mundo incrível, personagens muito cativantes (mesmo a Laura que aparece bem pouquinho e nunca mais) e uma história bem divertida. A leitura fluiu bem do início ao fim, o Waldson manda muito! Tive poucos incômodos, na verdade. O primeiro é com a sinopse, como já deu para perceber. O segundo são alguns trechos em que o Jonas pareceu um abusador (achei desnecessário), e uma outra cena em que a Teresa tem relações sexuais no carro em que o filho dela estava dormindo. PORRA, A CRIANÇA PODIA ACORDAR A QUALQUER MOMENTO E NINGUÉM SE PREOCUPA?? Essa cena não fez sentido pra mim.
E bem, o final... Pareceu mais uma abertura a todo um universo que abarcará mais histórias (e que talvez dê algum destino para o arco do Jonas e os outros personagens que foram "Voluntários" da Corporação Avanço). Espero mesmo que Waldson esteja escrevendo ou pensando em escrever mais kkkkk
Sabe aquelas histórias geniais que você gostaria de ter escrito? Essa é a impressão que eu tive ao ler Oceanic. Waldson é um autor criativo e eu sinceramente fiquei impressionado com o que fui capaz de ler. Ideias e mais ideias colocadas no papel. Em um primeiro momento a gente imagina uma história normal entre duas pessoas que se amam em um relacionamento nocivo, mas logo Waldson começa a colocar algumas camadas. O segundo ato é de explodir a sua cabeça. Vem a ideia das cidades em cima de tartarugas. Pronto. Que raios esse cara estava pensando? Mas, cuidado, não se deixem deslumbrar pelo cenário e observem as nuances e as críticas sociais presentes na narrativa.
Oceanic é composta por quatro atos, cada uma delas contada por um ponto de vista sendo um deles repetido. Todos contados em primeira pessoa e esta foi uma decisão acertada do autor. Isso porque esse tipo de narrativa permite ao leitor se envolver com os personagens. Conhecê-los a fundo e entender suas dúvidas e angústias. Algo que Waldson faz muito bem ao fazer de seus personagens falhos. Não temos heróis aqui. Temos pessoas de carne e osso capazes de fazer coisas tolas por amor ou por sobrevivência. Não é complicado entender os altos conceitos trabalhados pelo autor. Só que ele vai te entregando as informações bem aos poucos, sem pressa. Vamos montando as peças do quebra-cabeças até chegarmos ao final quando dispomos de tudo. Não tive qualquer dificuldade para compreender a história. Nesse sentido colabora também o fato de os capítulos serem curtinhos e a história passar voando.
A ambientação é criativa. Imaginar cidades construídas em cima de tartarugas gigantes me remete imediatamente a Terry Pratchett e seu Discworld. Mas, claro, Waldson avançou um pouco mais e a intenção não era criar algo humorístico. Temos várias cidades cada uma delas com um ambiente distinto. Algumas são mais aprofundadas com outras. Polen é uma cidade agrária que sobrevive da agricultura do milho enquanto Oceanic parece ser uma metrópole tecnológica (apesar de o autor não entrar tanto nos meandros da cidade). Temos uma terceira cidade que é mostrada muito por alto onde vemos que esta sobrevive da extração de minérios. O autor entrega informações que precisamos para a narrativa. Nem mais, nem menos. O livro foi bem editado, ou seja, ele não tem barrigas. As informações nos são passadas sem que a gente se dê conta disso. Não há aqueles capítulos onde alguém vai e nos conta tudo o que está acontecendo.
A ligação entre Jonas e Rafael é bem trabalhada pelo autor. Aliás, palmas para o autor em apresentar um romance LGBT que é tão natural. Se eu não estivesse aqui comentando, talvez o leitor nem percebesse que teria um. Não há apelação, não há um exagero nem nada. É tratado como um romance comum entre dois personagens. Existem os dramas e dúvidas da relação que precisam ser resolvidos ao longo da trama. Logo no primeiro ato vemos o quanto Rafael sente que Jonas não lhe dá o devido valor. Ficamos com a impressão de que a relação é tóxica para o protagonista daquele ato ao vermos o personagem desaparecendo por dias a fio e nos dando conta de o quanto isso machuca emocionalmente Rafael. Claro que depois o autor vai apresentar o lado de Jonas e nos mostrar a complexidade da relação entre eles.
Já Felix, protagonista do segundo ato, é um personagem preso a uma vida comum em uma cidade comum que vive da agricultura. A perspectiva de ter que seguir os passos de seus pais e ir para o milharal, única perspectiva de Polen, não é das mais acolhedoras. Laura, seu amor de infância, também deseja sair dali e para isso ela tem um plano ousado: saltar do topo da tartaruga quando outra tartaruga se aproximar da cidade e tentar a sorte em outra cidade. Nosso personagem vai demonstrar seu receio sobre o que fazer a seguir: ir atrás de seu amor e deixar tudo o que ele conhece para trás ou permanecer e se arrepender de nunca ter tentado. É uma narrativa de amadurecimento clara onde as escolhas são necessárias para um futuro. Qualquer escolha vai acarretar um arrependimento e uma liberdade.
As críticas sociais estão presentes por toda a narrativa. Vou destacar apenas uma. Tem um momento na narrativa que mostra o quanto Oceanic pode ser um sonho para muitas pessoas. Me lembrou a época em que as migrações do nordeste para o eixo Rio-São Paulo estavam em alta. As pessoas abandonavam o interior em busca de um sonho que nem sempre se realizava. O que acontecia era que o migrante chegava na cidade e normalmente ficava à margem, precisando sobreviver do que fosse possível. Waldson faz uma associação direta à situação dos imigrantes ilegais nos EUA. Pessoas que chegam em um novo lugar e precisam se tornar invisíveis caso não queiram ser descobertas pelo serviço de imigração. Cujo passado precisa ser apagado para viver uma nova vida e torcer para que este não seja investigado a fundo.
Oceanic é um livro bem acima da média. Waldson conseguiu criar uma história criativa e inteligente. Que prende a atenção do leitor por suas mais de cem páginas e ao mesmo tempo em que usa um cenário fora do comum, consegue ser atual, criando personagens que vão ficar em nossos corações.
O Waldson Souza constrói um mundo que me parece um tanto distópico pós-apocalíptico. Mas não tenho tanta certeza. No entanto, sei que é uma construção interessantíssima. As pessoas não vivem em continentes vivem em cidades-criaturas que se parecem com tartarugas que se movem ao longo do oceano. É surreal.
Oceanïc é uma dessas principais cidades-criaturas que vive sob uma redoma. Ao longo dos capítulos vamos entendendo um pouco de cada personagem e o que aconteceu com eles para estarem envolvidos no plano secreto do governo de Oceanïc. Há menções sobre algumas outras cidades e preciso enaltecer os nomes dela. Eu curti bastante.
Achei no começo que seria um caso de amor com um fundo de ficção científica, mas a história cresce demais. Fiquei envolvido tentando entender o que estava acontecendo e como eles se tornaram aquelas pessoas. Eu não sei se terá uma continuação. Ficarei triste porque o livro deixou perguntas sem respostas. É um mundo tão bem construído que, com certeza, dá para explorar tantas outras camadas. Espero que tenha uma continuação.
Eu pensei que não ia gostar, mas acabei surpreendido. Isso tornou a leitura ainda mais prazerosa. Fica a dica para quem procura ficção científica nacional.
Pelo visto este é o ano em que declaro meu amor pelo formato novela. Li pelo menos três EXCELENTES nos últimos meses (Finna, De volta para casa e esta aqui) que me empolgaram de verdade. Fui lembrando de várias coisas que amo no decorrer da leitura (Matrix, Lost, Cloud Atlas, Jogos Vorazes, Parasita), mas fiquei menos preocupado em anotar do que em me divertir com a leitura. A leitura é fluida e prende a atenção, consegue envolver a gente com uma boa quantidade de personagens em uma história curta e tem pelo menos UM momento em especial que explora ao máximo do formato escolhido, uma surpresa que no audiovisual teria que ser explorada de outra forma (tipo Com amor, Simon). Dito isto, só não dou as 5 estrelas que quase dei por razões semelhantes ao que rolou com Finna: mesmo com todos os méritos, parece o piloto da série, o primeiro episódio e amostra grátis e convite para explorar mais um universo interessantíssimo e que rende bastante coisa, como se Lost acabasse naquele episódio inicial caríssimo e misterioso. Finna já já lança continuação, um romance dessa vez. Espero que isso esteja nos planos do autor. Nada contra um final aberto, só deixa a gente ver mais esse universo? Grato!
"Minhas memórias são feitas de arrependimentos e elas estão me destruindo."
Num futuro em que as pessoas moram em cidades que flutuam no mar, em cima de criaturas gigantes, acompanhamos três personagens cujas vidas se cruzam inesperadamente. Gostei muito do mundo que o autor criou aqui, afrofuturista, cheio de novidades tecnológicas, a começar pelas próprias cidades, mas também repleto de problemas que conhecemos bem, como desigualdade social, subempregos, situações que mostram que a tecnologia não vem para melhorar a vida do trabalhador. Os três personagens são interessantes de acompanhar e nos mostram aspectos diferentes desse mundo. Comecei a ler sem saber muito da história e achei a melhor decisão, foi bom ser pega de surpresa e ir descobrindo as coisas aos poucos. É uma história sobre vários amores e sobre encontrar seu lugar no mundo.
meu deus, como é bom ler um livro com uma construção de universo INCRÍVEL, nunca vou superar. aliás, não só a construção do universo vale a pena nessa leitura, as personagens, a escrita do autor, é totalmente cativante! o final pra mim foi o ponto alto porque é daqueles finais que você quebra a cara (num bom sentido!!!) e te deixa com aquele gostinho de quero mais (e será que vai ter? queria kk)
Primeiramente gostei muito da premissa do livro e do fato de o mesmo colocar personagens LGBT em outros gêneros literários, além do romance. Acho interessando vários protagonistas, mas ao ler observei que os mesmos precisam de um desenvolvimento maior, além disso o final foi um pouco apresado, o que fica a sensação de que o leitor se perdeu de um capitulo para o outro, o que na realidade é final mal elaborado, mas o livro diverte e pode ser lido em uma tarde.
M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!!! Já quero saber se tem continuação, pois esse final deixou um gostinho de quero mais. Esse livro me surpreendeu totalmente!!! Um livro de ficção o qual fiquei encantada, apaixonada!!! E essa grande aventura que é a vida e que mesmo com toda tecnologia a humanidade em nós nunca desaparece. Esse foi um de meus favoritos esse ano. Leitura fácil e fluida. você se sente lendo um diário. Sem mais spoilers...😉😉😉
Eu gostei do livro, gostei bastante da história e do universo criado. É aquele tipo de livro onde você começa sem entender nada e aos poucos — bem aos poucos — tu vai entendendo uma coisa aqui e ali.
"Oceanïc desenrola o seu enredo dividindo-se em partes que permitem ao leitor saber o que cada personagem, individualmente, sabe: isto porque o narrador, ainda que alterne, é sempre em primeira pessoa, e não omnipresente. A cada ponto de vista é mais um “algo” que se sabe, não apenas do enredo, como também das personagens e, em particular, do mundo criado: deste modo, as histórias individuais tornam-se numa maior. (...)"
Rafael é surpreendido quando seu ex-namorado Jonas aparece na lanchonete em que ele trabalha, e tem muitos segredos a esconder. Eles vivem em Oceanïc, uma cidade que viaja pelo mundo nas costas de uma tartaruga.
O conceito do livro Oceanïc é interessante, pois a história começa de maneira relativamente ordinária, só num cenário diferente. Mas depois que todas as peças estão no tabuleiro percebemos que não há nada de ordinário nas vidas de Rafael e Jones. O único problema é que as peças só ficam posicionadas quando estamos em 2/3 do livro. Então o resto se desenvolve apressadamente e fica parecendo uma introdução para algo maior.
Eu acredito que a história do Waldson funcionaria muito bem num formato maior. As três primeiras partes poderiam ficar exatamente iguais, mas seriam apenas o terço inicial da história, que então teria espaço para se desenvolver. Ao mesmo tempo, com a limitação de palavras, não sei como poderia chegar no mesmo lugar sem gastar o espaço que gastou.
Mas eu gostei do livro, os personagens são interessantes e o worldbuilding fascinante. Só fiquei querendo mais.