A maior e mais consagrada obra do grande mestre dos mangás de samurai, Hiroshi Hirata, chega ao Brasil numa coleção de três volumes. Se você já gostou de O Preço da Desonra: Kubidai Hikiukenin, saiba que foi em Satsuma Gishiden que Hirata encontrou seu auge como artista, entregando uma trama épica, com arte arrebatadora. A época dos samurais é repleta de histórias de grandes proezas em batalha e sistemas profundamente arraigados na honra e disciplina, mas, por trás desse rígido código de conduta havia uma sociedade se despedaçando. Com o longo período de paz trazido pelo resultado da Batalha de Sekigahara, em 1600, conflitos nos sistemas de classes e a necessidade de uma nação unida acabaram com os velhos modos de combater dos samurais, que perderam seu propósito de vida de uma hora para outra. Agora, eles diariamente se digladiam com o severo código de honra que norteia suas vidas, enquanto tentam se adequar aos novos tempos. E nenhuma província tinha mais samurais treinados para a guerra do que Satsuma, o que faz dela a região mais temida pelo Xogunato. Lá, o clima de apreensão ganha ares de rebelião quando uma ordem expressa do governo demanda a realização de uma obra quase impossível de ser executada, o que só pode significar que as autoridades buscam a derrocada do clã. O acirramento dos ânimos desses homens levará a desdobramentos que poderão tanto glorificá-los pela eternidade como decretar sua desgraça de uma vez por todas.
Satsuma Gishiden é um clássico gekigá (mangá de temática realista) sobre o começo do fim da era dos samurais. Publicado originalmente no Japão de 1979 a 1982, ele agora é apresentado aos leitores brasileiros em uma coleção fechada de três volumes, com sobrecapa com verniz localizado de alto relevo, papel de alta gramatura, miolo colado e costurado para o melhor manuseio na leitura, e um marcador de páginas diferente em cada edição.
Hiroshi Hirata (平田 弘史 Hirata Hiroshi?, born February 9, 1937, Japan) was a mangaka best known in the United States for the samurai manga series Satsuma Gishiden, which is published in the United States by Dark Horse Comics. Hirata's works belong to the subset of manga known as "gekiga" ("dramatic pictures"), and his artwork has a realistic style comparable to Goseki Kojima's work on Lone Wolf and Cub. He's also known for his use of elaborate calligraphy for dialogue, which has been preserved (though still translated) in the American editions of his work. According to Frederik L. Schodt's Dreamland Japan: Writings on Modern Manga, famed Japanese author and militarist Yukio Mishima admired Hirata's work. Also, Usagi Yojimbo creator Stan Sakai has praised Hirata's artwork.
o mangá é rico, dando uma aula sobre a história do Japão, com uma arte muito bonita.
contudo, sinto que Satsuma Gishiden 1 é apenas a introdução da história que Hiroshi Hirata quer contar; obviamente que sendo o vol 1 o caráter introdutório é esperado, mas ainda assim me incomodou. temos: apresentação de alguns (2!) personagens relevantes para a história, a situação precária em que vivem os habitantes de Satsuma, os conflitos pre-existentes entre os clãs Tokugawa e Shimazu (abordando, um pouco, a Batalha de Sekigahara) e é isso.
acabei sentindo falta de aprofundamento em algumas questões, mas também entendo o caminho que o autor tomou (aparentemente).
Sem dúvida o grande mérito da HQ é desmistificar a vida dos samurais, ao longo do volume somos apresentados a uma visão bem menos romantizada da que estamos acostumados, de um guerreiro com um forte código de conduta, mas também preso a uma hierarquia rígida onde os que estivessem na base mesmo estando acima do cidadão comum ainda assim eram miseráveis. Aqui sendo um volume de preparação, fica claro que estamos sendo apresentados aos dois principais protagonistas, nos é mostrado um retrato da vida desses guerreiros, especificamente os do clã Satsuma e toda uma intrincada contenda política que vai determinar os acontecimentos da trama. Ao final do volume somos apresentados a duas histórias paralelas que guardam alguma relação já que ambas essencialmente falam sobre fidelidade e família, mas a segunda é especialmente macabra.
honestamente? um saco. a arte é formidável e tal, bem realista, sombria e detalhada, porém é o único fator mais positivo. achei as histórias super desconexas, mesmo considerando a proposta de serem "crônicas". os poucos fios condutores são confusos e desinteressantes. como mangá histórico traz várias informações e ambienta bem a época q retrata, isso com certeza é um mérito. mas de resto achei bem esquecível. até tenho o volume 2 em casa, mas nem vou me dar ao trabalho.
Senti que esse primeiro volume é uma grande introdução de algo muito maior. Apresenta bem os personagens mas os trocentos nomes e fatos históricos me deixaram um pouco perdido (oi DDA).
Primeiro, edição estupenda do P&N, como de costume. Volume de fácil manuseio, sobrecapa e capa internas belíssimas, sem qualquer vislumbre de transparência entre as páginas, replicação impressionante das pinceladas fortes do Hirata, um índice ao final bastante esclarecedor sobre termos, personagens e períodos históricos, e por aí vai.
Segundo, quanto à obra em si: apesar de ser uma "introdução" ao problema principal que há de vir, é uma "introdução" exemplar. Os dois primeiros capítulos são extasiantes, em particular, com toda a sequência envolvendo o Hiemontori.
Os pressupostos a respeito dos valores e das práticas daqueles samurais e sobre a Região de Satsuma como um todo são estabelecidos nesse volume. É reforçada a relevância do elemento comunitário e social para a apreciação da obra: mais do que o individual, importa o coletivo, a comunidade, a família. Para além disso: importa a decadência desses valores no contexto retratado e a dureza/intransigência dos samurais.
A forma como o Hirata desenha e a narrativa assumida ajuda a ressaltar o elemento coletivo em detrimento do individual: é difícil distinguir a grande maioria dos personagens. Ora, mas é claro. O que importa é, acima de tudo, compreender o povo de Satsuma e os samurais que ali viviam.
Ao mesmo tempo, o individual também é colocado em relevo, mas somente quando tal proposta é interessante em termos narrativos. O individual é destacado para dar ênfase a (poucos) personagens que, em meio à decadência generalizada, assumem traços contrastantes de rebeldia e fidelidade que revelam pessoas que buscam a base/os princípios dos valores do guerreiro samurai, não segui-los por mera formalidade.
Rebeldia em relação à postura formal de seguir regras e valores impostos apenas por seguir. Simultaneamente, buscar fidelidade às bases, aos princípios dessas mesmas regras e valores. Guiar a ação com base no princípio último que os guia como samurai, não com base na prática reiterada e decadente que era vigente. Que me importa falar sobre a importância da palavra dada e da promessa, se não pretendo honrá-las diante dos mais pobres?
Em resumo, uma obra realmente linda e com muitas camadas de complexidade sobre um povo e um grupo de pessoas em dado tempo, mas que é capaz de se comunicar conosco, no tempo presente.
Reli e continua incrível, principalmente quanto a arte e a técnica de desenho do Hirata. A história também é muito interessante, assim como a narrativa. Estou ansioso em ler os próximos volumes.