A obra de Frantz Fanon, psiquiatra e militante anticolonial marcou diversas gerações de ativistas de direitos civis e especialistas em estudos pós-coloniais. Conhecido pelos clássicos Pele negra, máscaras brancas (1952) e Os condenados da terra (1961), o autor deixou também uma significativa e menos conhecida obra ligada a sua experiência como psiquiatra. Os textos deste volume, inéditos em português e inacessíveis até pouco tempo em todo o mundo, tratam da relação entre alienação colonial e doenças mentais.
Esta coletânea de textos propõe uma leitura política do hospital psiquiátrico, associando racismo e psiquiatria colonial: "Uma criança negra, normal, tendo crescido no seio de uma família normal, ficará anormal ao menor contato com o mundo branco", escreve Fanon.
Com uma introdução do pesquisador Jean Khalfa e apresentação do professor de filosofia da UFRRJ Renato Noguera, o livro reúne mais de 20 escritos de Fanon, entre artigos científicos, sua tese em psiquiatria, um curso e textos inéditos publicados no jornal interno do hospital de Blida-Joinville onde ele trabalhou entre 1953 e 1956.
Em um momento no qual revoluções se faziam sentir nos campos da política, das artes, da clínica e da filosofia, André Breton nos lembrava como havia convulsões que tinham a força de fazer desabar nossas categorias e limites, de produzir junções que indicavam novos mundos a habitar: “A beleza convulsiva será erótico-velada, explosante-fixa, mágico-circunstancial ou não existirá”. Tal lembrança nunca perderá sua atualidade.
A coleção Explosante reúne livros que procuram as convulsões criadoras. Ela trafegará em vários campos de saber e experiência, trazendo autores conhecidos e novos, nacionais e estrangeiros, sempre com o horizonte de que Explosante é o verdadeiro nome do nosso tempo de agora.
Frantz Fanon was a psychiatrist, philosopher, revolutionary, and author from Martinique. He was influential in the field of post-colonial studies and was perhaps the pre-eminent thinker of the 20th century on the issue of decolonization and the psychopathology of colonization. His works have inspired anti-colonial liberation movements for more than four decades.
DNF’ing because it was a little too challenging for me atm. Making it a personal goal to come back to this later when I feel like I will have a better understanding of what he’s writing about.
Trabalho editorial excelente, com uma importante apresentação sobre a formação intelectual e os trabalhos filosóficos e políticos do autor precocemente falecido. Além disso, as notas pontuais esclarecem o leitor brasileiro. O volume é composto por quatro partes, com textos escritos entre 1951 e 1961, com as contribuições de Fanon para a reforma psiquiátrica (que estava em curso na França desde a lei de 1938 que incentivava a instituição de Hospitais-dia). Quando assumiu em 1953 a direção do maior Hospital Psiquiátrico de Argélia, Fanon atuou segundo os princípios da terapia institucional da qual participara como médico-residente em Saint-Alban. A quarta parte do volume contém a Tese de Psiquiatria (Tese de Exercício, 1951) de Fanon. Vale lembrar que “Peles negras, máscaras brancas” era a Tese de Fanon, mas, ao ser impedido apresentá-la, escreveu essa outra sobre um caso de doença de Friedreich, a partir do qual ele apresenta um ensaio sobre a relação entre organogênese, psicogênese e sociogênese em Psicopatologia. O diálogo com H. Ey e Lacan é fundamental. Eu destaco dois momentos: “Pessoalmente, se tivéssemos que definir a posição de Lacan, diríamos que consiste numa defesa obstinada dos direitos nobiliárquicos da loucura”. Ele ainda faz uma fina análise da tese de Lacan e do escrito de 1946, “Acerca da causalidade Psíquica”: “Lacan extrapola o conceito de imago, assumindo o fenômeno projecional, que Lévy-Bruhl apresentou como indicador de uma mentalidade primitiva, como a pedra angular de seu sistema”. Para concluir a tese, ele escreve: "Os delírios sistematizados, as manifestações histéricas e os comportamentos neuróticos devem ser considerados condutas reacionais de um ego em ruptura de relações intersociais”. Fanon faz uma contribuição ainda atual para a Psicopatologia.
This great new collection offers many of psychiatric writings, which is really where he is at his best. Now he does discuss some very outdated and barbaric practices, like shock-therapy, but the modern reader will be able to identify that as belonging in the past. Otherwise, many of his writings at Blida-Joinville and the Tunisian day clinic offer a rich new perspective on Fanon’s life and thought. Readers interested in Black Skin, White Masks will find his 1951 dissertation to be particularly interesting, for it was used instead of BSWM for the completion of his doctorate. Overall, this is necessary reading for anyone interested in Fanon, and this book is at its best with (most of) the sections on Fanon’s psychiatric work.
This is a fantastic collection of Fanon's psychiatric and political writings (but not all, there are still a few other books of his collected writing that I'm working through at the library right now). You get to see how he grows in the context of what he's seeing and witnessing in Algeria and how he decides to try to get that through to those in power. Also fascinating to see the smaller things (like a bibliography of his library).
"The French find themselves in Algeria faced with one of those groundswells of opposition that arises in the life of a people only once or twice and whose irrepressible action leads to the emergence of factors propitious to giving history renewed momentum and rhythm."