"O livro tem a intenção de discutir o militar, nem como um Deus todo-poderoso nem como um bicho-papão assustador. A idéia é a de apresentar os militares como homens comuns que têm história, problemas como todo mundo, que se dividem em grupos conforme diferentes idéias que fazem das coisas, que acertam e erram."
O livro atinge o seu objetivo: demonstrar o pensamento político militar brasileiro.
Foram os militares que romperam com o Império e fundaram a República Brasileira em 1889 com um golpe de Estado. Foram influenciados por ideias Positivistas mas houve a mudança desse pensamento para uma cultura voltada às armas. (não por completo)
O livro aponta a influência militar direta e indireta no desenvolvimento nacional e nos golpes políticos do séc. XX. A Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra, a Guerra Fria e o desenvolvimento do país pautado pelo interesse maior do exército: A Segurança Nacional.
A linha de pensamento prioritária da defesa de um Estado forte e uma mão pesada na economia. Todavia, o autor destaca as discussões internas dos próprios militares acerca de correntes contrárias: uma a favor de um extremo nacionalismo; outra com olhares mais pragmáticos em relação a apoio comercial externo.
O livro desfaz o pensamento de que os militares brasileiros não possuíam autonomia diante dos EUA como a esquerda faz parecer atualmente (pelo menos foi assim que eu aprendi no ensino médio). Alguns militares chegaram até a vender de maneira clandestina urânio para o Iraque do Saddam na década de 80.
O que fica do livro são dúvidas acerca do futuro mas com uma previsão de resposta.
Quando os critérios de Desenvolvimento Nacional não forem preenchidos pela sociedade civil os militares vão tomar o poder novamente? Provavelmente sim. 1889, 1910, 1930, 1937, 1964, ...4 vezes no século passado.
Nos primeiros 20 anos do século XXI não houve nenhuma interferência institucional do exército nos outros poderes.