4.5/5 (ainda em dúvida sobre listar como 5 estrelas ou 4, já passou da hora do Skoob e do Goodreads liberarem nota quebrada.)
Não é o primeiro livro que leio da Lola Salgado (li O Advogado no Wattpad, não gostei muito, se não me engano tem cliff, mas não li a sequência; Tentador, que ela escreveu em parceria com a Ruby Lace, e eu amei esse livro!) e, apesar de eu nunca começar um livro com expectativas altas, quando eu parti pra leitura e automaticamente curti e me envolvi com os personagens, é meio impossível não esperar muito do fechamento. Eu estava amando! Tipo, muito! Na minha cabeça, já era só amor, cinco estrelas, favorito e vou amar a Lola para sempre e... E aí que lá pelos 80% do livro, a história me perdeu. :(
É um NA de raiz (apesar de a mocinha ter 17 anos), ou seja, temos a universidade como plano de fundo, se passa no Brasil (YAY! - aquela autora que fica animada com NA que se passa no BR, mas que até hoje só publicou NA que se passa nos EUA! lol) e é romance entre a aluna e um professor. E ele tem essa barba do moço da capa.
Pra quem leu "Senhorita Aurora", da Babi A. Sette, esse livro tá ali na mesma vibe, as problemáticas dos personagens são diferentes, mas os dois enredos gerais são bem similares.
Eu amei demais o amigo/colega de quarto gay da Rebecca, o Arthur, achei a energia deles (e da Nataly) muito contagiante, apesar de também ter seus problemas. Nisso, um ponto me incomodou. ELE usa uma frase em que menciona "'opção' sexual", estando a palavra 'opção' em itálico. Com isso, eu entendi que foi proposital, pra pegar mesmo, mas sei lá, achei que ficou meio jogado, que apesar de na continuação da cena a Rebecca abordar isso de um jeito diferente, foi esse conceito de que isso é uma escolha que ficou.
Sexualidade não é uma opção. A gente nasce do jeito que nasce e pronto. É biológico. É normal. E é amor.
Tirando isso, o personagem é ótimo, caricato, mas já vi personagens piores e, sinceramente, a gente sempre tem um amigo gay como o Arthur.
Da mocinha, eu gostei dela. Sorry not sorry. Ela tem uma mania irritante de se punir mordendo a boca, porque, sim, aquilo é uma punição. E ela é nerd total e faz umas ligações a livros e séries e filmes do mundo geek e no começo foi muito legal. Depois, começou a se tornar um pouco repetitivo.
Eu super entendo quando me contam que cansam da mocinha. Na maior parte das vezes, o livro é todo (ou, como é o caso desse, quase todo) narrado por ela, são os pensamentos dela que gritam o tempo todo, as ações dela que estão em evidência pelos pensamentos. Mas eu normalmente me identifico muito com essas mocinhas e com o que elas pensam, sorry not sorry, e não consigo ficar com raiva delas. Não sempre.
O mocinho tem aquele jeitão meio bruto, mas que tem um motivo e a ligação do passado e tals e a gente vê e sente a transformação dele. É gradual. E ele se torna um amor.
Nem preciso dizer que me apaixonei, né? Quero o Chewie pra mim!
Achei a ligação dos personagens linda. Delicada. E de todos, não apenas do casal (leria mais, nesse livro, sobre o Arthur e Pedro e até sobre a Nataly, que não ganhou muito destaque).
E aí chegamos ao final.
Eu sabia o que a Lola ia fazer. E eu concordo com as escolhas que o personagem fez. Ele precisava daquilo. Seria pior se ele tivesse feito o contrário.
Acontece que eu não gostei da maneira como a autora colocou isso. Acho real? Acho real. Acho que a mocinha deveria ter tido um cadinho de amor próprio naquele final e ter dito não? Sim, claro, óbvio! Foi sofrido, foi desgastante pros dois e não sei se, no mundo real, no final de tudo teria terminado do jeito que terminou.
Além disso, o tempo passou e passou e passou e passou e passou de novo e... não rolou.
Ah, também achei o desfecho da mocinha jogado. Quero dizer, ela tinha uma inclinação pra duas áreas, temos ilustrações lindíssimas no miolo (inclusive, preciso lembrar de entrar pelo app do Kindle no PC pra ver se elas são coloridas, que devem ser ainda mais maravilhosas!), temos ali o amor pelos livros, mas entre ler e o que acontece no final há um passo beeeeeem grande.
Não teve nada no meio do caminho que indicasse que ela poderia vir a descobrir aquilo mais tarde.
É um romance muito bonito, bem escrito, tem ritmo, a construção foi bem feita, a autora e os personagens realmente conseguiram me levar, mas realmente alguma coisa ali na condução pro desfecho não ornou. :(