Jump to ratings and reviews
Rate this book

Certas Coisas Que Não Sei Explicar ...e outras histórias incríveis deste Portugal contemporâneo

Rate this book
Do nosso humorista mais corrosivo e implacável, eis um retrato panorâmico de Portugal numa coleção imperdível de crónicas.

«(...) poucas palavras descrevem tão bem o João Quadros como "um gajo que chateia" (...)
O João só bate em quem tem corpo para apanhar. Um dos males do nosso tempo é o regresso da infeliz mania de só dar porrada nos mais fracos. O João faz o contrário. E se ocasionalmente dá a sua traulitada no bom povo português, é com o carinho irritado de quem vê um puto a fazer asneiras, tipo conduzir em coma alcoólico ou andar a fazer equilibrismo num parapeito. Há um desassombro e uma lucidez no seu humor que por vezes doem.»
RUI ZINK, in Prefácio

352 pages, Paperback

First published January 1, 2020

5 people are currently reading
49 people want to read

About the author

João Quadros

10 books4 followers

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
24 (32%)
4 stars
35 (47%)
3 stars
14 (18%)
2 stars
1 (1%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Ana Paulino.
83 reviews11 followers
December 31, 2020

O João Quadros não é um sociólogo, na medida em que não pretende teorizar política, económica, social nem psicologicamente sobre os problemas que apresenta. Como quem vai às compras, ou precisa de contratar um carpinteiro, Quadros, lista aquilo que, na faculdade, me ensinaram a chamar de “problemas sociais contemporâneos”, ou seja, problemas que dominam a sociedade que existe nos dias de hoje, fruto da evolução dos tempos.


Sempre no backstage, João Quadros assinou os guiões de uma grande parte dos programas humorísticos do nosso país, tais como “Os Contemporâneos” “Contra-Informação”, “O Último a Sair” ou “Herman Enciclopédia”. É ainda, o autor do lendário sketch “Eu é que sou o Presidente da Junta” de Herman José e do nome da mítica personagem de António Feio, Jonhy Bigodes.


É difícil, pelo menos para mim que adorei este livro, formular uma opinião sobre ele depois de ter lido o prefácio de Rui Zink que, julgo, não deixar muito mais por dizer a favor do que podem encontrar nestas páginas. Este livro reúne crónicas publicadas em diversos formatos, incluindo as rubricas de rádio “Mata-Bicho” e “Tubo de Ensaio”, com Bruno Nogueira e, como tal, vamos encontrar temas antigos, como o Juíz Neto de Moura, a Madonna a tentar entrar com cavalos em palácios ou mesmo a eleição de Trump como presidente dos Estados Unidos da América. Vamos vê-lo brincar com coisas fúteis como o jantar da Web Summit no Panteão Nacional, mas também como coisas muito sérias, como os incêndios de Pedrógão Grande e o “jornalismo” sensacionalista à sua volta. Obviamente que, para quem acompanhou os directos do Bruno Nogueira durante a quarentena, nomeadamente o último, sim… vamos ouvir falar sobre a Irmã Lúcia e os outros dois pastorinhos que, no meio desta salganhada de temas, quase confundimos com Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho. Há de tudo para todos os gostos, ninguém escapa ao humor acutilante do Quadros, aliás, não é bem “ninguém”, porque, como afirma Rui Zink: “O João cumpre à perfeição a única ética do humor (…) que consiste em apontar a mira sempre para cima ou em frente, nunca para quem está em baixo. (…) O João só bate em quem tem corpo para apanhar.”


O trabalho de um humorista é estar a par de tudo o que se passa em todo o lado, desde o Financial Times à CMTV (os humoristas serão os cidadãos mais activos e mais bem informados da nossa sociedade?) e este livro que, na realidade é uma pequena amostra do trabalho deste autor, revela isso mesmo, o seu empenho em dar conta de tudo o que de injusto e, até patético, se passa à nossa volta, enquanto andamos todos demasiado ocupados para o perceber. E não, não o faz de forma sóbria. Aliás, se há coisa que o João Quadros não é, é uma pessoa sóbria, mas antes aquela personagem que facilmente passa, como diz o ditado popular: “de besta a bestial” para depressa tornar a passar “de bestial a besta”. O Quadros é, como encontramos no prefácio, “um gajo que chateia” e este livro mostra-nos que, sempre que acontece qualquer coisinha, por mais insignificante que seja, como por exemplo: alguém faz desaparecer umas “armazinhas” de um paiol em Tancos: lá está o Quadros a implicar e, durante uma semana ou mais…, já sabemos que o Quadros não se vai calar com isso – mesmo quando todos os meios de comunicação já “esqueceram” o assunto. Além de chato, é um gajo arrogante e mal educado que diz coisas impensáveis como: “Faz-me muita comichão no fígado que um Governo que, por exemplo, é contra a morte assistida de pessoas que desejam morrer, seja a favor da morte por falta de assistência a pessoas que desejam ficar vivas. Irrita um bocadito pensar que a uma pessoa que esteja a morrer de hepatite C e que precisa de um medicamento para lhe salvar a vida, como o País não tem dinheiro para a salvar, resta-lhe a esperança final de que lhe saia um Audi de borla num concurso promovido pelo Estado.”

João Quadros é insolente porque diz coisas que muitos não querem ouvir e outros não querem pensar.


Sendo um livro de crónicas, podemos encontrar uma linguagem e um tom extremamente coloquial que, de uma forma reconfortante, nos dá a sensação de que estamos a ouvir o autor a contar-nos as suas histórias. O que me parece, ao ler, é que João Quadros deixa jorrar toda uma torrente de pensamentos para o papel e se deixa ir atrás da corrente que cria – julgo que as pessoas que se podem dar ao luxo de fazer este tipo de trabalho e terminar com um resultado como este aglomerado de crónicas, têm de ser, de facto, pessoas com muito talento mas também, com muita dedicação à sua profissão. No entanto, e porque Quadros se centra no conteúdo e não na forma, o texto apresenta erros de construção frásica e de troca ou omissão de letras e/ou palavras, por isso mesmo, julgo ter sido necessário um maior trabalho de revisão de texto cujo descuidado joga contra o próprio trabalho do autor.


Em suma, é um livro que aconselho vivamente a quem gosta de humor, especialmente do género acutilante e sem reservas de qualquer tipo. No entanto, não sugiro uma leitura seguida, mas sim abrir o livro ao acaso e ler a crónica que se vos apresentar, saltando, inclusive, entre os diversos temas em que o livro se organiza. Por tudo o que mencionei acima, este é um livro que pede algum respiro para poder ser apreciado em toda a sua pujança.


Este livro foi lido no âmbito do #desafiosillyseason e gentilmente oferecido pela LeYa/Oficina do Livro
Profile Image for Bárbara Reis.
223 reviews24 followers
November 28, 2020
Um prefácio brilhante de Rui Zink, com uma descrição exímia do autor e uma introdução com menos de 50 linhas, foi tudo o que bastou para perceber que ia adorar este livro. O facto de ser escrito pelo Bukowski português também ajudou um bocado. Cáustico e igual a si próprio, o João Quadros é para mim um dos melhores escritores do humor de sempre em Portugal, pelo simples motivo de não se preocupar com o que ninguém vai pensar, dá a sua opinião e ponto final, é assim que devia ser o humor. Isto é tudo o que eu tenho para dizer que valha a pena sobre este livro, daqui para a frente aviso já que é só para encher. É um livro de crónicas que aborda um pouco de tudo, desde da ignorância da Isabel Jonet, passando por um possível casamento entre a Margarida Rebelo Pinto e o José Rodrigues dos Santos e só parando em rissóis de pipi. Retrata a sociedade portuguesa na sua realidade mais crua, não há eufemismos, é brilhante por ser real. Mas não vou bater mais no ceguinho que esta palha toda já chateia, pareço o Carrilho na minha homónima. Só referir que a cereja no topo do bolo é acabar com uma crónica sobre o José Mário Branco, desculpem este spoiler, mas foi um último toque de classe que me fez acabar o livro com um sorriso na cara.
Profile Image for Analuabc.
263 reviews
October 5, 2020
Um dos melhores escritores e humoristas nacionais. Aqui reunidas algumas das melhores crónicas e pensamentos. Vale mesmo a pena, obrigatório de facto. Quadros é incontornável.
Displaying 1 - 6 of 6 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.