É frustrante o tanto que eu gostei desse livro. Frustrante porque a proposta e os artigos que o abrem me deixaram eufórica e repetindo para mim mesma "sim, sim, é isso"; como alguém que nasceu, cresceu e vive no Nordeste, me identifiquei com as discussões levantadas pelos autores, e como uma pessoa branca nesse contexto, também encontrei espaço para ampliar outras reflexões sobre as cores das peles que habitam nossos estados. Nesse aspecto, o livro foi muito rico, mas a frustração chega através de um outro ponto positivo, que é: eu adorei os contos, em especial o de G. G. Diniz, que conseguiu ambientar um universo inteiro e fascinante em poucas páginas. Mas o conto de G. G. Diniz tem um final muito abrupto que me deixou quase triste pela falta de continuidade. Eu sou alguém que entende tranquilamente que alguns contos foram feitos para serem apenas contos, mas não é o caso desse, que é, em forma e estrutura, basicamente a parte inicial de uma noveleta, sem um desfecho real. Também achei que o livro poderia ter buscado mais alguns autores nordestinos de ficção científica, para ampliar esse escopo que, além de grande, certamente é crescente, e assim apresentar ao leitor mais do que um par de contos, mostrando as diversas variações que o gênero permite.
Meu comentário, portanto, é igualmente crítica e elogio: o motivo pelo qual eu não gostei tanto foi por ter gostado tanto. Paradoxo? Talvez. Mas é o sentimento que fica.