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A Revolução Alemã

O início do século XX presenciou vaga aparentemente incontrastável de mudanças sociais. De 1918 a 1923, na esteira dessa tendência, conflitos internos na Alemanhã recém-egressa da Primeira Guerra Mundial pareciam anunciar o advento do primeiro regime socialista entre países do Ociden te industrializado. As forças conservadoras, entretanto, saíram-se vitoriosas. Por quê?

184 pages, Kindle Edition

First published January 1, 2005

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Isabel Loureiro

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July 27, 2026
De todos os livros que li sobre a Revolução Alemã, esse é o pior, de longe.

Pode-se dizer que há muitos pequenos detalhes que mostram a debilidade da obra. Loureiro quase sempre faz sugestões incompatíveis com o momento histórico, quase sempre optando pela conciliação de classes ou de grupos socialistas incompatíveis e nunca sugerindo unidade de ação da classe independente da burguesia, ou uma resolução de lideranças revolucionárias na ação ou preparação adequada nos momentos de espera quando tal ato era necessário. Ela apenas lamenta a “falta de iniciativa” da social-democracia, sem perceber, embora bastante contraditório com o próprio estudo que ela faz, que a social-democracia não poderia exercer um papel reformador, o seu papel era conservador do domínio burguês e até reacionário em alguns momentos contra a revolução dos trabalhadores, e por isso, ela criou, mesmo que involuntariamente, as condições para o germe do fascismo alemão (como a anuência na criação dos corpos francos e sua liderança por um social-democrata, Noske, responsável pela morte de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht). Para quem lê seu livro de maneira rápida e sem grande reflexão, suas sugestões parecem sempre muito adequadas visto o quadro superficial que ela pinta e que sua sugestão mais comum, a “unidade” abstrata entre grupos socialistas, a conciliação de formas políticas antagônicas e inconciliáveis (como os conselhos operários e o parlamento burguês) sempre aparecerá, ao senso comum, como algo razoável. Para o leitor mais experiente, seja na história do episódio específico da Revolução Alemã seja nos debates políticos mais amplos do socialismo, o estranhamento com suas posições ao longo da leitura de sua obra será frequente.

Eu escrevi uma crítica completa de todos os principais pontos em que discordo e uso referências de outros livros para contrapor seus argumentos. Quem tiver interesse, pode me pedir no privado (infelizmente não cabe nesse espaço).

Infelizmente, as melhores obras sobre a revolução alemã ainda não foram publicadas em português: “Révolution en Allemagne”, de Pierre Broué (do qual ela tira vários trechos e só às vezes cita). A edição original é em francês e existe uma edição em inglês.
Outra obra, mais curta mas boa, em inglês, é “The Lost Revolution”, de Chris Harman.
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