Este livro foi publicado pela primeira vez em 1972 e, segundo o autor, foi escrito em 1970.
Trata-se de uma espécie de fábula satírica, muito louca, que conta a história de um imperador que ficou tanto tempo no poder que se transformou em dinossauro.
Naturalmente, esta fábula irónica pretendia retratar a vida de Salazar e a ditadura do Estado Novo.
O Reino do Mexilhão é então governado por um homem que veio do nada, filho de camponeses, que desde o berço estava marcado para comandar. Foi para a Cidade dos Doutores e aí foi considerado génio e chamado para Imperador.
Neste reino em que o povo é o mexilhão (quem se lixa...), o Grande Imperador tudo comandava e criou as condições para o seu governo. Lá havia o Conselho dos Excelentíssimos, a Comarca dos Doutores (dê-erres), a Câmara de Torturar Palavras e até um Juiz das Causas Combinadas.
Não falta um relato rocambolesco dos últimos anos deste imperador que achava que ainda governava o reino quando já não estava no seu perfeito juízo.
Terá este pequeno livro passado na censura por engano? Talvez tenha sido desatenção dos censores ou um sinal da decadência do regime. Não se livrou no entanto de fortes críticas negativas que tentaram menorizar o êxito da publicação.
Esta edição, muito velhinha e bastante manueada que requisitei na biblioteca, é de Março de 1974 e tem ilustrações de João Abel Manta.
Foi uma leitura muito interessante e até divertida, em que fui fazendo paralelismos com os factos históricos.
No ano em que se comemoram os 50 anos do 25 de Abril, é importante relembrar a História.