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Dona: um conto freudiano

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O imigrante brasileiro Randolfo, “Randy”, trabalha há anos em um parque temático na Flórida, EUA, onde apresenta uma das atrações principais — um eletrizante show aquático ao lado das “baleias assassinas”. Mas, quando a orca Dona, menina dos seus olhos e estrela do show, o ataca inesperadamente, Randolfo se vê diante da necessidade de uma autoavaliação profunda. Sua família no Brasil está preocupada; a gerência do parque não se interessa em tomar uma atitude; e — aparentemente uma boa notícia — sua paixão antiga, o colega de trabalho Will, parece finalmente disposto a dar ao lance deles uma chance. Em meio a tudo isso, a principal preocupação de Randolfo continua a ser os sinais que Dona pode estar tentando lhe dar. Será a hora para uma mudança genuína na vida do treinador de orcas?

Com uma narrativa visual, arrebatadora e de tirar o fôlego, "Dona", de Bernardo E. Lopes, é uma curiosa história sobre como projetamos nossas próprias expectativas no mundo ao redor — e sobre como amor e herança familiar são forças da natureza difíceis de explicar.

60 pages, Paperback

First published December 3, 2018

3 people want to read

About the author

Bernardo E. Lopes

28 books6 followers
Brazilian writer.

Escritor brasileiro.

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Profile Image for Alexandre Willer.
Author 4 books18 followers
July 30, 2020
De uma profundeza única, serena apenas sobre a superfície onde as ondas agitam, espumam, quebram, surgem os sonhos mais intensos e estranhos, incertos, quase sem sentido para nós que vivemos aqui em cima, nesse mar de gente que não sabe nadar e fica se debatendo n'água buscando algum tipo de tábua, salvação, praia, barco, para sair, sumir, sanar essa dor que, em ondes, quebra nas praias do que somos nós.

Neste pequeno conto de Bernardo somos náufragos nos debatendo em águas estranhas, submergimos arrastados pela força de nossas baleias que não querem nos matar, apenas manter consigo, Jonas de nós mesmos, deixam que cheguemos na superfície apenas para puxar uns segundos de ar para depois nos levar de volta ao reino submerso onde são amas, senhoras, Donas.

Há uma simbologia que ruge do conto onde Randolfo (o que luta com escudos), um imigrante, trabalha como adestrador de uma Orca num aquário onde os animais (todos eles) são forçados a se apresentarem para deleite dos pagantes e onde Randolfo tem de se apresentar contra seu desejo não convertido e consumado.

Impressiona como em poucas páginas uma carga tão forte de significados pode ser contida, impressa, expressa, imaginada. O imigrante que luta não apenas contra sua sexualidade e amor não concretizado (correspondido? Talvez) e que pode ter sido a causa de seu êxodo, como se fugir para outras terras fosse capaz de calar tal desejo e mergulhá-lo n'água pudesse afogá-lo. O imigrante que apesar de trabalhar legalmente sempre é visto como latino, intruso, alienígena, estranho e precisa estar contido assim como os animais do aquário porque somente assim pode ser tratado e observado. A escravidão que une homem e animal sob o mesmo teto, quem é o adestrado e quem é o adestrador quando ambos comungam das mesmas penas, dos mesmos medos, do mesmo cárcere? Ambos ali aguardando famintos pelo alimento que vai ser relegado em caridade pelo feitor, cativo, dono, mestre, Dono.

Randolfo é a Orca, a Orca é Randolfo, se engolem, e vivem um nas entranhas do outro esperando o tempo de serem regurgitados mas a Orca é irracional, Randolfo é racional, Randorca a criatura é ambos e sucumbe ante o peso do cetáceo desejo que não quer mais ser mantido nas profundezas. É uma luta ingrata essa que lutamos com nossas baleias, essas que deixamos vir a tona esguichar e depois empurramos de volta para os mais recônditos profundos de nós mesmos. Animais cativos não são mansos por natureza, o são por falta de escolha mas no fundo, guardam seu instinto mais selvagem para o momento certo, são mais racionais que nós nesse sentido.

A luta de Randorca é inútil porque no mar do desejo humano o cetáceo sempre vencerá, por bem ou por mal. Quando vence por bem somos seus companheiros de vitória, quando vence por mal ruímos sob o peso de suas barbatanas e corpo imenso e molhado. Molhado. Sim. Molhado porque o cetáceo desejo é assim, nós o deixamos seco de tanto negar sua existência.

A vida é um mar de cetáceos, baleias que vão nos engolindo aos poucos. Não dóceis, achamos que as domesticamos mas são elas que nos domaram desde sempre e nossa falha em compreender essa simbiose homem cetáceo é nossa falha mais cruel pois implica uma escolha que, feito o peso de uma baleia, recairá sobre nós quando menos esperamos.

No aquário em que Bernardo nos joga, olhamos para as baleias e elas olham para nós e olhamos juntos para a platéia que, apática, sabe muito bem de quem é o show que vieram assistir.
1 review
July 20, 2020
Adorei. Foi o primeiro livro que Li... E vou ler os outros.. adoro ler seus livros.
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