Uma cidade com milícia, racismo, fake news, delação premiada, conservadorismo, fanatismo religioso e ruas sujas. Parece 2020, mas esse é o Rio de Janeiro de 1732, ano no qual está ambientado o romance histórico "Nada digo de ti, que em ti não veja", terceiro de Eliana Alves Cruz e o primeiro da autora premiada pela Pallas Editora. A narrativa é eletrizante. Entre as temáticas, salta aos olhos a transexualidade, raras vezes presente em uma trama de época, e as fake news tão em voga, através de cartas anônimas que ameaçam revelar alguns dos segredos mais bem guardados dos integrantes das duas famílias ricas que se cruzam nas 200 páginas do título. "Nada digo de ti, que em ti não veja" é também, como adiantou Elisa Lucinda na apresentação, a história de um amor impossível, forte e verdadeiro.
Jornalista por formação, Eliana Alves S. Cruz nasceu no Rio de Janeiro, onde atua como chefe do Departamento de Imprensa da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos, sendo também vice-presidente do Comitê de Mídia da Federação Internacional de Natação – FINA. Nesse campo de trabalho, visitou dezenas de países e participou de três Olimpíadas, vinte Campeonatos Mundiais e inúmeros eventos nacionais ligados ao esporte aquático, sendo também responsável pelo site www.blacksportclub.com.br, voltado para o resgate da presença negra no esporte.
Como escritora, vem se destacando na ficção, inicialmente com o romance Água de barrela, fruto de cinco anos de pesquisa sobre a história de sua família desde os tempos da escravidão. Em 2015, o livro foi contemplado em primeiro lugar no Prêmio Oliveira Silveira, concurso promovido pela Fundação Cultural Palmares, que o publicou no ano seguinte. E uma nova edição já se encontra disponível pela Malê Editora. Para a antropóloga Ana Maria da Costa Souza,
A profundidade dos personagens e a verossimilhança das situações por eles vividas são os pontos chave deste romance baseado em 3 séculos de história real de uma família negra no Brasil. Não há como não ser tocado por emoções intensas diante de muitos momentos do texto. A força da narrativa reside, precisamente, na riqueza de detalhes que conferem densidade e vigor à história.
Em 2016, integrou a edição 39 da série Cadernos Negros, com poemas de sua autoria. E, no ano seguinte, contribuiu com dois contos para a 40ª edição dos Cadernos, entre eles a narrativa de ficção científica intitulada “Oitenta e oito”. Neste mesmo ano, participou também da premiada antologia Novos poetas.
Empenhada no resgate da memória social e cultural afro-brasileira, seu mais novo romance – O crime do cais do Valongo – figura como romance histórico e policial, com uma instigante narrativa que se inicia em Moçambique e chega até o Rio de Janeiro.
A influência que a autora teve para escrever sobre o Valongo, foi a descoberta dos objetos encontrados em escavações recentes. Entre o período de 1811 a 1831 muitos escravos chegaram ao Brasil por esse cais, todos os artefatos despertaram a criatividade da autora, possibilitando assim o começo da escrita do seu livro, que é feito de inúmeras memorias dos ancestrais que foram escravizados e mortos no cais, - diz autora em entrevista a Médium Books(https://medium.com/blooks/entrevista-...-).
A mensagem que a autora deixa para os seus leitores em entrevista a Médium Books é “Brasil, se olhe no espelho, enxergue quem você realmente é se ame. A história e o conhecimento do povo negro são tesouros riquíssimos que precisam ser descobertos e aproveitados por toda a nação”. Assim é possível observar o resgate da memória e a preservação da identidade cultural negra almejado pela escritora.
Eliana Alves Cruz é também autora do blog www.flordacor.blogspot.com com textos voltados para a apreciação do trabalho de mulheres negras brasileiras em diversos campos de atuação.
Iniciei este livro por ter ouvido elogios à autora, por não andar nas bocas do mundo, por querer ler mais autores negros e por tê-lo disponível em audiobook, mas não por saber do que tratava, portanto, foi uma surpresa perceber que se passa no Brasil do século XVIII, em plena atividade da Inquisição e no auge da febre do ouro na zona de Minas Gerais. A vida das famílias Muniz e Gama, cristãos-novos que prosperam como comerciantes, sofre um sobressalto com a chegada do Frei Alexandre, representante do Tribunal do Santo Ofício, ao Rio de Janeiro, que é descrito assim:
Olhava espantado e tapava o nariz, pois São Sebastião do Rio de Janeiro podia ser considerada a cidade mais suja que jamais vira. Os dejetos atirados às ruas e nas praias traziam de volta a imundície de um lugar que superlotou sem qualquer ordem. Alguns sobrados pomposos sobressaíam entre muitas casas feias, porcos e outros animais domésticos comiam o lixo a se amontoar por todos os cantos das ruas. “Um cenário caótico” – pensou – “em meio a um paraíso pintado por Deus”.
Louvo “Nada digo de ti, que em ti não veja” pela exaustiva reconstituição histórica do período, pela excelente representação LGBT e por dar voz aos escravizados, mostrando o lado negro (no sentido conotativo e denotativo) da mineração do ouro, mas não me conquistou verdadeiramente. Eliana Alves Cruz tem aqui um livro que facilmente poderia ser adaptado a série, pois tem um enredo bem urdido, com muita acção, reviravoltas e muitas situações in extremis em que as personagens são, diria eu, salvas pelo gongo, com impasses que dariam bons finais de episódio, além de um amor proibido...
O amor que o atormentava não era apenas pecado. Era considerado repugnante e ofensivo em grau tão elevado que era punido com os mesmos rigores dos crimes de lesa-majestade, ou seja, com as galés, o degredo ou a morte.
...e muito deboche até mesmo com figuras do clero. O estilo de Eliana Alves Cruz é acessível e expressivo, mas por vezes desliza para a pieguice.
Subitamente, seus olhares se cruzaram. Brotaram lágrimas nele e nela que só eles conseguiam ver. Lágrimas internas.
Pra não falar que não tenho nenhuma crítica, só acho que a autora não precisava ter usado dois dos dead names de Vitória na narrativa. Tinha alternativas fáceis de contornar essa exposição e manter o intuito das passagens em que eles apareceram.
Fora isso, só de pensar na imensidão de Vitória meu coração já dispara.
Se passa no Rio de Janeiro de 1732 e mostra como já lidávamos com vários dos problemas que continuam a nos atormentar, como milícias, fake news atreladas a delações premiadas, perseguição religiosa, a violência do racismo, LGBTfobia, etc. Um paralelo feito a la Marie Antoinette, da Sofia Coppola, mas com a força da linguagem em vez de All Stars embaixo da cama.
Em "Nada digo de ti que em ti não veja" acompanhamos uma história maior a partir de vários pontos de vista e com isso a autora traça o retrato do Brasil da época. É como uma novela de TV, cheia de fofocas, ressentimentos, casos amorosos e reviravoltas, e digo isso como elogio, pois torna tudo divertido de acompanhar, mas sem se privar de enfiar o dedo em todas as feridas. Senti uma intenção parecida com a dos livros do Nei Lopes: a trama está lá, mas o objetivo maior, me parece, é o resgate histórico, é o resgate da memória do país.
Na parte da personagem trans cabia uns ajustes aqui e ali, mas existe gente mais capacitada para falar do assunto do que eu.
representatividade LGBTIA: personagem trans e pinceladas de gays e bisex. aborda: racismo, perseguição religiosa, febre do ouro, inquisição. quem curtiu talvez curta: Nei Lopes - Nas águas desta baía há muito tempo.
Um livro de apenas 200 páginas mas que nos recria uma época na nossa História, de uma maneira fabulosa! Estamos em 1732, o Brasil era uma colónia do Reino de Portugal, na cidade do Rio de Janeiro, conhecemos Victoria, uma transsexual negra, as famílias Gama e Muniz, 2 famílias judaicas mas que só professam a sua fé dentro de casa, os negros que servem as duas casas como escravos e o padre Alexandre o grande Inquisidor que chega à cidade para punir os "pecadores". Neste livro vemos coisas que se passavam em 1732 mas que continuam muito actuais: a perseguição religiosa, homofobia, a violência do racismo e as fake news, mas é sobretudo um livro cheio de reviravoltas e uma história de um amor impossível e condenado desde o início. ⭐⭐⭐⭐⭐
mais uma memória narrada do que foi negado, obrigada Eliana! ser humano trans no brasil colônia narrado com um narrador(a) pseudo brás cubas, ma-ra-vi-lho-sx!
um livro que garante diversão, imersão, contextos e muitas revoltas internas do que foi o nosso povo um dia (e ainda é).
o bruxismo tido como tudo aquilo não católico; infelizmente, mais uma vergonha da origem de nossa nação. mais uma alavanca para nossa necessidade de descolonizar nosso imaginário.
final lindo, técnicas linguísticas ricas e muita história do brasil com um novo olhar, extrapolando ensino médio meia boca.
vitória melhor personagem.
final? vontade de chorar.
doida pra conhecer mais da autora!
"Por que não te deixas levar simplesmente Sentindo o pulsar essencial dentro de ti?
O que te impede de admirar o colorido da paisagem Da humaninade do teu ser.... Refaz Relensa, Reacalma...
(...)
Sigo, pois ao contrário de ti não tenho pressa Não passo antes nem depois Transcorro agora ... pois sou o Kitembo Tempo... E sou eu, apenas eu, quem narra essa história.
Pois eu passo.... o amor, jamais. E nada disse, digo ou direi de ti, que em ti não veja".
Puta que pariu que livro BOM. VELHO COMO QUE PODE a proza a construção dos personagens AAA GLOBO ADAPTA ESSE LIVRO AGORA EU PRECISO VER A VITÓRIA NAS TELINHAS
representações: protagonistas pretos, protagonista negra trans, personagem bissexual, personagem gay, protagonista judeu.
Comentei isso enquanto lia, mas tive uma experiência meio Efeito Mandela com Nada digo de ti, que em ti não veja, porque tenho uma memória distinta de ter visto literalmente todo mundo falando desse livro quando ele saiu. Vendo nas resenhas de amigos nesse site, sei que não enlouqueci por completo, mas a sensação que tive é que a recepção não foi só gigante e muito positiva, mas também muito premiada. Tinha certeza até anteontem de que esse livro tinha sido finalista ou até ganho o Prêmio Jabuti, e agora que acabei, tô com um sentimento de frustração enorme, pois gostaria muito de viver nesse universo paralelo. Que livro incrível, meu deus, que prosa deliciosa, que personagens! Uma trama tão redondinha, com um senso estético tão refinado, tão vívido. Fiquei visualizando essa história num misto de ilustrações de Debret com — não sei explicar o porquê — o filme A Cor da Romã de Sergei Parajanov. É uma loucura, um disparate, que ainda não exista uma adaptação televisiva nem cinematográfica dessa história, não porque um bom livro verdadeiramente precise se apoiar numa adaptação, mas porque conversa muito bem com nossas tradições audiovisuais, em especial com telenovela.
Não é um livro perfeito: escorrega bem de leve em alguns tropos datados com sua protagonista trans (aqui me refiro à cena de revelação mais do que aos outros nomes de Vitória — pelo tom e conteúdo do final, genuinamente gostei da maneira que foram usados), e senti que também escorrega um pouco na forma que representa o judaísmo, tão importante para o desenrolar da história, mas cujos costumes só são descritos sob o ponto de vista de personagens que os veem como algo negativo, mas tudo é tão gentil e humano que parece um pouco mesquinho comentar a respeito. Ver um arquétipo tão quintessencialmente feminino como uma bruxa em meio à Inquisição ser representado por uma mulher trans, em especial uma personagem tão rica quanto Vitória, é maravilhoso, e a cena final dela com Felipe me deixou muito feliz.
Enfim, lindo, gigante. Se não leu, por favor, leia: não dá para premiar retroativamente, mas ainda tenho fé no boca a boca.
Pra quem, como eu, adora romances ambientados nos primórdios de nosso país, o terceiro livro de Eliana é um prato cheio. Com uma narração que me lembrou a ironia e certa “malandragem” de Brás Cubas, a autora nos leva em uma trama repleta de aventura, trapaças, malícia e amor. Principalmente amor.
Ainda que praticamente todas as personagens tenham 2ªs intenções atrás de suas atitudes, sejam elas boas ou más, as tramoias são feitas sempre em nome do amor. É uma trama sobre amores proibidos em um Brasil colônia do século XVIII.
Muito interessante a forma como a autora descreve o Rio de Janeiro, Paraty e a Estrada Real, locais muito turísticos atualmente e que foram bastante importante pra exploração do ouro por parte de Portugal. Como conheço muito dos locais por ela citado, me vi por várias vezes transportado para 1732.
A protagonista do livro é uma transsexual. Ex-escrava, Vitória sempre se viu como uma mulher, mesmo quando morava na África, onde inclusive, era aceita por seu povo. Vitória é uma personagem inteligente, instigante e que envolve muito o leitor.
“Nada digo de ti, em que ti não veja” é um livro onde a trama poderia muito bem se passar em 2020, mas a escolha da autora em ambientar no Brasil colônia consegue trazer ao romance momentos de aventura que deixam ainda mais interessante e divertido. Recomendo bastante.
Eu daria mais estrelas se tivesse disponíveis. Como eu já aprendi com Beto Mussa, poucos cenários são tão propícios para romances do traições, heresias e amores proibidos do que Rio de Janeiro colônia. Essa obra prima de Eliana Alves segue esse enredo numa trana tão envolvente que só parei no fim.
esse livro é um romance histórico MARAVILHOSO, com fofoca, reviravoltas e representatividade trans, em pleno rio de janeiro de 1732!!!!!! LEIAM EU AMEI
se você está aqui, é porque vamos passar algum tempo juntos, então saiba que sou um confesso bisbilhoteiro, um fofoqueiro dos mais terríveis.
ano passado um bocado de gente que eu sigo e conheço leu esse livro aqui e eu fiquei bem curiosa, mas li mesmo foi solitária da mesma autora e deixei esse reservado na biblion — um conceito que não compreendo ainda é o da reserva em biblioteca digital — e quase peguei pra ler no final do ano, mas não rolou e eu reservei de novo depois de devolver porque ainda tinha interesse. quer dizer, uma capa belíssima e um título que chama atenção? sim, por favor.
e eu fiquei muito feliz em ter insistido, porque de verdade foi uma leitura rápida e prazeirosa, especialmente por causa do tanto de fofoca envolvendo famílias ricas bastante disfuncionais, alto clero num contexto de colonialismo, já que a narrativa se passa em 1732, e trata de temas como identidade de gênero de uma forma muito bonita.
torci muito por zé, quitéria, felipe e vitória, me diverti com a narração, achei brilhante a forma como um romance histórico trouxe muita história, obviamente, mas muita contemporaneidade, com as delações premiadas promovidas pelo frei, o fanatismo religioso de diogo que o leva a extremos, o evidente racismo, já que estamos falando de pessoas escravizadas, o conservadorismo das famílias que protagonizam as fofocas e a forma como no auge do caos, o patriarca reserva a si mesmo não apenas o segredo, mas o egoísmo em abandonar o resto da família a deus dará quando vê o barco afundando.
recomendo muito, é uma leitura realmente rápida porque você quer saber mais e mais sobre tudo que acontece, quem sabe o que e quem delatou quem.
A narrativa escancara o quanto a sociedade atual ainda perpetua pensamentos retrógrados e mina a liberdade das minorias, assim como fazia na era colonial. De fato, como dito por Walter Benjamin, é preciso ler a história a contrapelo. E Eliana Alves Cruz faz isso ao trazer à tona a história pelo olhar de uma mulher trans preta, pelos olhares de homens e mulheres escravizados.
“Pensas que me dominas Pensas que de mim sabes tudo e eu… Apenas digo de ti o que vejo E o que escreveres em tintas de sangue e suor Nas minhas páginas imaculadas e inteiras a cada dia novo”
simplesmente impossível parar de ler. comecei essa tarde e só levantei quando terminei. a história de Vitória, Quitéria, Zé Savalú e seus aliados me tocou profundamente. a escrita é envolvente e a ambientação é fantástica. a narração é simplesmente sensacional e o último capitulo é talvez o texto mais lindo que li em anos. jamais imaginaria que um livro sobre o brasil do século XVIII seria uma das melhores leituras que eu faria em toda a minha vida. não dá pra falar muito sobre a história sem entregar um pouco dela e tirar parte do fascínio que ela causa. é bonito ver a história da resiliência negra, das pessoas trans e o reconhecimento de que, apesar de tantas tentativas de apagamento, nós todos existimos, resistimos e assim seguiremos.
Gostei bastante de tudo. Da escrita, da história, do ritmo, das descrições e do ambiente criado. Lembrou-me muito as sagas familiares de séculos passados no Brasil, e com tudo o que de mau isso traz. E de bom também, com a esperança e a união entre aqueles que sofrem. Bom para refletir e bom para entreter.
“Digo de ti o que em ti eu e toda gente vê, mas num tem corage de te falá! […] Religião e lei, lei e religião… o que era uma coisa é outra neste mundo de então?”
No mês de fevereiro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1744, Frei Alexandre Saldanha Sardinha desembarca no Morro do Castelo, Rio de Janeiro, Brasil. Reinava em Portugal D. João V, O Magnânimo. Portugal vivia do ouro brasileiro e africano escavado por escravos negros retirados à força das suas colónias.
Frei Sardinha vem com três propósitos: a) avaliar o grau de moralidade e submissão aos princípios católicos desta então colónia; b) fiscalizar a lealdade de quem tinha posses e devia impostos avultados a Portugal; c) retirar para si próprio os proveitos do ouro, mascarando este feito debaixo de uma capa de santo do pau oco. Muito embora este frei apareça como um exemplo austero dos princípios cristãos, a verdade é que de oco o seu pau não tinha nada (ai, perdoem a vulgaridade).
No Rio de Janeiro duas famílias abastadas aguardam-no com ansiedade e medo. É que também estas tinham segredos a esconder, mas queriam também cair nas suas boas graças.
Agora a personagem principal: Vitória. Negra nascido negro, com uma aura de sacerdotisa e poderes sobre humanos, sobretudo na bondade. Mas não se iludam. Implacável com a maldade. Astuta, inteligente, vai guiando este conjunto de personagens magistralmente.
Este é um exemplo de como um livro pode abranger tantos temas, recontar a história como ela de facto aconteceu, desvendar hipocrisias e em simultâneo laços de amizade e lealdade de onde menos se espera. E prender-nos do princípio ao fim. Ah! Quem narra esta história? Descubram e digam-me. Uma ajuda: o nosso melhor amigo, mas também o nosso mais poderoso inimigo.
Um romance daqueles que envolvem intrigas, aventuras, trapaças, ganância, injustiças e justiças, na vida de um Brasil ainda colônia do século 18, num Rio de Janeiro devasso e puritano. Uma história que segura o leitor da primeira página à última, deixando aquele desejo quase amargo de vê-la representada ou adaptada, porque é boa demais. Eliana é uma autora de prosa concisa, que compõe uma narrativa histórica com a força do olhar de hoje.
“Pensas que de mim podes escapar. Sorrio de tua incansável mania em dominar-me Com a garra de tua palma, Pois tentas a todo custo retardar minha passagem. Sigo, Pois ao contrário de ti não tenho pressa Não passo antes e nem depois Transcorro agora ... pois sou o Kitembo Tempo... E sou eu, apenas eu Quem narra esta história.”
apesar da edição com erros grotescos, preciso dizer que ESSE É UM DOS MELHORES LIVROS EM LÍNGUA PORTUGUESA JÁ ESCRITOS. Eliana, você é incrível, apenas.
Historical romance/drama centered around a black trans woman in 18th century Rio de Janeiro. The author chose to center the experience of someone on the margins of the margins. Something I’ll definitely re-read as my Portuguese improves. Very poetic with journalistic attention to detail.
Autora de Agua de barrela, eliana alves cruz arrebata de novo! Uma escalada de “tretas” se acumula logo no inicio, de forma a cativar o leitor. Um retrato ficticio mas real do Brasil catolico colonial escravagista e suas infinitas contradicoes hipocrisias e absurdos.