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Urupês e outros contos

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Urupês e outros contos retrata de modo crítico a população do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. Outros contos cômicos, como "Tempos Modernos", também ajudam a compor esta seleção de textos críticos. Além disso, percebe-se na obra de Monteiro Lobato aspectos que o autor julgava negativos, como a submissão ao capitalismo internacional, o atraso educacional e a falta de criticidade das massas eleitorais.

128 pages, Paperback

First published January 1, 1918

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About the author

Monteiro Lobato

466 books120 followers
José Bento Renato Monteiro Lobato (April 18, 1882 - July 4, 1948) was one of Brazil's most influential writers, mostly for his children's books set in the fictional Yellow Woodpecker Ranch but he had been previously a prolific writer of fiction, a translator and an art critic. He also founded one of Brazil's first publishing houses (Companhia Editora Nacional) and was a supporter of nationalism.

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5 stars
62 (23%)
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75 (28%)
3 stars
80 (30%)
2 stars
29 (11%)
1 star
13 (5%)
Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Rita.
910 reviews188 followers
February 15, 2019
Urupês
Origem: Do tupi uru'pê
Botânica: nome vulgar brasileiro que designa um fungo basidiomicete (pequeno cogumelo), que é também conhecido por orelha-de-pau e urupê-vermelho.



Urupês, publicado em 1918, é a obra que dá início à carreira de Monteiro Lobato e reúne uma colectânea de doze contos e dois artigos-conto.
O artigo “Velha praga”, publicado em 1914, no jornal O Estado de São Paulo – Estadão – e que gerou grande polémica era um protesto contra as queimadas no Vale do Paraíba. Monteiro Lobato, naquela época, dedicava-se à fazenda herdada de seu avô e tinha inúmeros problemas, uns causados pela seca e outros pelas constantes queimadas praticadas pelos caboclos. Devido ao impacto e polémica do artigo Monteiro Lobato publicou, no mesmo jornal, outro conto chamado Urupês.
É neste artigo "Velha praga" e principalmente no conto Urupês que surge uma personagem bastante famosa: o Jeca Tatu.
Jeca Tatu representa a miséria e atraso do país. É um caipira miserável, desleixado, com mau aspecto, imundo e que apenas vive da agricultura de subsistência. Não tem educação, cultura e é preguiçoso.
Originalmente esta colectânea de contos era para ter como título “Dez mortes trágicas”, e até faz bastante sentido, porque quase todos os contos ou contêm ou terminam em tragédia – e não são tragédias pequenas, algumas são devastadoras. Há assassinatos, suicídios, traições e até necrofilia.
Urupês é um marco na história da literatura brasileira. Os contos têm uma temática regionalista, abordam problemas das cidades do interior – sempre chamadas de Itaoca, cujo significado em tupi é caverna - e pela primeira vez um autor faz uma dura crítica à realidade do interior do país que na sua opinião não queria modernizar-se.

O crítico literário Alceu Amoroso Lima definiu-o como: “Vibrante, expressivo nas comparações vegetais, independente, cria neologismos, inventa construções inéditas, e para ideias novas aplica termos novos. Pode-se dizer que ele sacode a velha árvore da língua e, ao agitar, da fronde caem os frutos secos, vigorizam-se os novos e repontam outros.
O Jornal, Rio de Janeiro, 23 de junho de 1919. Nota da edição de 2007


Destaco os contos:

A colcha de retalhos – 1915

”(…) costumava dizer: mulher na roça vai à vila três vezes – uma a batizar, outra a casar, terceira a enterrar”

“Pollice verso” – 1916

“A morte é um preconceito. Não há morte. Tudo é vida. Morrer é transitar de um estado para o outro. Quem morre, transforma-se. Continua a viver inorganicamente, transmutado em gases e sais, ou organicamente, feito lucílias, necróforas e uma centena de outras vidinhas esvoaçantes. Que importa para a universal harmonia das coisas esta ou aquela forma? Tudo é vida. A vida nasce da morte.”

Bucólica – 1915

💔

O estigma – 1915

”Minha mulher – não o suspeitaste naquele jantar? – era uma criatura visceralmente má.
O ‘má’ na mulher diz tudo; dispensa maior gasto de expressões. Quando ouvires de uma mulher que é má, não peças mais: foge a sete pés.”


Urupês – 1914

"O caboclo é soturno.
Não canta senão rezas lúgubres.
Não dança senão o cateretê aladainhado.
Não esculpe o cabo da faca, como o cabila.
Não compõe sua canção, como o felá do Egito.
No meio da natureza brasílica, tão rica de formas e cores, onde os ipês floridos derramam feitiços no ambiente e a infolhescência dos cedros, às primeiras chuvas de setembro, abre a dança dos tangarás; onde há abelhas de sol, esmeraldas vivas, cigarras, sabiás, luz, cor, perfume, vida dionisíaca em escachoo permanente, o caboclo é o sombrio urupê de pau podre, a modorrar silencioso no recesso das grotas.
Só ele não fala, não canta, não ri, não ama.
Só ele, no meio de tanta vida, não vive...”


Próximo livro: Cidades Mortas
Profile Image for Cicero Marra.
354 reviews23 followers
December 15, 2019
O que talvez tenha levado Monteiro Lobato a descrever o "Jeca Tatu" é o mesmo sentimento -- que eu tenho quando vejo, por exemplo, uma família de mendigos na rua em Maceió...ou seja, a coisa mais comum do mundo. A primeira coisa que eu sinto diante deles não é pena nem compaixão, mas raiva! que é uma espécie de raiva pela miséria mental dos outros, e pela minha própria impotência de salvar a minha vida e a deles. Raiva que é de certa forma histérica mas real, e que é justamente a fonte da força do texto de "Urupês". O que parece ser uma denúncia é, na verdade, um desabafo pela frustração de ter que amar o próximo.
Profile Image for Gláucia Renata.
1,306 reviews41 followers
November 30, 2015
Publicado em 1918, é o primeiro livro do autor a ser publicado e foi considerado um best-seller. Traz 14 contos, alguns dos quais já haviam sido publicados em jornal e tem como tema o universo rural, a vida do homem do campo porém não como costumava ser retratado na época por seus pares, que romantizavam a vida no campo. Lobato expõe em seus contos, o atraso e muitas vezes a indolência, contrapondo o universo urbano sob o ponto de vista de homens que visam ao cosmopolitismo europeu. Os contos vão do drama ao tragicômico e alguns tem toques grotescos.
Percebemos aqui como Lobato era extremamente crítico e contundente em suas opiniões. O penúltimo conto, A Velha Praga, esboça aquele que vem a ser um de seus mais conhecidos personagens, o Jeca Tatu que é esmiuçado em todas as suas características e mazelas sociais em Urupês, último conto da seleção e que deu dando o que falar na época que acabou intitulando a obra.
Meus dois contos preferidos: O Engraçado Arrependido e O Comprador de Fazendas.



Histórico de leitura

90% (159 de 176)

"Urupês"

87% (153 de 176)

"Velha Praga"


81% (142 de 176)

"O Estigma"

73% (128 de 176)

"O Comprador de Fazendas"

65% (115 de 176)

"Bocatorta"

55% (96 de 176)

"O Mata-Pau"

51% (89 de 176)

"Bucólica"

44% (78 de 176)

"Pollice Verso"

42% (74 de 176)

"Meu Conto de Maupassant"


36% (63 de 176)

"Um Suplício Moderno"


28% (49 de 176)

"A Vingança da Peroba"

23% (40 de 176)

"A Colcha de Retalhos"


16% (29 de 176)

"O Engraçado Arrependido"

10% (17 de 176)

"Os Faroleiros"
Profile Image for Harvey Hênio.
635 reviews2 followers
July 30, 2021
José Bento Renato Monteiro Lobato (1882/1948) é uma das expressões máximas de nossa literatura. Escritor, crítico de arte e editor corajoso (foi o único no Brasil a publicar Lima Barreto quando quase ninguém nele acreditava), seu nome é quase que automaticamente ligado à literatura infantil, principalmente ao ciclo de histórias ligadas ao “Sítio do Pica-Pau Amarelo” já adaptado para várias outras mídias além dos livros e um grande sucesso. No entanto Monteiro Lobato, como é conhecido o escritor, tem uma produção que vai muito além de suas inegáveis contribuições à literatura infantil e vale muito a pena conferir o que existe “além do sítio”.
“Urupês” é um dos quatro livros de contos que Monteiro Lobato publicou em vida e seus contos chamam a atenção pelo excelente uso do vernáculo e pelo estilo límpido que garante fluidez à narrativa construída em ritmo de “causos”, recurso que permite uma leitura que prende a atenção do início ao fim seja nas histórias de “ficção realista” seja nas reflexões de caráter social/sociológico, político, econômico e, ou filosófico engendradas pelo brilhante escriba.
Lobato era um nacionalista “de quatro costados” e seu nacionalismo o levava a entrar em choque com tendências que hoje se encontram consagradas como o modernismo, por exemplo. Tornou-se célebre o estranhamento que os modernistas desenvolveram em relação a Lobato após uma ácida crítica que este último fez a uma exposição de Anita Malfatti. Além disso o nacionalismo do autor o levava a engendrar uma visão muito negativa e algo desesperançada daquele Brasil em que viveu. Em seus contos e reflexões são palpáveis o pessimismo, a tristeza e a desilusão de Lobato em relação à dicotomia entre as riquezas e belezas da mãe pátria e o péssimo comportamento, hediondos hábitos, pura ignorância e tacanhez intelectual tanto das elites como das camadas populares e esses sentimentos melancólicos em relação à pátria que tanto amava habitada majoritariamente por seres de baixa extração intelectual se expressam de forma marcante em vários momentos do livro como no final do acachapante conto “Bucólica”:
“Sol a pino. Desânimo, lassidão infinita...”
Difícil destacar esse ou aquele conto numa seleção tão marcante mas atenção redobrada para “A vingança da peroba” (amargo e perturbador), “Um suplício moderno” (contundente relato acerca da desigualdade, do elitismo, da indiferença e da crueldade), “Pollice verso” (inusitada combinação de galhofa, mordacidade e criticidade), “O mata-pau’ (impiedosa e pessimista reflexão acerca da cruel natureza humana), “Bocatorta” ( surpreendente relato com um desfecho a la Edgar Allan Poe), “O comprador de fazendas” ( o mais leve do livro com espaço para um humor que, por seu turno, quase encobre mais uma reflexão acerca do tamanho que a ignorância pode ocupar na natureza humana), “O estigma” ( que nada deve a outro mestre; Guy de Maupassant), “Velha Praga” e “Urupês” em que Lobato desanca sem dó nem piedade a ignorância do caboclo, chamado genericamente de “Jeca tatu”, como no trecho em que afirma:
“Nada o desperta. Nenhuma ferrotoada o põe de pé. Social, como individualmente, em todos os atos da vida, Jeca, antes de agir, acocora-se”.
Ou então, ainda:
“Só ele não fala, não canta, não ri, não ama.
Só ele, no meio de tanta vida, não vive”.
Em defesa do autor posso afirmar ele procurava justificar sua ojeriza à “caboclice” com base no seu nacionalismo; ou seja: a “caboclice” era, em última instância responsável pela degradação do meio ambiente e pela ausência de progresso técnico em pleno século XX, fatores que perpetuavam o atraso do Brasil que o autor tanto amava. Mas chama a atenção, por outro lado, que o autor culpasse o caboclo como se seus atos e atitudes fossem elementos algo malignos e ignorantes por natureza sem refletir acerca da desigualdade da qual o caboclo, assim como todos os brasileiros trabalhadores, era uma das principais vítimas.
Posteriormente o próprio autor procuraria se redimir diante do caboclo ao defender a educação pública e o saneamento básico como formas de melhorar a vida das populações carentes do Brasil.
Mas o fato é que, até hoje, Lobato é taxado de elitista, preconceituoso e racista por muitos.
Polêmicas à parte “Urupês” é literatura de primeira qualidade e leitura obrigatória que informa, diverte e provoca reflexões acerca deste nosso Brasil ainda tão desigual.
Profile Image for Monica.
122 reviews14 followers
August 31, 2019
Quem nunca leu os contos para adultos de Monteiro Lobato irá se surpreender com o brilhantismo de seu estilo literário, a verve e a ironia fina que muitas vezes lembram os de Mark Twain. Quem já leu deve reler, pois certamente ficará surpreso com a contemporaneidade dos temas tratados nestes contos - como a queimada de nossas florestas (“Velha praga”), a questão do racismo no Brasil (“Negrinha”) e a pobreza cultural do caboclo brasileiro (“Urupês”). Contundente e brilhante, muitas vezes mal compreendido, Monteiro Lobato é um marco da literatura brasileira que deve ser lido e relido.
Profile Image for Carlos Hugo Winckler Godinho.
203 reviews7 followers
September 7, 2014
Gostei principalmente de finalmente ler alguma coisa do Monteiro Lobato. Pra quem morou mais de 20 anos em um condomínio com o nome do autor, era quase uma obrigação.
Profile Image for Thiago Santos.
3 reviews
March 7, 2016
Não compreendo como o rating pode estar tão baixo. Espetacular.
157 reviews
January 19, 2025
Bom livro com 14 contos sobre nossos sertanejos, em especial focando aqueles da região do Vale do Paraiba, no estado de São Paulo. Neste livro Lobato introduziu o caboclismo, aqui inaugurado por meio de nosso Jeca Tatu. Infelizmente vi nesses contos um bocado de preconceito pelo caboclo, assim como a crítica a um governo que nao se preocupava desde entao com questoes de saude, educação e pasmem... com cuidados com o meio ambiente. O livro está recheado de neologismos, termos eruditos da época bem como de caboclismos, o que dificulta a leitura de pessoas que o leem no século XXI.
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