A vaca e o hipogrifo foi publicado pela primeira vez em 1977, pela editora Garatuja (Porto Alegre), e já teve diversas reedições. É um livro que dialoga de perto com o Caderno H, pois também se constitui de matérias que o poeta divulgou durante muitos anos na imprensa. São pequenas anotações, crônicas, pensamentos, aforismos, epigramas, notas memorialísticas ou a modo de um diário, além de poemas, a maioria em prosa, totalizando mais de 250 textos geralmente breves, às vezes de uma única linha, que versam sobre os assuntos os mais variados, além de retomarem as obsessões típicas do autor. Todo o encanto da poesia de Mario Quintana parece advir desse difícil cruzamento entre uma linguagem simples, cotidiana e que reproduz com verossimilhança a fala, por um lado, e o inusitado, o surpreendente, o inesperado que consegue imaginar ou encontrar nos objetos ou situações comuns, por outro, postos em relações inesperadas. O título desse volume já indica parte desses elementos. Primeiro, a vaca, um animal conhecido e pouco prestigiado na tradição literária; segundo, o hipogrifo, ser puramente imaginário. Quase no fim do livro, ele próprio esclarece o leitor sobre o título, já que alguém sempre lhe pergunta o que tem uma coisa com outra em seus poemas, por aproximarem coisas tão contrastantes. A presente reedição do livro, na ‘‘Coleção Mario Quintana’’ , inclui apresentação da organizadora, intitulada 'O imaginário do poeta', ‘‘Bibliografia do autor’’ (obra editada no Brasil e no exterior, textos em antologias nacionais e estrangeiras, obras do autor traduzidas e obras traduzidas pelo autor), ‘‘Bibliografia selecionada’’ e extensa ‘‘Cronologia’’ de sua vida e obra.
I was born in Alegrete, on the 30th of July 1906. I believe that was the first thing that happened to me. And now they have asked me to speak of myself. Well! I always thought that every confession that wasn’t altered by art is indecent. My life is in my poems, my poems are myself, never have I written a comma that wasn’t a confession. Ah! but what they want are details, rawness, gossip...Here we go! I am 78 years old, but without age. Of ages, there are only two: either you are alive or dead. In the latter case, it is too old, because what was promised to us was eternity. I was born in the rigor of the winter, temperature: 1 degree °C; and still I was premature, which would leave me kind of complexed because I used to think I wasn’t ready. One day I discovered that someone as complete as Winston Churchill was born premature - the same thing happened to Sir Issac Newton! Excusez du peu... I prefer to cite the opinion of others about me. They say I am modest. On the contrary, I am so proud that I think I never reached the height of my writing. Because poetry is insatisfaction, an affliction of self-elevation. A satisfied poet doesn’t satisfy. They say I am timid. Nothing of the sort! I am very quiet, introspective. I don’t know why they subject the introverts to treatment. Only for not being as annoying at the rest?
It is exactly for detesting annoyingness, the lengthiness, that I love synthesis. Another element of poetry is the search for the form (not of the form), the dosage of words. Perhaps what contributes to my safety is the fact that I have been a practitioner of pharmacy for five years. Note that the same happened with Carlos Drummond de Andrade, Alberto de Oliveira, Erico Verissimo - they well know (or knew) what a loving fight with words means.
Quintana é uma espécie de Rivotril literário. Bom pra despressurizar os fardos, podendo ser incluído na mesma categoria dos passarinhos, da pipoca, e dos filhotes de cachorro. Pra ler e reler.
Meu primeiro livro do Mário Quintana e achei MUITO poética e enrolada, mas os poemas que eu entendi gostei bastante. Muita informação pra minha cabeça, sinceramente.
“A vida é continua, não uma projeção imóvel de slides, mas o desenrolar de um filme em câmera lenta”
Que gracinha de livro! <3 Lançado pela primeira vez em 1977, "A Vaca e o Hipogrifo" reúne poemas, minicrônicas e prosa de um autor que eu conhecia só de nome e de uns poucos poeminhas aqui e ali. Uma leitura muito gostosa, que me lembrou bastante Luis Fernando Veríssimo no tom humorístico e na leveza. Muito recomendado!
E por sinal, o título é uma brincadeira com a magia de cada animal. Segundo o Quintana, as vacas voam devagar, ao contrário dos hipogrifos.
Este é um livro de pequenos poemas e mini-crônicas de Mario Quintana, um estilo característico do escritor gaúcho. Sua beleza está no lirismo e na simplicidade de alguns dos seus textos minimalistas, como:
"As mãos que dizem adeus são pássaros Que vão morrendo lentamente"
Micro-poemas como esses contém uma alta densidade de lirismo por linha de texto, e são agradáveis de se interpretar, apesar de que o velho Mário diria: "Mas, afinal, para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação.".
O "A vaca e o Hipogrifo" é um livro aconchegante, em que textos soavam na minha cabeça com uma voz de avô querido, refletindo sobre a vida: " I Quando a idade dos reflexos, rápidos, inconscientes, cede lugar à idade das reflexões — terá sido a sabedoria que chegou? Não! Foi apenas a velhice.
II Velhice é quando um dia as moças começam a nos tratar com respeito e os rapazes sem respeito nenhum. "
I thought why the title A Vaca e o Hipogrifo, from reading it I realized the mixture of aphorism, notes, poems and chronicles, verses and prose mix to achieve universal poetry. Hippogriff is a legendary creature from the fruit of a griffin and a mare. It reminded me of one Harry Potter´s characters. A Vaca e o Hipogrifo was published in 1977, it is a mixture of thoughts in prose, poetry and chronicles that make us think of many things in life. Fantastic work! I recommend it.
Não que seja um problema, é um livro de prosa, opiniões, crônicas rápidas e pensamentos. Sempre certeiro, sempre tão leve e inteligente, porém, prefiro seus poemas.