Em Meu nome é é a vida e a obra de Luiz Melodia , a história do cantor e compositor da MPB Luiz Melodia é recuperada por meio de relato e pesquisa do jornalista Toninho Vaz. Uma das vozes mais talentosas da música brasileira emergente nos anos de chumbo, Luiz Melodia desceu do efervescente morro carioca de São Carlos amadrinhado por Gal Costa e sob a bênção dos amigos Hélio Oiticica, Waly Salomão e Torquato Neto. Luiz Melodia ocupou seu lugar na história da música brasileira como um compositor inventivo e poético, e deixou obras-primas como "Pérola negra", "Estácio, holly Estácio" e "Juventude transviada". Neste livro, sua trajetória é relatada para além da fama de artista maldito que acompanhou sua carreira e ditou seu status de outsider da MPB, revelando um artista íntegro, profundamente comprometido com sua obra, com seu legado e com seu tempo.
Luiz Carlos dos Santos (1951/2016) nasceu e cresceu no Morro de São Carlos, na então periferia da cidade do Rio de Janeiro. Autodidata, Luiz, desde cedo optou pela música em detrimento dos estudos e, contra a vontade do pai e da mãe, enveredou-se pelos caminhos e descaminhos da carreira artística adotando o nome de Luiz Melodia, uma clara homenagem “acidental” ao pai, conhecido como Oswaldo Melodia, músico amador. Luiz Melodia lutou muito para se afirmar como músico e seu esforço não foi em vão. Assimilando influências diversas (jovem guarda, sambas e sambistas “raiz”, rock, jazz, blues, soul) construiu uma carreira consistente em que se destacam álbuns referenciais como “Pérola Negra” (1973), “Maravilhas Contemporâneas” (1976) e “Mico de Circo” (1978) que apresentavam ao público canções hoje consideradas clássicas dentro do universo da MPB tais como “Pérola Negra” (imortalizada pela musa Gal Costa, uma espécie de “madrinha” de Luiz Melodia), “Estácio, Holly Estácio”, “Magrelinha”, “Farrapo Humano”, “Juventude Transviada”, “Dores de Amores”, de sua autoria, assim como releituras perfeitas de canções como o tradicional samba “A voz do Morro”, do rock “Negro Gato” e da poética “Codinome Beija-Flor”. Luiz Melodia nunca foi, paradoxalmente, um grande vendedor de discos mas, sua influência, reconhecida por muitos, inclusive como ícone do movimento negro, vai muito além dos frios números do comércio da música. Esta biografia, de autoria do jornalista, roteirista, escritor, biógrafo e fã de Luiz Melodia, Toninho Vaz, é uma ótima oportunidade de conhecer um artista inquieto e brilhante, que se foi precocemente em função de um câncer de medula em 2016 e sua obra que se destaca pela qualidade, pelas inovações e pela mescla de estilos que tanto encantaram os privilegiados que acompanharam seu trabalho e a crítica especializada. Para finalizar nada como conhecer e opinião, para lá de fundamentada, de outro grande nome de nossa música - Jards Macalé - acerca da obra de Luiz Melodia:
“Vindo da maior linhagem dos poetas dos morros cariocas, criou algumas da melodias mais inusitadas e belas – além de escrever letras com imagens incríveis. No palco, um sambista sempre elegante fazendo aquele passo diferente no pé, retorcendo o corpo esguio. E o violão extraordinário que tocava, cheio de acordes e divisões estranhas, pouco comuns? Tudo na cadência bonita do samba”.
Salve Melodia! A "pérola negra" da nossa música. Ótima pedida!
Com leitura rápida e acessível, livro recomendado para fãs ou jovens que sentem paixão pela música e poesia. A obra do Luiz é fantástica e sua vida, complexa, como tinha ser. Uma estrela a menos porque, por vezes, o livro é meio "bagunçado" quanto a cronologia e também peca um pouco em parágrafos meio que soltos ao léu. Tirando isso, tudo de buenas.