Eu tinha vontade de ler "Quando O Rei Esteve Aqui" desde que foi lançado, e hoje venho fazer alguns comentários sobre a minha leitura dessa história que mistura realeza africana e cangaço no Brasil dos anos 1930.
Nessa história, o rei Gustaaf, de Oceaania do Norte, está doente e percebendo o risco de que seu reino pode sofrer um golpe de Estado do reino vizinho ou uma revolta popular, devido à falta de um herdeiro legítimo ao trono. Assim, Gustaaf decide vir ao Brasil para encontrar seu filho que deixou para trás 18 anos antes. A comitiva real o acompanha, incluindo sua esposa, Nahime, sua filha, Luiza, e seu irmão Santiago. Na viagem, todos vão se confrontar com o passado e com seus sonhos, desejos e mágoas.
A maior parte da história acontece no Brasil, em São Luís, no Maranhão, e alterna entre o presente e o passado, nos apresentando os acontecimentos que levaram aos personagens a viver o que estão vivendo. Há vários pontos de vista na história, nos permitindo conhecer um pouco de Gustaaf, de Nahime, de Luiza e também de Miguel, o filho de Gustaaf. Vamos conhecendo os segredos que cada um guarda e desconfiando de que alguém trama alguma coisa contra o reino.
Lyli Lua faz uma ambientação muito boa, incluindo os conflitos sociais da época. Um exemplo disso é a abordagem sobre os motivos da existência do cangaço e os conflitos entre cangaceiros e polícia. Outro exemplo é a discriminação racial no Brasil, que não deixa de afetar uma princesa estrangeira. A família real de Oceaania do Norte descende de colonizadores brancos, e Luiza se "destaca" por ser negra e obviamente não ser filha biológica de Gustaaf.
Por ser um romance curto, a leitura é bem rápida, mas o ritmo é bom e a história se desenvolve muito bem, envolvendo conflitos políticos e de relacionamentos familiares e amorosos. O final é emocionante, trazendo aos personagens a possibilidade de redenção, reparação de erros e realização de seus desejos.