Em aproximadamente meio segundo, um homem percebe o medo no rosto de outro indivíduo para o qual aponta uma arma. Em outra fração de segundo subsequente, não consegue experimentar, minimamente, qualquer estado emocional que o faça reagir com empatia diante da emoção que é capaz de reconhecer. Atira então três vezes. Teria esse homem exercido o seu livre-arbítrio? Onde, em seu cérebro, surgiram as suas escolhas? Como explicar a maldade que se pode atribuir a um ato como esse? Este livro convida o leitor a explorar a mente de indivíduos considerados psicopatas e desvendar um pouco do que a ciência já sabe sobre assuntos como o bem e o mal. Entender um pouco do que são constituídos os psicopatas é entender também como são constituídas as suas escolhas.
Os indivíduos com traços psicopáticos são pessoas que agem somente em benefício próprio, não importando os meios utilizados para alcançar seus objetivos. Além disso, são desprovidos do sentimento de culpa e dificilmente estabelecem laços afetivos com alguma pessoa – quando o fazem é por puro interesse. Dessa forma a ausência de qualquer preocupação com o bem estar dos outros, a crueldade e a insensibilidade emocional podem ser considerados como próprios de um perfeito predador da própria espécie. Em um nível interpessoal, pessoas que apresentam traços acentuados de psicopatia tendem a ser egoístas, dominadores e manipuladores. Afetivamente não conseguem estabelecer laços duradouros com outras pessoas, apresentam emoções superficiais, falta de remorso e empatia. Por fim, em uma esfera comportamental, psicopatas tendem a ser irresponsáveis, impulsivos e negligentes, caracterizam-se, ainda, como buscadores de sensações, apresentando riscos de violar normas sociais. O contexto tem um papel importante no desenvolvimento dos fenótipos, podendo inibi-los ou acentuá-los.
A dimensão "desinibido" refere-se à tendência geral para falta de controle de impulsos, tais como condutas impulsivas, que demonstram falta de planejamento. Dentre comportamentos típicos desta dimensão, destacam-se irresponsabilidade, impaciência, ações impulsivas, desconfiança, deslealdade, falha em planejar o futuro, baixa tolerância à frustração, má regulação do afeto e suscetibilidade a problemas de uso de substâncias. Percebe-se, portanto, que esta dimensão refere-se basicamente à falta de controle comportamental em psicopatas.
A dimensão "ousado", por sua vez, engloba aspectos relacionados ao domínio interpessoal, como dominância social, eficácia e autoconfiança. Esta dimensão descreve, ainda, pessoas que possuem a capacidade de se manterem calmos e focados frente situações de pressão e ameaça, que possuem imunidade ao estresse da vida e preferência por situações novas ou emocionantes. Alguns comportamentos que descrevem esta dimensão são imperturbabilidade, assertividade, capacidade de persuasão, coragem e comportamento aventureiro.
Por fim, a dimensão "maldade" descreve atributos que envolvem tendências para a insensibilidade, falta de empatia pelos outros, incapacidade de estabelecer laços afetivos duradouros, apego emocional superficial, estilo de vida parasita, formas instrumentais ou predatórias de agressão, rebeldia e busca de sensação. Algumas características comportamentais incluem arrogância, desafio à autoridade e crueldade.
Todo psicopata possui um ambiente familiar afetado por diversos conflitos (geralmente repetitivos e por longos períodos de tempo). Psicopatas são incapazes de aprender com a punição ou de modificar seu comportamento. As classificações variam conforme os autores e o tempo e as variáveis dependem da descrição clinica da patologia, podendo ser assim identificadas: 1. Psicopatas com personalidade fanática ou passional: Não procuram ajuda médica, possuem tensão afetiva, sequência de decepções e conflitos que levam o individuo a delinquência. Querem ter a única verdade e suas idéias prevalecendo. 2. Psicopatas com personalidade Depressiva: Falta de alegria, melancolia habitual, são indivíduos tranqüilos e considerados pessimistas, ressentidos e descontentes. 3. Psicopatas com personalidade Narcisista e dependente: O individuo é fraco, possui traços de imoralidade e não se interessa por sentimentos alheios. 4. Psicopatas com personalidade explosiva ou epileptóide: Podem cometer lesões e até assassinatos devido aos extremos bruscos de cólera, que se manifestam verbal ou fisicamente, motivando crimes passionais. 5. Psicopatas Hipertímicos: Indivíduos alegres e otimistas, que possuem sexualidade exaltada e são propensos a cometerem crimes como brigas, estelionatos, entre outros. 6. Psicopatas com personalidade ciclóide ou Lábeis de estado de ânimo: Alterna entre dois pontos, exaltação e depressão; alegria e tristeza. Irritáveis com facilidade, impulsivos e cometedores de crimes como roubo. 7. Psicopata com personalidade borderline: Caracteriza-se pela sanidade e loucura e pela presença da manipulação e rejeição sentimental. 8. Psicopata com personalidade obsessivo-compulsiva: Possui um comportamento perfeccionista e inflexível. 9. Psicopata com personalidade histérica: Comum no sexo feminino, manifestando-se com sedução e o desejo de atrair a atenção. 10. Psicopata com personalidade amoral, desalmados: Inimigos da sociedade, não possui compaixão ou culpa, fazendo com que o agente não compreenda as normas éticas da sociedade. 11. Psicopatas Ostentativos: São os mentirosos, defraudadores, vaidosos que procuram aparentar mais do que aquilo que na realidade são.
Antes de um ato violento o psicopata escolhe o alvo, baseado em obsessões do passado, formada por traumas. Ele vigia a vítima e aprende seus hábitos, simulando como seria sua reação. O mesmo cria uma fantasia em sua mente e vai ensaiando como realizá-lo e quando consegue colocar sua fantasia em prática sente prazer em realizar o que antes só imaginava, sendo comum colecionar objetos ou até pedaços do corpo de sua vitima, durante novos ataques o assassino tenta se aperfeiçoar para curtir mais o seu método.