José Tolentino Mendonça, poeta e sacerdote, explica que o tempo atual representa também uma oportunidade para nos reencontrarmos. Confinados a um isolamento, compreendemos talvez melhor o que significa ser - e ser de forma radical - uma comunidade.
Neste pequeno volume reúnem-se três temas essenciais para a atualidade portuguesa: 1) o que é amar um país; 2) qual o sentido da palavra «esperança» em tempos de pandemia; e 3) de que forma a beleza, a graça e a fé podem combater a solidão e a calamidade do nosso tempo. O primeiro tema é abordado no discurso de José Tolentino Mendonça (que mereceu vários elogios públicos) nas cerimónias do Dia de Portugal a 10 de junho de 2020, aqui publicado na íntegra.
O segundo tema está na origem de um texto intitulado «O Poder da Esperança», publicado originalmente no início da pandemia, e onde se viaja pelo meio dos clássicos, da filosofia, da teologia e da poesia - como experiências da catástrofe e da terapia de resposta.
Finalmente, o livro encerra com onze textos dispersos que prolongam a leitura dos livros anteriores de José Tolentino Mendonça em torno da necessidade da beleza e contemplação em tempos de solidão, imprevisibilidade e dor extrema. Trata-se de um livro de grande urgência - que diz respeito a todos, crentes e não crentes. Sobretudo, a todos os portugueses.
«E bem precisávamos de um homem do humanismo e, portanto, da cultura, de um pensador, de um escritor, de um poeta para nos falar da importância dos outros e da sua redescoberta, a começar nas famílias, nas vizinhanças, nas amizades, da atenção aos mais pobres, vulneráveis e dependentes, do pacto entre gerações, tentando ultrapassar o abismo já cavado entre os mais e os menos jovens.»
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, sobre o discurso do Cardeal Tolentino Mendonça.
JOSÉ TOLENTINO de MENDONÇA nasceu no Machico, a 15 de Dezembro de 1965. Licenciou-se em Teologia na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, com uma tese sobre a poesia de Ruy Belo. Concluiu a Licenciatura Canónica em Estudos Bíblicos no Pontifício Instituto Bíblico, em Roma. Foi ordenado padre em 1990. É, desde 1990, capelão e professor na Universidade Católica de Lisboa. Viveu e estudou em Roma, onde preparou a sua tese de doutoramento em Teologia. Além de poeta, é também ensaísta e tradutor. Foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 2001.
José Tolentino de Mendonça, como muitos poetas da geração dos anos 80/90, retoma uma certa tradição lírica portuguesa. Lirismo todavia assaz particular, delicado, envolto em recato.
Obras de José Tolentino Mendonça RESUMO: O Que É Amar Um País - reúne textos de esperança e amor. Convidam o leitor a refletir sobre “necessidade da beleza e contemplação em tempos de solidão, imprevisibilidade e dor extrema”, mas também de temas da atualidade e mostram a beleza e a importância das humanidades, da poesia e da teologia nos nossos dias. O livro começa com o discurso proferido pelo D. José Tolentino Mendonça, nas comemorações do 10 de junho de 2020. Um texto que nos fala do poder da esperança. [Resumo da responsabilidade do Plano Nacional de Leitura 2027] ISBN: 978-989-722-709-7
Reflexões sempre muito pertinentes! Aqui a incidir mais no período pós pandemia, curioso lê-lo agora já com alguma distância.
“Hoje precisamos de mãos - mãos religiosas e laicas - que sustenham a alma do mundo. E que mostrem que a redescoberta do poder da esperança é a primeira oração global do século XXI.”
O rating de 3 estrelas é apenas porque em comparação com os restantes livros de Tolentino, este não vai tão longe como habitualmente. Começa com o discurso efectuado no dia de Portugal de 2020, assolado pela pandemia e continua com a recolha de uma série de pequenas crónicas (do Expresso?) sobre e à volta da mesma pandemia. No entanto, vale sempre a pena ler e absorver as reflexões de Tolentino e ao mesmo tempo deixar-nos interpelar pelas questões que levanta!
É o primeiro livro que leio do José Tolentino Mendonça, e decidi ler este livro influenciado por diversas referências. Ainda antes de decidir comprar este livro, reparei que a 1.ª parte é o discurso do dia 10 de junho de 2020, para o qual o autor foi convidado pelo presidente da república. Já tinha lido uma parte do discurso, e além da adaptação dos pontos de vista do autor à circunstância do momento e local, a pandemia Covid-19 e a ilha da Madeira, tem ainda a alusão a Camões e a Madeira como início dos descobrimentos portugueses, tudo me pareceu forçado, e depois de ler o discurso por inteiro, fiquei com menos dúvidas. Parece um discurso circunstancial efetuado por um político, que para criar uma ligação com os seus eleitores, do palco faz ecoar palavras agradáveis para os seus constituintes. Mas comprei o livro, e ainda bem que o fiz. Finda a 1.ª parte do livro, o autor faz uma análise à atual circunstância pandémica, que denomina como trauma recorrendo a Freud. Esta análise, através de crónicas, relata a nossa incapacidade humana de controlo de todas as variáveis, e que afinal os cisnes negros não são assim tão improváveis, pelo contrário, poderão acontecer mais espessas vezes e prolongarem-se durante mais tempo. A pandemia veio confirmar que, afinal que pouco conhecemos de nós e da vida. Em determinados momentos, o livro parece algo “evangelizador”, afinal o autor é o Cardeal José Tolentino Mendonça, são efetuadas diversas referências teológicas, mas da mesma forma o autor sustenta a nossa atual condição com referências e teorias filosóficas, económicas, ou da própria história, tornando este livro interessante e diversificado, mesmo para leitores nao católicos. Inclui uma multiplicidade de temas atuais e umas quantas histórias, de resiliência, de dedicação, de preocupação pelo outro, de superação, que interlaçadas, no seu conjunto demonstram a história de amor pelo nosso país. No diagnóstico que faz, obviamente filosófico e sobre a necessidade de contemplação do verdadeiro eu, o autor aprofunda as potenciais causas da atual situação, que mais poderão vir, tendo em conta o desequilíbrio entre o atual utilitarismo e a vida espiritual. O autor elenca um conjunto de questões, antecipando a necessidade de reflexão do pós Covid. Questões simples e necessárioas sobre o futuro que há-de chegar. Convida-nos a refletir como podemos aproveitar esta pandemia para sermos, realmente, melhores seres humanos, numa nova, não a antiga, e melhor normalidade. Este livro não é apenas filosófica ou teológica, o autor aborda questões diversas como a globalização, a alimentação e o ambiente, o papel da União Europeia, sublinhado a necessidade de aproveitar para rever e encontrar equilibrios que temos que salvaguardar. A ler!
Uma reflexão sobre a pandemia COVID-19 e a vivência humana do século XXI. Um ensaio claro, calmo, límpido, como uma passeio numa margem de um rio numa tarde de sol. O autor deixa-nos questões e reflexões pertinentes sobre estes tempos que são de mudança. Faltará saber em que sentido será essa mudança.
O livro de José Tolentino Mendonça, o cardeal arquivista e bibliotecário da Santa Sé, mas também professor, ensaísta, poeta, filósofo, apresenta na primeira de três partes, o discurso muito elogiado que o proferiu nas cerimónias do Dia de Portugal, a 10 de junho de 2020 no Mosteiro dos Jerónimos. Na segunda parte aprofunda o tema “O poder da esperança”, com referências à filosofia, teologia e poesia, congrega as inquietações de todos que flui para possíveis respostas que poderão ser um bálsamo para a maioria. Na terceira parte através de onze textos que advêm da leitura dos livros anteriores de José Tolentino Mendonça, giram em torno da necessidade da beleza e contemplação em tempos de solidão, imprevisibilidade e dor extrema, tendo por referência diversas a personalidades da cultura universal.
Li este livro como quem ouve uma excelente homilia na missa. José Tolentino Mendonça, cardeal português responsável pela Biblioteca Apostólica e pelo Arquivo Secreto do Vaticano, é um homem que liga conceitos, obras e quotidiano com profunda mestria. O livro dá imenso gozo ler do ponto de vista filosófico (mesmo para quem não é católico), especialmente numa altura em que me tem feito falta uma leitura mais reflexiva do contexto Covid-19.
Gostei bastante e pensei bastante. Permanecem-me na cabeça os conceitos de tempo 'chrónos' vs 'kairós' e a frase do papa Francisco "O tempo é superior ao espaço."
Reflexões muito bem escritas sobre diversos temas, incluindo um discurso excelente nas celebrações do dia de Portugal. Achei que algumas das reflexões, ainda que belas, não oferecem argumentos, pensamentos ou estabelecem pontos particularmente interessantes ou inesperados.
Not my usual type of read, but I actually enjoyed it. Very interesting reflection about the effect the COVID-19 pandemic will have on portuguese society.
"Damos por nós a jantar dentro desse processo de devoração, correndo na ofegante corrente dos dias, acreditando que nada pode parar, temendo qualquer ralentização ou pausa e deixando com isso adiado o coração para outro século e, com isso, adiando a vida para outra vida."