Um almoço, a necessidade de dinheiro, uma visita ao pai, um reencontro, são algumas das várias situações pelas quais passam os personagens dessa história. Não importa tanto o que se passa com eles do lado de fora mas de suas divagações mentais, revelando ao leitor motivações, medos, pretensões e tudo o mais que poderíamos descobrir se pudéssemos ler mentes.
Agora imagine se tivéssemos realmente o poder de ler mentes mas ao mesmo tempo não fôssemos capazes de escolher qual mente lemos. O Fotógrafo é um livro que nos mostra o lado entediante, a maçada, o desagrado completo de conseguir ouvir os pensamentos de pessoas chatíssimas, babosas, de nenhum proveito.
"Ela pensa; eu vejo. Ela é nítida; eu sou fora de foco", "Ela é bonita; eu sou homem" "é preciso, antes de mais nada, separar uma coisa da outra", "Tenho um desejo: é com isso que preciso lidar, na minha exclusiva medida." E é com essa dose interminável de baboseiras que vamos até o fim do livro. É como estar preso numa cabine de trem com um pequeno grupo de idiotas em uma longa viagem, e termos o azar de sermos capazes de ouvir as asneiras mentais dessa gente toda. Só restaria a esse coitado pular pela janelinha do vagão.