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Salazar e Caetano - O Tempo em Que Ambos Acreditavam Chefiar o Governo

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Marcello Caetano instala o seu gabinete no edifício do Parlamento, ficando com vista para o palacete onde vive Salazar, já enfermo.

Dá-se assim o facto extraordinário de o antigo e o novo chefe do Governo estarem instalados a oitenta metros um do outro, separados por um jardim! Marcello, da sua janela, pode ver Salazar sentado debaixo da pérgula onde gosta de estar; e este, quando contempla o edifício da Assembleia, pensando que ainda detém o poder, não sonha que ali à sua frente trabalha o «verdadeiro» presidente do Conselho.

É uma situação nunca vista!

384 pages, Paperback

Published August 1, 2020

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About the author

José António Saraiva

24 books8 followers
José António Saraiva nasce em 1948, em Lisboa. Forma-se em Arquitectura, actividade que exerce entre 1969 e 1983. Dá aulas no Centro de Formação da RTP entre 1977 e 1980. Autor da grande reportagem televisiva «O 25 de Abril, Três Anos Depois» e da série «Os Anos do Século». Colabora em variadíssimos jornais e revistas entre 1965 e 1983.

Director do semanário Expresso entre 1983 e 2005. Fundador e director do semanário Sol entre 2006 e 2015. Ganha o Prémio Luca de Tena de jornalismo ibérico do semanário espanhol ABC em 2005. Professor convidado da Universidade Católica no Instituto de Estudos Políticos, onde lecciona desde 2000 a cadeira Política Portuguesa. Publicou vários livros de Política e História, e também quatro romances.

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82 reviews
December 27, 2021
Ao nível do primeiro livro, escrito numa narrativa muito interessante e leve. Confirma de alguma forma a ideia que eu tinha de que se Salazar tivesse abandonado o poder no final da segunda grande guerra, teria provavelmente permitido a transição para um liberalismo e democracia europeus. E pelo caminho teria sido um dos melhores estadistas portugueses ao organizar o país do caos em que se encontrava e ter impedido que tivesse sido envolvido na segunda guerra mundial. Assim sendo, acabou por estacionar o país nos anos 50, um país que não evoluiu, com falta de criatividade e dependente dum estado gordo e ineficiente. E pelo caminho conseguiu trocar a segunda guerra mundial por uma guerra do ultramar. Passemos ao livro seguinte!
This entire review has been hidden because of spoilers.
60 reviews1 follower
September 5, 2020
Numa nota inicial, este volume corrige um aspecto essencial que me melindrou no seu antecessor: apresenta o episódio que pretende esmiuçar na cronologia correcta, facilitando em muito o acompanhar da narrativa.

Este segundo volume aborda o período imediatamente a seguir ao com que terminou o anterior. Estamos no final dos anos 50, inicio dos anos 60, década conturbada na história do regime e que culmina com a operação e subsequente convalescença de Salazar, o que leva à sua exoneração e substituição por Marcello Caetano na presidência do Conselho de Ministros em 1968.
Os anos 60 são palco de episódios que compõem o aspecto mais romântico do Estado Novo, as resistências, as revoltas estudantis, o sucessor que se quer apresentar com uma moderada abordagem ao que considerava ser um regime a precisar de reforma.
Continua a ser-nos oferecida uma biografia lado-a-lado de Salazar e Caetano, do seu tempo, conjuntura e relação. Facto certo é que Caetano não era o sucessor certo Salazar, não no sentido de predestinação como a história tende a ser contada. O convívio de ambos tendia a ser conturbado, mas o que os assemelhava fazia de Caetano uma natural escolha para o lugar.
O seu retrato continua a ser um dos pontos fortes da obra; por outro lado, consequência do período tratado, Salazar tem o seu mais humano retrato até aqui.
No entanto, por razões pouco claras e que o exercício de quasi-psicanálise levado a cabo não consegue explicar, os jogos ilusórios que levam a não revelar a Salazar que foi exonerado são um episódio tão ridículo quanto a nossa historia recorda. Mais ainda quando servem para extrair conclusões sobre a relação do mesmo com o poder.
Assistimos também às primeiras referências a personalidades que ainda hoje nos são familiares, nomes como Mario Soares, Diogo Freitas do Amaral ou Francisco Pinto Balsemão.

Em suma, esta obra continua a mostrar-se de interesse, informativa, isenta e que actualiza o conhecimento de um dos mais discutidos períodos da nossa história, mas um com o qual deveríamos começar a ter outro tipo de relação.
Profile Image for Blank.
45 reviews
May 22, 2022
Já tinha deixado uma avaliação muito positiva ao primeiro livro desta série de 3 sobre o Estado Novo. Se o primeiro foi uma agradável surpresa, o 2.º não lhe fica atrás em nenhum sentido. Recomendo esta pequena coleção não só para quem tiver interesse pelo tema Estado Novo / Salazar e Caetano mas também para quem quiser perceber melhor o que se passava realmente nesta altura tão polémica da história de Portugal.
Profile Image for Teresa Gonçalves.
134 reviews6 followers
December 24, 2022
O segundo livro de uma coleção cativante e sempre certeira! Um romance histórico muito interativo, que se mostra longe mas sempre perto dos dias de hoje.
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