Há tempos venho repetindo, como uma espécie de mantra: - O crime sem castigo leva ao castigo sem crime. Uma das bem-aventuranças do Sermão da Montanha diz respeito à justiça: "Bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados." (Mt 5, 6) Isso significa que a justiça é um anseio que habita o coração do homem. Obrigar o homem a viver sem justiça é como tentar fazê-lo viver sem coração.
O livro cumpre seu papel de denunciar e explicitar com todos detalhes necessários a ilegalidade e imoralidade do Inquérito do Fim do Mundo ou Inquérito das Fake News. É interessante ele ser dividido em textos de diferentes autores, pois cada um dá sua perspectiva e ressalta alguma característica em particular do evento.
A obra trata minuciosamente do Inquérito n° 4781 instaurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O livro é composto de artigos escritos por vários autores, na sua maioria juristas, que apontam as diversas irregularidades em torno do famigerado "Inquérito do Fim do Mundo", suas origens históricas, suas fontes jurídicas e ideológicas. Em vários desses artigos se ressalta o desenvolvimento de doutrinas que autorizaram magistrados a prolatarem sentenças ao arrepio da lei, em nome de uma suposta justiça social. Isso gerou a normalização, no meio jurídico, do descumprimento das leis por parte de quem deveria zelar por elas. Uma vez amenizada a necessidade de se cumprir a legislação, torna-se supérfluo arranjar o tal "motivo nobre" para se utilizar da lei como bem lhe aprouver. Ademais, os autores discorrem sobre as atrozes consequências para a democracia brasileira que advém da instauração de uma verdadeira Inquisição contra cidadãos que ousaram criticar a mais alta corte do Poder Judiciário brasileiro. Em síntese, uma obra importante para se entender o impacto do Inquérito n° 4781 no exercício da cidadania no Brasil.