Na solidão do esquecimento, uma coleção de garrafas aparentemente vazias aguarda aquele que terá coragem de liberar seu conteúdo. Em um futuro feito de memória e máquina, o Esquadrão Saci precisa cumprir sua última missão. Na curva da última estrada de terra, um homem escora a porteira que sustenta o mundo. Essas e outras histórias você encontra neste livro, que reúne sete contos de ficção folclórica. São histórias que ora flertam com fantasia e ficção científica, ora com suspense e dramas humanos. O que as une? Nada além da mais pura cultura popular brasileira. Venha conosco nesta caminhada para tirar o folclore da garrafa.
Sobre o autor: Andriolli Costa é jornalista, pesquisador e escritor natural de Mato Grosso do Sul. Desde 2015 edita o site de divulgação folclórica O Colecionador de Sacis, onde apresenta o podcast Poranduba.
Um trecho bacana de um dos contos: "Suas pernas andaram em minha direção, só que a cada passo não era mais Rosa. Ao menos não Rosa que eu conhecia. Era uma cabocla faceira, com cabelo solto e cheirinho de mato; era um marinheiro de pés descalços e barba espetada feito arame num queixo duro; era menina moça ainda com farda da escola; era um velho de peito largo, sorriso fácil e sotaque estrangeiro. A única constância era o chapéu branco que nunca lhe saia da cabeça. E aqueles olhos. Os mesmos olhos de fundo de rio."
Andriolli Costa mostra mais uma vez porque é um dos grandes mestres da Cultura popular brasileira contemporânea. Nessa coleção de contos ele nos apresenta uma visão moderna e criativa sobre nossos mitos, o que nos faz brasileiros em essência, mas sem nunca deixar de prestar respeito e admiração pelo histórico, pela natureza que faz do nosso folclore tão rico, tão mágico. Seja numa ficção científica, seja num drama ou em um conto caipira, sua prosa é leve e contagiante. Dom que só os verdadeiros contadores de história têm.
Ótimo entretenimento que foge do "comum" ao incluir o folclore brasileiro em contos fantásticos, sem ser forçado.
Os meus preferidos, como sempre, são os contos distópicos. O último conto "Retomada" acho que mereceria virar um romance, parece ser um universo de ficção científica riquíssimo.