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Entre a Espada e a Parede — Diário de um assassino
Não sinto remorsos. Se tenho qualquer coisa contra mim, não é ter matado. O que eu sinto é pena por ter envenenado a minha vida com esta ameaça de prisão.
Mas este «teatral» Tristan Bernard também escreveu romances, na maior parte defendidos da sua fulgurante veia humorística; inesperadas ficções que saíam de outro tom — por vezes amargo e sem nada que o ligasse ao que pontualmente se lia, caucionado pelo seu nome em páginas de revistas e jornais. Foi a sobrevoar esta segunda onda que Bernard, aos sessenta e sete anos de idade, publicou Aux abois (Entre a Espada e a Parede), o seu mais talentoso romance, como já é reconhecido por essa lucidez que a passagem do tempo — a grande varredora de glórias efémeras momento a momento construídas — concede ao julgamento desembaraçado dos compromissos e amiguismos que condicionam com tanta frequência a decisão crítica.
Tem-se dito que Entre a Espada e a Parede é um inegável devedor do Crime e Castigo de Dostoiévski, o mais célebre exemplo literário do acto assassino desmotivado […]; também se diz que foi inspirador do eixo central de L’Étranger de Albert Camus, embora não se conheça uma palavra deste autor que permita dar como firme uma tal filiação.
No que toca a Dostoiévski, depois de alguma semelhança entre os crimes frios do seu Raskolnikov e o deste Duméry, tudo é diferente porque o assassino russo se prolonga numa implacável peregrinação expiatória, enquanto o assassino de Aux abois vive numa ausência de sensação de culpa, numa entrega passiva e com qualquer coisa de entediada aos prazeres que a sua desenvolta situação financeira lhe proporciona.
Duméry está bastante mais próximo do Mersault de Camus; há nas duas narrativas uma história de tempo interior com sucessivas emoções a determinarem a forma como esse tempo se reflecte no tempo exterior; a personagem de Camus não sente, como a de Bernard, remorsos que lhe alterem a energia dos actos de vida, apenas lamenta as consequências práticas — os incómodos da ocultação, a fuga à Justiça — que lhe perturbam a comodidade do quotidiano. Serei ou não uma criatura abominável?, é aqui a crucial interrogação. Não é a pergunta que devo fazer. Verifico isto: não sinto remorsos. Se tenho qualquer coisa contra mim, não é ter matado. O que eu sinto é pena por ter envenenado a minha vida com esta ameaça de prisão.
[Aníbal Fernandes]
160 pages, Paperback
First published January 1, 1933
About the author
Tristan Bernard
205 books1 followerFilho de arquiteto, estudou no Liceu Condorecet, em seguida na faculdade d direito. Começou uma carreira de advogado, virando em seguida para os negócios, assumindo a direção duma usina de alumínio em Creil.Seu amor pelo esporte levou-o a dirigir o Velódromo Buffalo, em Neuilly-sur-Seine. Começou a colaborar com La Revue Blanche em Em 1891, adotando o pseudônimo de Tristan, nome de um cavalo no qual havia apostado com sucesso em publicou seu primeiro romance,Vous m'en direz tant !, em 1894, e no ano seguinte sua primeira peça, Les Pieds nickelés(Os que não gostam de trabalhar ou não podem trabalhar).
Amigo de Léon Blum, Jules Renard, Marcel Pagnol, Lucien Guitry e de muitos artistas, Tristan Bernard se tornou conhecido por causa de seus piadas, seu romances e suas peças ,sem esquecer as palavras cruzadas.
Em 1917, contribuiu com artigos para o jornal Le Canard enchaîné, recentemente criado, presidindo banquetes nas datas aniversárias do jornal em 1931 e 1934.
Durante a ocupação francesa pela Alemanha, ameaçado por causa de suas origens judias, foi preso em Nice e deportado para o Campo de concentração de Drancy. Ao partir para o campo,disse a sua mulher a célebre frase : « Até agora vivíamos na angústia, doravante viveremos na esperança’’. Foi liberto três semanas depois graças a intervenção de Sacha Guitry e da atriz Arletty. Mas seu neto, François, deportado em Mauthausen, nunca voltou, seu desaparecimento deixando Tristan Bernard inconsolável. desaparecimento deixando Tristan Bernard inconsolável.
Ele teve três filhos. O primeiro, Jean-Jacques, foi um autor dramático, criador do « teatro do silêncio» (Martine), que também testemunha sobre os Campos de concentração (O Campo da morte lenta, "O Pão vermelho"). O segundo, Raymond Bernard, foi um grande diretor de cinéma, especialmente com o filme Os Miseráveis, (1934), primeira versão cinematográfica em preto e branco. O terceiro, Étienne, foi professor de medicina, tisiólogo, contribuindo à divulgação do Bacilo de Calmette e Guérin, o BCG.
Amigo de Léon Blum, Jules Renard, Marcel Pagnol, Lucien Guitry e de muitos artistas, Tristan Bernard se tornou conhecido por causa de seus piadas, seu romances e suas peças ,sem esquecer as palavras cruzadas.
Em 1917, contribuiu com artigos para o jornal Le Canard enchaîné, recentemente criado, presidindo banquetes nas datas aniversárias do jornal em 1931 e 1934.
Durante a ocupação francesa pela Alemanha, ameaçado por causa de suas origens judias, foi preso em Nice e deportado para o Campo de concentração de Drancy. Ao partir para o campo,disse a sua mulher a célebre frase : « Até agora vivíamos na angústia, doravante viveremos na esperança’’. Foi liberto três semanas depois graças a intervenção de Sacha Guitry e da atriz Arletty. Mas seu neto, François, deportado em Mauthausen, nunca voltou, seu desaparecimento deixando Tristan Bernard inconsolável. desaparecimento deixando Tristan Bernard inconsolável.
Ele teve três filhos. O primeiro, Jean-Jacques, foi um autor dramático, criador do « teatro do silêncio» (Martine), que também testemunha sobre os Campos de concentração (O Campo da morte lenta, "O Pão vermelho"). O segundo, Raymond Bernard, foi um grande diretor de cinéma, especialmente com o filme Os Miseráveis, (1934), primeira versão cinematográfica em preto e branco. O terceiro, Étienne, foi professor de medicina, tisiólogo, contribuindo à divulgação do Bacilo de Calmette e Guérin, o BCG.
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Displaying 1 - 18 of 18 reviews
May 5, 2024
çok büyük sürpriz oldu, asla bu denli etkileyici bir roman olabileceğini düşünmemiştim. suç kavramına ilişkin bir başka bakış açısı daha kazandırma gayretinde ve özellikle son cümlesiyle işin içine devleti de katarak toplum-birey eksenine çevirişi çok şık. anlatımının kesik kesikliği de keza dinamizm katıyor kitaba. alkollü kafayla başlayıp ayık kafayla vedalaştığım, benim için hayli beklenmedik bir hazine oldu. çok sevdim.
May 17, 2024
3.5/5
Adı üstünde gerçekten de bir katilin günlüğünü okuyoruz. Karakterimiz cinayeti tasarlamasından işlemesine ve sonrasında başına gelenlere kadar her şeyi tek tek anlatıyor. Özellikle bir katilin ruh halini yansıtması açısından çok başarılı buldum. 90 sene önce yazılmış olmasına rağmen temposu ve güncelliği de oldukça kayda değer. Tek eksiği biraz fazla düz bir anlatı olması. Yani kabaca başladığı gibi bitmesi. Cinayetin sadece bireysel değil de toplumsal/politik yönünü de işin için katsa -ki hakkını yemeyeyim en son bölümde buna da ufacık göz kırpıyor- tadından yenmezmiş ama bu haliyle de gayet iyi bir metin.
Adı üstünde gerçekten de bir katilin günlüğünü okuyoruz. Karakterimiz cinayeti tasarlamasından işlemesine ve sonrasında başına gelenlere kadar her şeyi tek tek anlatıyor. Özellikle bir katilin ruh halini yansıtması açısından çok başarılı buldum. 90 sene önce yazılmış olmasına rağmen temposu ve güncelliği de oldukça kayda değer. Tek eksiği biraz fazla düz bir anlatı olması. Yani kabaca başladığı gibi bitmesi. Cinayetin sadece bireysel değil de toplumsal/politik yönünü de işin için katsa -ki hakkını yemeyeyim en son bölümde buna da ufacık göz kırpıyor- tadından yenmezmiş ama bu haliyle de gayet iyi bir metin.
February 11, 2025
Bir monolog okuyoruz Bernard’ın kitabında. Paul Dumery; hayatında sorunlar yaşayan, maddi zorluklarla karşı karşıya kalan ve gittikçe çıkmaza sürüklenen “sıradan” bir adamdır. Toplumda dikkat çekmeyen, hiçbir suç kaydı olmayan, kendi halinde yaşayan Paul; çaresizliğinin son raddesinde iken ani bir dürtü ile karar verir ve bir cinayet işler. Ancak ortada bir problem vardır; Paul işlediği cinayete dair en ufak bir pişmanlık duymamaktadır. Soğukkanlılıkla yolculuğa çıkmaya karar verir ve kurbanından çaldığı paralarla otellerde kalarak cinayet haberini gazetelerde okumayı bekler. Yakalanma korkusu, paranoyası ve yaşadığı stres yüzünden uykusuzluk problemi çekse de Paul; kendisini bir katil olarak görmeyi reddeder günlüğüne yazdığı satırlarda.
Her ne kadar Suç ve Ceza’yı başlarda andırsa da Dumery’i Raskolnikov’dan ayıran çok büyük bir özellik var; herhangi bir vicdani rahatsızlık hissetmemesi. Raskol’u sevmemizin en büyük nedeni olan vicdan muhasebesi Paul ile uzaktan yakından benzeşmiyor. Kumar oynuyor, otel değiştirip sinemaya gidiyor, üçüncü sayfada haberi gördükten sonra rahat bir uyku bile çekiyor Dumery. Kitap boyunca birçok duyguyu bir anda yaşıyor karakter. Bazen seviniyor bazen korkuyor, bin anda ruh hali değişiyor ve kendini haklı çıkaracak nedenler buluyor.
Ancak Paul ile ilgili şöyle bir izlenim oluştu bende okurken; onu tamamen suçlu göremedim ama masum da değildi. Yer yer bencil olsa da bazı anlarda hele ki sonlarda yaşadığı korku ona acımama neden oldu. Tarihler ilerledikçe Paul’ün psikolojik çöküşünü günlüğün satırlarında okumak ve zihninin derinliklerini gözlemlemek çok etkileyiciydi. Yine iyi ki dediğim kitaplardan biri daha…
Her ne kadar Suç ve Ceza’yı başlarda andırsa da Dumery’i Raskolnikov’dan ayıran çok büyük bir özellik var; herhangi bir vicdani rahatsızlık hissetmemesi. Raskol’u sevmemizin en büyük nedeni olan vicdan muhasebesi Paul ile uzaktan yakından benzeşmiyor. Kumar oynuyor, otel değiştirip sinemaya gidiyor, üçüncü sayfada haberi gördükten sonra rahat bir uyku bile çekiyor Dumery. Kitap boyunca birçok duyguyu bir anda yaşıyor karakter. Bazen seviniyor bazen korkuyor, bin anda ruh hali değişiyor ve kendini haklı çıkaracak nedenler buluyor.
Ancak Paul ile ilgili şöyle bir izlenim oluştu bende okurken; onu tamamen suçlu göremedim ama masum da değildi. Yer yer bencil olsa da bazı anlarda hele ki sonlarda yaşadığı korku ona acımama neden oldu. Tarihler ilerledikçe Paul’ün psikolojik çöküşünü günlüğün satırlarında okumak ve zihninin derinliklerini gözlemlemek çok etkileyiciydi. Yine iyi ki dediğim kitaplardan biri daha…
September 20, 2020
A Editora Sistema Solar, dedicada aos clássicos do século 19, seja qual for a nacionalidade dos seus autores, sempre me ofereceu títulos extraordinários, acompanhados da tradução e prefácios de Aníbal Fernandes, entendidos, ao meu ver, como uma mais valia transversal a todos os títulos publicados e que tive a oportunidade de conhecer.
Sendo certo que o Sistema Solar produziu a maior parte das publicações de um dos meus autores de eleição – o americano naturalizado britânico Henry James cuja casa em Rye, no sul da Inglaterra, conhecida como Lamb House, será, um dia, objeto de uma viagem literária -, tive a oportunidade de me apropriar de outros títulos, não menos interessantes, como os de autores como Joris-Karl Huysmans (o Sistema Solar acabou de publicar um dos seus romances mais notáveis, “Ao Arrepio”). E ao encomendarmos um livro diretamente na Editora, eles enviam, por cortesia, um outro não menos interessante. Fica a dica.
“Entre a Espada e a Parede” (Aux Abois, Journal d’un Meurtrier, no original) não foge à regra. Nunca tinha ouvido falar de Tristan Bernard e, muito por força do excelente prefácio de Aníbal Fernandes, tive a oportunidade de travar conhecimento com esse romancista, dramaturgo, jornalista, figura algo marginal da história da literatura francesa de oitocentos, e que muito me agradou. Sendo este o único título de Bernard publicado, até à data, em Portugal, não me poderei pronunciar sobre outros seus trabalhos sendo certo, porém, de que esta narrativa, não tão incomum nos seus propósitos originais – Aníbal Fernandes estabelece um paradoxo entre “Crime e Castigo” de Dostoiévski, “O Estrangeiro” de Camus (que ainda não li) e este “Entre a Espada e a Parede” naquilo que as personagens principais trazem de intensidade dramática a todo o enredo.
E é por aí que temos de nos munir de alguma abstração para nos apropriar da história de Paul Duméry (o livro já passou a metade quando conhecemos a identidade da personagem principal) que, logo no início nos informa de que “o facto de eu ter morto um homem não me tinha mudado o carácter” e só essa acessão faz com que nos coloquemos do seu lado desde o primeiro momento. Não se trata de um thriller se pensarmos naquilo que a literatura e a televisão nos habituou.
Sabemos, desde o início, quem cometeu o crime e as suas motivações. Se assim não fosse, a narrativa cairia na banalidade, no prosaísmo, no recuar das intencionalidades do seu autor.
A forma epistolar que o autor decidiu adotar para nos dar a conhecer a hediondeza de um crime cometido, é absolutamente notável já que nos permite acompanhar o dia a dia, os sentimentos sublimares de um assassino confesso de um crime passional – e aqui o passional não adjetiva o amor, a paixão carnal entre dois seres, mas sim o amor, a paixão carnal pelo dinheiro -, que o levaria aos calabouços da penitenciária.
Creio que o maior valor de “Entre a Espada e a Parede” resida, precisamente, no conhecimento de uma mente que, sem qualquer tipo de pudor, confessa um crime que cometera sem nenhum remorso, sentimento esse capaz de lhe meter medo ou aterrorizar. Perscrutando no mais profundo do seu ser, Dumery reflete: “Não é o remorso que me atormenta. Na verdade, bem posso fazer buscas no fundo de mim próprio: não existe lá nenhum remorso. Serei ou não uma criatura abominável?”.
Sem sequer pretender atenuar a culpa de um ato hediondo, Paul Dumery aceita um destino inexorável. Mas será esse o seu próprio destino? A pena de morte? De que formas, com que tipo de raciocínio, como as questões se apresentam na vida no momento da morte? Sabendo que cometemos um crime, que pagaremos por ele com a vida, até que ponto nos mantemos interessados?
Romance psicológico que vale mais pelas questões que coloca à experiência do ser humano enquanto ser social e à forma como as ultrapassa enquanto ser moral. As suas dúvidas, as suas observações, as compleições de uma traição entre o ser e o não ser, entre o querer e o poder, entre o dever e a culpa. Mas até que ponto todas essas elucubrações se manifestarão no espírito de Paul Dumery?
Com um final imprevisível, “Entre a Espada e a Parede”, Tristan Bernard entrou na minha galeria de autores-que-vale-a-pena-conhecer-melhor! Espero não sair defraudada.
Sendo certo que o Sistema Solar produziu a maior parte das publicações de um dos meus autores de eleição – o americano naturalizado britânico Henry James cuja casa em Rye, no sul da Inglaterra, conhecida como Lamb House, será, um dia, objeto de uma viagem literária -, tive a oportunidade de me apropriar de outros títulos, não menos interessantes, como os de autores como Joris-Karl Huysmans (o Sistema Solar acabou de publicar um dos seus romances mais notáveis, “Ao Arrepio”). E ao encomendarmos um livro diretamente na Editora, eles enviam, por cortesia, um outro não menos interessante. Fica a dica.
“Entre a Espada e a Parede” (Aux Abois, Journal d’un Meurtrier, no original) não foge à regra. Nunca tinha ouvido falar de Tristan Bernard e, muito por força do excelente prefácio de Aníbal Fernandes, tive a oportunidade de travar conhecimento com esse romancista, dramaturgo, jornalista, figura algo marginal da história da literatura francesa de oitocentos, e que muito me agradou. Sendo este o único título de Bernard publicado, até à data, em Portugal, não me poderei pronunciar sobre outros seus trabalhos sendo certo, porém, de que esta narrativa, não tão incomum nos seus propósitos originais – Aníbal Fernandes estabelece um paradoxo entre “Crime e Castigo” de Dostoiévski, “O Estrangeiro” de Camus (que ainda não li) e este “Entre a Espada e a Parede” naquilo que as personagens principais trazem de intensidade dramática a todo o enredo.
E é por aí que temos de nos munir de alguma abstração para nos apropriar da história de Paul Duméry (o livro já passou a metade quando conhecemos a identidade da personagem principal) que, logo no início nos informa de que “o facto de eu ter morto um homem não me tinha mudado o carácter” e só essa acessão faz com que nos coloquemos do seu lado desde o primeiro momento. Não se trata de um thriller se pensarmos naquilo que a literatura e a televisão nos habituou.
Sabemos, desde o início, quem cometeu o crime e as suas motivações. Se assim não fosse, a narrativa cairia na banalidade, no prosaísmo, no recuar das intencionalidades do seu autor.
A forma epistolar que o autor decidiu adotar para nos dar a conhecer a hediondeza de um crime cometido, é absolutamente notável já que nos permite acompanhar o dia a dia, os sentimentos sublimares de um assassino confesso de um crime passional – e aqui o passional não adjetiva o amor, a paixão carnal entre dois seres, mas sim o amor, a paixão carnal pelo dinheiro -, que o levaria aos calabouços da penitenciária.
Creio que o maior valor de “Entre a Espada e a Parede” resida, precisamente, no conhecimento de uma mente que, sem qualquer tipo de pudor, confessa um crime que cometera sem nenhum remorso, sentimento esse capaz de lhe meter medo ou aterrorizar. Perscrutando no mais profundo do seu ser, Dumery reflete: “Não é o remorso que me atormenta. Na verdade, bem posso fazer buscas no fundo de mim próprio: não existe lá nenhum remorso. Serei ou não uma criatura abominável?”.
Sem sequer pretender atenuar a culpa de um ato hediondo, Paul Dumery aceita um destino inexorável. Mas será esse o seu próprio destino? A pena de morte? De que formas, com que tipo de raciocínio, como as questões se apresentam na vida no momento da morte? Sabendo que cometemos um crime, que pagaremos por ele com a vida, até que ponto nos mantemos interessados?
Romance psicológico que vale mais pelas questões que coloca à experiência do ser humano enquanto ser social e à forma como as ultrapassa enquanto ser moral. As suas dúvidas, as suas observações, as compleições de uma traição entre o ser e o não ser, entre o querer e o poder, entre o dever e a culpa. Mas até que ponto todas essas elucubrações se manifestarão no espírito de Paul Dumery?
Com um final imprevisível, “Entre a Espada e a Parede”, Tristan Bernard entrou na minha galeria de autores-que-vale-a-pena-conhecer-melhor! Espero não sair defraudada.
October 31, 2020
De quando em quando sou surpreendida com um autor que desconhecia e um livro que nunca tinha reparado. Um amigo presenteou me com o que mais aprecio. Um mimo.
Diário de um assassino. Um solitário, que por dinheiro matou mas não sente culpa. Apenas o inquieta a possibilidade de ser preso. E o mais incrível é que o leitor sente empatia por este narrador que não manifesta agressividade e gosta de alinhar os seus pensamentos por escrito quando não consegue dormir.
E que bem que escreve. Não se trata de uma escrita datada, com uma linguagem arcaica e rebuscada, de difícil compreensão, antes precisa e fluida, contida até, para uma narrativa corrida da vida de um homem. Um homem, que ao contrário do que eu imaginei, não era um serial-killer ou um mercenário. Um homem simples e bem educado. Brilhante!
Diário de um assassino. Um solitário, que por dinheiro matou mas não sente culpa. Apenas o inquieta a possibilidade de ser preso. E o mais incrível é que o leitor sente empatia por este narrador que não manifesta agressividade e gosta de alinhar os seus pensamentos por escrito quando não consegue dormir.
E que bem que escreve. Não se trata de uma escrita datada, com uma linguagem arcaica e rebuscada, de difícil compreensão, antes precisa e fluida, contida até, para uma narrativa corrida da vida de um homem. Um homem, que ao contrário do que eu imaginei, não era um serial-killer ou um mercenário. Um homem simples e bem educado. Brilhante!
November 20, 2025
Raskolnikovun mənəvi rahatlıq tapmayan versiyası Paul!
Read
March 2, 2025Gerçek adıyla Paul Bernard, bizim bildiğimiz ismiyle Tristan Bernard, 1891 yılında at yarışlarına merak sarmış ve Tristan adlı ata oynayarak büyük meblağlar kazanmış. Daha sonra da bu ismi mahlas olarak kullanmıştır.
Bir günlük şeklinde kaleme alınan romanın kahramanı Paul Dumery’dir. İsmini kitabın sonlarında ancak öğrenebildiğim “katil” Paul Dumery, otuz dört yaşında, meteliğe kurşun atan, karısı tarafından terk edilmiş, eski bir sigortacıdır. Çektiği parasal sıkıntının çözümünü tefecilik yaptığı için çok parası olduğunu düşündüğü Sarrebry de bulur. Para düşüncesi onu daha çok kışkırtır ve bir gece, zihninden ağır bir suç işleyip işlemeyeceğine dair düşünceler geçirerek, borç almak için Sarrebry’nin kapısını çalar ve sonrasında monolog şeklinde ilerleyen kitapta Paul’un günü gününe yaşadıklarına tanıklık ederiz. Aslında Fransa’da yaşayan ve sıradan bir insan olan, hiç suç işlemeyeceğine inanan ve para yüzünden işlediği bir cinayetin ardından bile “katil” damgasını kendisine konduramayan bir adamın trajik hikayesi anlatılıyor. İşlediği cinayetin ardından ikilemler ve tereddütler yaşayan katil, başına gelenlere son derece mesafeli yaklaşmasını sağlayan soğukkanlı tavrıyla kaçma ve saklanma psikolojisiyle baş edebileceğini düşünse de, hayat onun için farklı sürprizler karşısına çıkartıyor. Kısaca Bernard, hem özgürken hem de tutukluyken var oluş sıkıntısı çeken, işlediği cinayeti mantıksal bir düzleme oturtmaya uğraşan huzursuz bir adam portresi çiziyor Bir Katilin Günlüğü’nde.
Tristan Bernard Fransız oyun yazarı, romancı, gazeteci ve avukattır. 70 civarında oyunu ve çoğu polisiye-gizem türünde toplam 21 romanı bulunan Tristan Bernard’ın ilk olarak 1933 yılında yayımlanan Bir Katilin Günlüğü, Hayrettin Yıldız çevirisiyle okurlarına sunulmuştur.
Keyifli okumalar..
Bir günlük şeklinde kaleme alınan romanın kahramanı Paul Dumery’dir. İsmini kitabın sonlarında ancak öğrenebildiğim “katil” Paul Dumery, otuz dört yaşında, meteliğe kurşun atan, karısı tarafından terk edilmiş, eski bir sigortacıdır. Çektiği parasal sıkıntının çözümünü tefecilik yaptığı için çok parası olduğunu düşündüğü Sarrebry de bulur. Para düşüncesi onu daha çok kışkırtır ve bir gece, zihninden ağır bir suç işleyip işlemeyeceğine dair düşünceler geçirerek, borç almak için Sarrebry’nin kapısını çalar ve sonrasında monolog şeklinde ilerleyen kitapta Paul’un günü gününe yaşadıklarına tanıklık ederiz. Aslında Fransa’da yaşayan ve sıradan bir insan olan, hiç suç işlemeyeceğine inanan ve para yüzünden işlediği bir cinayetin ardından bile “katil” damgasını kendisine konduramayan bir adamın trajik hikayesi anlatılıyor. İşlediği cinayetin ardından ikilemler ve tereddütler yaşayan katil, başına gelenlere son derece mesafeli yaklaşmasını sağlayan soğukkanlı tavrıyla kaçma ve saklanma psikolojisiyle baş edebileceğini düşünse de, hayat onun için farklı sürprizler karşısına çıkartıyor. Kısaca Bernard, hem özgürken hem de tutukluyken var oluş sıkıntısı çeken, işlediği cinayeti mantıksal bir düzleme oturtmaya uğraşan huzursuz bir adam portresi çiziyor Bir Katilin Günlüğü’nde.
Tristan Bernard Fransız oyun yazarı, romancı, gazeteci ve avukattır. 70 civarında oyunu ve çoğu polisiye-gizem türünde toplam 21 romanı bulunan Tristan Bernard’ın ilk olarak 1933 yılında yayımlanan Bir Katilin Günlüğü, Hayrettin Yıldız çevirisiyle okurlarına sunulmuştur.
Keyifli okumalar..
July 19, 2024
Ne zaman ne olacağını insan kestiremeyebilir...
~~~Yazıyorum,
çünkü konuşabileceğim kimse yok~~~
En temelde bulunan boşluk her defasında bu noktaya varıyor...
Ölenin bitirdiği iç muhasebeler, katil için en derinden yeni başlar aslında...
"Para" toplumun en önemli meselesidir, duygusudur, merhametidir, psikolojik savaşıdır, uğruna işlenen cinayetleridir...
~~~Varlığımızın gereğini yerine getirmek için didinirken ne o bir kurbanı andırıyordu ne de ben bir katili~~~
Katilin girdiği duygu durumları ya da duygusuzluğu, tereddütleri, vurdum duymazlığı, tedirginlikleri, kendini alıştırdığı en tepkisiz hali, unutulacak zaten, ben de hayatıma devam edeceğim tavrı, sonrasında girdiği yalnızlıklar, ihtiyaç hissettiği varoluşlar, sonunda bıraktığı yaşam çabası çok derinden etkileyen psikolojik durumlardı, her bir durum ayrı etkiledi beni. Ayrıntıdan okuduğum en güzel kitaplardan biri oldu... Kitabı elime aldıktan sonra soluksuz okuduğum kitap oldu, hatta gece uyanıp alıntı paylaşmadan bı an önce bitirmek istedim, iyi ki hemen alıp okumuşum***
~~~gerçek bir esaret kadar insandaki devrim duygusunu tetikleyen başka bir his yoktur. Yaşam kendi yatağında akarken engeller dikkatimizi çekmez pek. Kendimizi olağanüstü özgür sanırız. Bu yanılgı uyuşturur bizi~~~
~~~Yazıyorum,
çünkü konuşabileceğim kimse yok~~~
En temelde bulunan boşluk her defasında bu noktaya varıyor...
Ölenin bitirdiği iç muhasebeler, katil için en derinden yeni başlar aslında...
"Para" toplumun en önemli meselesidir, duygusudur, merhametidir, psikolojik savaşıdır, uğruna işlenen cinayetleridir...
~~~Varlığımızın gereğini yerine getirmek için didinirken ne o bir kurbanı andırıyordu ne de ben bir katili~~~
Katilin girdiği duygu durumları ya da duygusuzluğu, tereddütleri, vurdum duymazlığı, tedirginlikleri, kendini alıştırdığı en tepkisiz hali, unutulacak zaten, ben de hayatıma devam edeceğim tavrı, sonrasında girdiği yalnızlıklar, ihtiyaç hissettiği varoluşlar, sonunda bıraktığı yaşam çabası çok derinden etkileyen psikolojik durumlardı, her bir durum ayrı etkiledi beni. Ayrıntıdan okuduğum en güzel kitaplardan biri oldu... Kitabı elime aldıktan sonra soluksuz okuduğum kitap oldu, hatta gece uyanıp alıntı paylaşmadan bı an önce bitirmek istedim, iyi ki hemen alıp okumuşum***
~~~gerçek bir esaret kadar insandaki devrim duygusunu tetikleyen başka bir his yoktur. Yaşam kendi yatağında akarken engeller dikkatimizi çekmez pek. Kendimizi olağanüstü özgür sanırız. Bu yanılgı uyuşturur bizi~~~
June 27, 2024
Yoğun ve sıkıntılı bir süreçte rahatlamak için elime aldım bu kitabı. Umduğumun çok ötesinde bir metinle karşılaştım. İlk kez tanıştığım #TristanBernard bir katilin anatomisini öyle güzel çiziyor ki, olaydan çok anlatıma odaklanıyorsunuz. Gerilimi mizahi bir üslupla sunarken hayata dair bir çok sorunun önünü de açıyor.
Sıklıkla “dead man walking” filmini hatırlattı bana.
Paul Dumery‘nin güncesinden bir kaç alıntı düşüyorum buraya.
(…)
Toplum denen organizma yapılması gereken işler için tedbir almayı ihmal etmez. Sonuna kadar donanımlıdır bu hususta. ayrıca sadece Tanrı ve katiller değildir, bir insanın nasıl öldürüleceğini bilen. Kaderimizin insanlar tarafından tayin edilmesinin yanısıra, başımıza neyin geleceğini önceden bilebilmemizdir.
Onun dışındakiler, sizler hepiniz geriye doğru giden bir arabada geleceğe doğru yol alıyorsunuz. Bindiğiniz külüstürün ne zaman meçhul bir engele takılacağından bir habersiniz...
Sıklıkla “dead man walking” filmini hatırlattı bana.
Paul Dumery‘nin güncesinden bir kaç alıntı düşüyorum buraya.
(…)
Toplum denen organizma yapılması gereken işler için tedbir almayı ihmal etmez. Sonuna kadar donanımlıdır bu hususta. ayrıca sadece Tanrı ve katiller değildir, bir insanın nasıl öldürüleceğini bilen. Kaderimizin insanlar tarafından tayin edilmesinin yanısıra, başımıza neyin geleceğini önceden bilebilmemizdir.
Onun dışındakiler, sizler hepiniz geriye doğru giden bir arabada geleceğe doğru yol alıyorsunuz. Bindiğiniz külüstürün ne zaman meçhul bir engele takılacağından bir habersiniz...
February 27, 2026
Tristan Bernard, Bir Katilin Günlüğü’nde suçu bir olay olarak değil, bir bilinç hâli olarak ele alıyor. Günlük formu sayesinde okur, bir cinayetin dramatik dış yüzüne değil, failin zihinsel meşrulaştırma sürecine tanıklık ediyor. Katilin kendini haklı görmesi metnin en sarsıcı yanı. Çünkü burada kötülük patolojik bir çılgınlık değil; sıradan, hesapçı ve neredeyse mantıklı bir zihin yapısının ürünü. Bernard’ın dili sade ama ironisi derin. Metin kısa olmasına rağmen okurun zihninde uzun süre kalıyor. Asıl ürpertici olan, katilin bizden tamamen farklı olmaması. Bu kitap, insanın kendi karanlığını ne kadar kolay normalleştirebildiğini gösteren incelikli bir metin.
July 26, 2024
Bu romanın hem avantajı hem de dezavantajı, kendinden önceki ve sonraki birçok metne göz kırpması: Dostoyevski'nin "Suç ve Cezası" ile Hugo'nun "Bir İdam Mahkumunun Son Günü" öncülleri kabul edilebilir; ardılları ise Simenon'un "Yaşamak Hırsı", Camus'nun "Yabancı"sı ve günlük formatı nedeniyle biraz da Sartre'ın "Bulantı"sı. Açıkçası metin biraz kuru ama mesele de bu zaten: Vicdan muhasebesi hiç yok katilimizin; yakalanma korkusu ise had safhada. Son iki sayfadaki sürpriz ise gerçekten şaşırtıcıydı.
October 3, 2025
Sıradan bir adamın borçlar, hayal kırıklıkları ve çaresizlik içinde nasıl bir katile dönüştüğünü çarpıcı bir şekilde anlatıyor. Günlükler aracılığıyla karakterin vicdanını susturmuş ama korkularına yenik düşen yanını okuyoruz. Sadece bir cinayet romanı değil; insan doğasının karanlık taraflarına dair düşündürücü bir inceleme.
March 14, 2024
Livro cativante e com bom ritmo. É interessante ver como quase 100 anos depois da escrita, quase tudo se podia passar nos dias de hoje.
Menos uma estrela por a tradução usar palavras estranhas como "lornhão" e o fim não ser assim imprevisível.
Menos uma estrela por a tradução usar palavras estranhas como "lornhão" e o fim não ser assim imprevisível.
November 15, 2025
Trompé par sa femme, Paul Duméry est un être amer et cynique. Ruiné et pris à la gorge par des problèmes financiers, il s'adresse à un prêteur sur gages qui lui refuse ses services. Sans solution comment se sortir de cette impasse ?
Une anxiété sourde envahit Paul et chaque cellule de son corps le sait : il a besoin d'argent, beaucoup d'argent et rapidement. Alors, pourquoi ne pas tenter le tout pour le tout ? D'un coup, l'acte irréparable est commis. Voici donc la naissance d'un ass*ssin dont le lecteur suivra le journal intime.
Ne demandez pas à Paul des conseils de bricolage et quoi faire avec un marteau, vous risqueriez d'être surpris. Implacablement.
C'est alors tout un jeu intérieur du chat et de la souris qui commence. Qui arrivera à faire son coup à l'autre ? Celui qui ne veut pas se faire attraper par la police ou celui qui est déçu de ne pas avoir droit à de plus gros titres que ça dans les journaux ?
Paul s'amuse avec la date limite de sa vie en lançant une pièce au destin pour voir sur quelle face elle tombera. Peu importe au final, les deux faces sont identiques : celle d'un sombre c*nnard qui se la joue « Catch me if you can » version sociopathe supplément petit c*n arrogant et méprisant.
Un roman somme toute sympathique.
Une anxiété sourde envahit Paul et chaque cellule de son corps le sait : il a besoin d'argent, beaucoup d'argent et rapidement. Alors, pourquoi ne pas tenter le tout pour le tout ? D'un coup, l'acte irréparable est commis. Voici donc la naissance d'un ass*ssin dont le lecteur suivra le journal intime.
Ne demandez pas à Paul des conseils de bricolage et quoi faire avec un marteau, vous risqueriez d'être surpris. Implacablement.
C'est alors tout un jeu intérieur du chat et de la souris qui commence. Qui arrivera à faire son coup à l'autre ? Celui qui ne veut pas se faire attraper par la police ou celui qui est déçu de ne pas avoir droit à de plus gros titres que ça dans les journaux ?
Paul s'amuse avec la date limite de sa vie en lançant une pièce au destin pour voir sur quelle face elle tombera. Peu importe au final, les deux faces sont identiques : celle d'un sombre c*nnard qui se la joue « Catch me if you can » version sociopathe supplément petit c*n arrogant et méprisant.
Un roman somme toute sympathique.
October 12, 2022
Um livro interessantíssimo. O protagonista-narrador deve muito a Raskolnikov, mas antecipa, em parte, Mersault. A parte que antecede a prisão é particularmente boa. Ótima tradução de Aníbal Fernandes.
July 27, 2023
Ça m'a rappelé L'Étranger d'Albert Camus... Peut-être que Camus s'est inspiré de lui.🧡
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