Enquanto escreve a biografia de Roger Deu, Virginia Woolf lembra-se de um comentário de sua irmã, Vanessa. Ela havia dito que se Woolf não começasse a escrever suas memórias, logo estaria velha demais para isso. O ano é 1939 e a fala da irmã funciona como um gatilho para que a escritora comece a esboçar seu passado. A empreitada ocorre em meio a uma série de reflexões de Woolf sobre as maneiras de retratar suas lembranças e os significados por trás de cada uma delas. A autora começa escrevendo livremente, mas após algumas páginas agora a forma do diário, marcando as datas dos textos. Quando esta mudança ocorre, Woolf justifica-se dizendo ter descoberto a forma de seu texto. A presença da data, além de ser comum na prática diarística, teria como objetivo fazer com que o "eu" do presente reflita sobre o "eu" do passado, elemento essencial desta obra.
(Adeline) Virginia Woolf was an English novelist and essayist regarded as one of the foremost modernist literary figures of the twentieth century.
During the interwar period, Woolf was a significant figure in London literary society and a member of the Bloomsbury Group. Her most famous works include the novels Mrs. Dalloway (1925), To the Lighthouse (1927), and Orlando (1928), and the book-length essay A Room of One's Own (1929) with its famous dictum, "a woman must have money and a room of her own if she is to write fiction."
como termino todo livro de V.W. os detalhes rememorados com esmero é lindo e assustador. uma virginia humana, palpável, alma-irmã encontro aqui.
da metade para o final me senti muito próxima a ela. com muitas angustias espelho. ao ponto de perceber até, que tivemos figuras paternas muito semelhantes.
o esboço do passado lembrou para mim, a inexistência do anacronismo quando assunto é existencial. é preciso muita coragem pra alcançar essa crueza. gigante, nossa Woolf 🤍
ps:. no mesmo mês, vi o filme "Orlando" do Paul B. Preciado que tornou a leitura ainda mais completa.
Una manera excel•lent de desmitificar l'autora i veure les inquietuds i els dubtes que tenia. El que més m'ha agradat és la manera com es descriu i com percep la creativitat i el món que l'envolta.
Não gosto de biografias e conheço pouquíssimo da Virgínia Wolf, e mesmo assim achei incrível. A escrita, as ideias, o encadeamento é maravilhoso. Quisera eu ter essa capacidade quando escrever sobre minha vida
Estar na mente de Virgínia Woolf foi um presente. Apesar da morte de sua mãe quando ela era apenas uma adolescente de 15 anos, apesar da morte de sua irmã mais velha três anos após a partida da mãe (e que fazia esse papel, com 21/22 anos), apesar de ser uma mulher tão a frente de sua época e conviver conviver com o machismo da era vitoriana (ela cita viver na era eduardiana, porém seu pai passou o legado vitoriano para seus irmãos). Apesar dos pesares, ela era uma grande mulher e escritora.
Penso na Virgínia se tivesse nascido em anos mais recentes. Li o livro Orlando e Um Teto Todo Seu. Me pergunto quantos livros feministas e queer a querida escreveria.
Sei que Virginia Woolf é aclamada por seus romances, mas tenho uma paixão intimista por seus textos de não-ficção. Este livro, em especial, traz um aspecto da escrita de Virginia que eu não conhecia: seu tom memorialista, compartilhando fragmentos de sua infância, as dores oriundas dos vários lutos familiares desde a juventude e sua consciência apurada sobre as violências literais e simbólicas vividas pelas mulheres nas sociedades vitorianas. A beleza da sua escrita e seu olhar descritivo sobre o passado possibilitam que as leitoras conheçam uma fase mais pessoal e saudosista da autora.
Toda releitura desse ensaio autobiográfico acaba por desvelar novos segredos, escondidos na composição de cada uma de suas entradas (quase em formato de diário). A própria cadência de "Um esboço do Passado" vai revelando mais conexões do que podemos intuir em uma leitura inicial - o que antes parece errático, esse escavar de memórias, se transfigura em uma rede de relações ambivalentes e complexas, mas profundamente coesas. Um ensaio no qual Woolf se abre para nós, leitores e leitoras, enquanto um conjunto de cenas, interdependentes, mas também estonteantes em suas respectivas singularidades.
Minha primeira experiência com Virginia Woolf foi com essa autobiografia desestruturada. Há trechos muito belos, reflexões poéticas e filosóficas a partir da vida cotidiana, tão fortemente caracterizada pela rotina e repleta de momentos de "não ser". Por outro lado, as descrições de paisagens, cômodos, etc. me deixaram um tanto entediada (questão de fase / gosto pessoal mesmo). Também é uma ótima forma de conhecer sobre a vida da autora.
Adentrar em parte na vida de Virginia Woolf é algo profundo. São várias camadas, onde se nota como traumas são carregados ao longo da vida e como a maturidade vai atenuando, ou não... cada um deles.
Confesso que esse livro me fez chorar mais de 1 vez e que lembranças de família são fortes, trazendo momentos especiais e traumáticos.
I love you V.W. You get me. I feel just as sorrowful from reading about your mothers absence and the impact of that on your life as I feel about my own mother in my own life, and you older sister, and your feelings towards society, and towards your position in society as a women.
A tradução de Ana Maria Mesquita para a biografia de Virgínia Woolf é bastante precisa e mantém a prosa poética, bem como o destaque dado à infância e adolescência da autora, vividas durante a Era Vitoriana. As passagens onde Woolf descreve o dia a dia na alta sociedade vitoriana são magistrais: irônicas e devastadoras; retratada por uma observadora astuta e perspicaz, a hipocrisia e o jogo de poder são os maiores destaques daquela época .
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Woolf a parer mio descrive meglio le persone dei paesaggi, ambienti, situazioni ed è una cosa che mi ha sempre sbalordita di lei. Intreccia magistralmente tratti fisici e interiori, ritrae le persone sospese nello spazio o in un certo tempo… alla fine sembrano assolutamente credibili. In generale ha una sonorità tutta sua nel far comprendere certi processi e meccanismi interiori, meglio ancora del raccontare fatti ed eventi.
Questo tentativo di biografia, più che nella completezza trova radice in sole e certe memorie, in sole e certe tracce. Leggerlo è stato un lasciarmi portare affidandomi alla sua capacità descrittiva, piena di intelligenza emotiva, piena di concretezza e sospensione.
Naturale, incompleto, non esaustivo seppur competente. È esattamente quello che ci si ritrova in mano nel rispiegarsi la propria vita. Mettiamo tutte le carte in tavola ma non tutte sono trasparenti, non tutte vengono ritrovate.