Por que o estupro é um crime ainda tão comum no Brasil? Por que a vítima muitas vezes é tão – ou mais – julgada pela sociedade do que o próprio criminoso? Por que é tão difícil fazer uma denúncia?
Após quatro anos de pesquisas, viagens pelo país e mais de 100 entrevistas com vítimas e familiares, criminosos, psiquiatras e diversos especialistas no assunto, a jornalista Ana Paula Araújo escreve Abuso - a cultura do estupro no Brasil com coragem e sem meias-verdades.
A obra é uma reportagem que trata do medo e vergonha das vítimas, de como elas são julgadas e muitas vezes culpabilizadas pela sociedade e pelo poder público, das dificuldades para denunciar, dos caminhos para superar o trauma e seguir em frente e como atitudes tão entranhadas em nossa sociedade geraram uma verdadeira cultura do estupro em nosso país. Ela também auxilia as vítimas a utilizarem os meios de denúncia disponíveis no país, como o disque 100, e esclarece sobre o direito ao aborto decorrente de estupro, que é autorizado por lei sem que haja queixa na polícia.
Ana Paula analisa casos que chocaram os brasileiros e outros tantos que, apesar de bárbaros, ficaram perdidos em meio ao constrangimento das vítimas e à lentidão da lei para mostrar como o estupro afeta toda a rede familiar e deixa marcas indestrutíveis na vida de quem o sofre. Ela acompanha todo o caminho das vítimas por justiça e mostra todas as facetas e implicações desse crime tão cruel e, infelizmente, tão corriqueiro no Brasil.
Abuso é uma obra ousada, pesquisada com apuro e escrita com imensa sinceridade por uma das mais importantes jornalistas em atividade no país. Porém, mais do que tudo isso, Abuso é um livro extremamente necessário, que precisa ser lido por todos.
Livro mais que importante: NECESSÁRIO. Ana Paula consegue fazer um panorama importante por alguns lugares do Brasil a respeito de casos de estupros que dizimam a qualidade de vida das vítimas. A mesma também presta esclarecimentos de termos e correlações com o crime de estupro e suas nuances como assédio e aborto. É uma obra de grande valor social e, certamente, um divisor de águas sobre o conteúdo não apenas no Brasil mas também no mundo do jornalismo.
Termino este livro triste e machucada por tantas histórias e relatos terríveis, que além de existirem, não puderam contar com um desfecho justo em sua maioria. Contudo, também cresce em mim a vontade de seguir, e ser apoio dessas mulheres que sofreram tanto, até o final. Sentimentos de revolta, raiva, angústia e lamento me perseguiram em cada página, mas quero transformá-los em combustível para minha construção pessoal de uma sociedade mais empática e atenta às necessidades que se apresentam. Obrigada, Ana Paulo Araújo, pelo seu trabalho e pesquisa primorosos!
É um pouco decepcionada que eu início a minha escrita sobre esse livro. Depois de ler "Eu tenho um nome" eu quis ler "Abuso" por se tratar da temática do estupro no Brasil e expandir um pouco mais os conhecimentos a respeito da temática. Durante o livro a autora traz diversos relatos de extrema importância sobre experiências de estupro, abuso, assédio em todos os cantos do país. São relatos necessários e tratados com bastante cuidado ao longo da narrativa.
Agora, o que me incomodou: Não sei se é por eu estar imersa há muitos anos no ambiente de pesquisas acadêmicas, mas eu só conseguia pensar ao longo de todo o livro na falta de referências frente os muitos dados, pesquisas e documentos que a autora trouxe. Não tem referência. Se eu quiser ir atrás de alguma coisa que ela traz, eu não consigo. Tinha uma certa esperança de encontrar uma lista de referências no final do livro, mas o que temos é apenas algumas a respeito das reportagens de jornais e sites que ela cita. Todo o resto não temos
Também me incomodou algumas descrições a respeito de repercussões psicológicas nas vítimas de estupro. Algumas informações são colocadas de forma solta e descontextualizada no texto, perdendo um pouco da enorme complexidade que existe. Bem como sobre o acompanhamento psicológico para essa população
Por fim, eu entendo que a construção desse livro não é uma construção fácil e que entrar em contato com tantas histórias é uma experiência extremamente difícil e demandante para aquele sujeito que escuta. Contudo, achei em algumas vezes que a autora acaba fazendo associações bastante rasas de causa-efeito e traz algumas opiniões e percepções que, novamente, eu senti que tiram um pouco a grande complexidade que envolve esse tema
É uma leitura interessante, principalmente para pessoas com pouco contato sobre a temática e talvez busquem na leitura mais uma questão de narrativa e conhecimento geral sobre. Nesse caso, é um livro bastante potente para sensibilização e disseminação da informação de forma clara e acessível. Para mim, acabou sendo um pouco decepcionante, justamente por me deparar com as questões citadas que atrapalharam a minha leitura
No primeiro semestre de 2023, 1 mulher e/ou menina foi estuprada a cada 8 minutos. Um aumento de 14,9% em relação ao mesmo período de 2022.
Este é um dado real, alarmante e triste.
Neste livro feito pela jornalista Ana Paula, não vamos nos deparar com estatísticas, vamos nos deparar com a cruel realidade das mulheres e crianças brasileiras.
Durante 4 anos a jornalista percorreu o país coletando entrevistas com vítimas e parentes, criminosos, médicos e especialista e o resultado é este livro reportagem mostrando a vergonhosa realidade brasileira, onde o machismo é tão enraizado em nossa cultura, que a mulher ainda é vista como culpada pelo ataque.
Se isso não é absurdo o suficiente, pior é ver as próprias mulheres, das mais simples as mais graduadas, como até mesmo juízas, questionando e culpando as vítimas.
São relatos doloridos, que se machucaram a mim, nem imagino a dor que elas carregam. Pois além se sofrerem pelas agressões, ainda precisam conviver com a vergonha, culpa, acusações, desconfianças, medo. Vivem com um sistema que em vez de amparar e cuidar, muitas vezes enrolam e constrangem.
O livro não trás apenas relatos de casos reais, conhecemos também alguns direitos femininos, assim como procedimentos e atendimentos especializados para estes casos.
É um livro importante e esclarecedor, que deveria ser usado em escolas.
Um livro que trás para debate a banalidade desta violência e suas causas.
Mulheres, eduquem seus FILHOS, as mudanças começam em casa.
Homens, eduquem seus FILHOS, você pode não ter filha ou irmã, mas tem mãe, e ela pode ser uma vítima de estupro, visto que este crime atinge mulheres de todas as idades.
Como a jornalista bem destacou, a vítima NUNCA, JAMAIS é culpada. VOCÊ NÃO TEM CULPA!
Foi uma leitura difícil e enriquecedora, precisei respirar fundo em vários momentos, mas é um livro que recomendo a todos. Apenas cuidado com os gatilhos.
Ótimo dossiê sobre os crimes de violência sexual no Brasil. Um retrato sobre as diferentes faces do estupro: o parente, o líder religioso, o compulsivo/psicopata, os universitários, os pais que prostituem filhas, etc. Tudo ilustrado com relatos de sobreviventes de diversas partes do Brasil, mas atenção: algumas histórias podem ser gatilho para quem já sofreu violência sexual. O livro não entra tanto na questão da cultura do estupro como o título sugere (faz isso mais pra parte final, uma pincelada). A figura do estuprador é mais julgada do que analisada, mas se a autora fosse discutir cultura do estupro com profundidade, a masculinidade tóxica, patriarcado e todas aquelas coisas que estão por trás das violências de gênero, o livro teria o dobro do tamanho. Considerando que a Ana Paula Araujo levou quatro anos pra escreve-lo, durante as folgas do trabalho e fins de semana, está de ótimo tamanho. Me sinto muito mais informada a respeito da realidade brasileira.
A ideia do livro parece ser explicar as origens e as dimensões brutais, horrendas, do abuso e mostrar como a legislação foi mudada para proteger diferentes tipos de situações que colocam, principalmente, mulheres em risco. O problema é entender como essa legislação em geral não é aplicada ou pior, não é nem entendida como uma questão pelos algozes: não ter poder sobre corpos alheios não lhes passa pela cabeça. Absurdo, atrás de absurdo o livro constrói diferentes situações de abuso para mostrar como a lei agiu ou não, a impunidade dos algozes - quando não é jurídica, ela aparece como a falta de um peso insuperável que as vítimas carregam - e os efeitos nas vítimas.
Esse livro foi um soco no estômago, várias vezes pensei em parar de ler pois sofria com os relatos e ficava pensando neles por horas. Tive coragem e terminei e assim preciso dizer o quão necessário ele foi pra ampliar minha visão. Apesar de todo o cuidado da autora falar sobre abusos sexuais e estupro não é fácil, e ler sobre também não, achamos que sabemos muito pelas notícias, por algumas matérias mas teve relatos neste livro que me surpreenderam, e é extremamente triste pensar que pessoas passaram por essas experiências terríveis. Indico mas aviso que precisa ser forte para ler ele até o fim.
Esse livro é um daqueles livros que você tem que se preparar para ler, mas quando começa não consegue parar. Eu não consegui parar porque sentia que lendo os relatos de alguma maneira estava também ajudando a vítima a carregar um pouco do seu sofrimento. Esse livro me inspirou, me deixou chateada , mas acima de tudo esse livro me deu entendimento! Muitas coisas sobre como as vítimas podem procurar ajuda ou como são tratadas depois do ocorrido foram muitas vezes um balde de água fria, mas o relato da freira que é super “badass” (essa sim é a Patroa!) me deixou inspirada e emocionada de saber que temos super heroínas REAIS! E a Ana Paula Araújo é uma delas! Porque escrever um livro desses não é moleza não, mas é altamente necessário. Muito obrigada ❤️
Livro extremamente necessário. Impossível não se emocionar, entristecer e questionar. Precisamos falar sobre o tema para que um dia ele seja apenas passado. Minha única ressalva é que alguns tópicos são repetidos muitas vezes no livro, mas acredito que para reforçar e não deixar dúvidas nos leitores, principalmente naqueles não habituados com o tema. Incrível mesmo!
O livro tem um formato jornalístico em que são abordadas diversas histórias, de vítimas ou agressores, envolvendo a ocorrência de estupro. Não se trata, portanto, de uma obra teórica, mas traz importantes discussões e repercussões práticas de como a cultura do estupro se dissemina, e se mantém vigente, dentro do contexto nacional.
Esse livro é de tirar o fôlego, de dar nó no estômago, de chorar e perceber o quanto injusta e machista é a sociedade que vivemos. A triste e fria realidade do cultura do estupro no Brasil.
O tema é pesado e causa tristeza, mas é extremamente importante o debate sobre o assunto. O livro trata do tema de um ponto de vista jornalístico, e traz informações atualizadas que ajudam a entender a dimensão da gravidade e negligência como a vítima é tratada. Já passei por diversas situações em transporte público e também no trabalho, em especial no trabalho ninguém acreditou em mim, cheguei a ouvir que a culpa era minha por ser bonita, então consigo ter uma noção o que as vítimas citadas no livro enfrentaram, lamentável.