A expressão Trade Mark intrigava o poeta quando começou a soletrar, pelos seis anos de idade. Um dia destes, explica, "veio-me à ideia submeter a tratos de poesia algumas das marcas com que me cruzei, na infância ou na adolescência ou ainda na idade adulta - coisas que usei ou vi usadas por outrem, e que, geralmente por bons motivos, me ficaram gravadas na memória".
Assim, Pires Cabral escreveu poemas sobre isso mesmo - marcas de automóvel ou brilhantina, lâminas de barbear, canetas, remédios, tabaco, máquinas de costura e de escrever, preservativos, relógios…
ANTÓNIO MANUEL PIRES CABRAL nasceu em Chacim, Macedo de Cavaleiros, a 13 de agosto de 1941. Licenciado em Filologia Germânica pela Universidade de Coimbra, além da atividade docente no ensino secundário, foi responsável pelo pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Vila Real. A sua produção literária abrange os domínios do drama e da ficção, com especial destaque para a poesia que, ressentindo-se inicialmente da sua implantação transmontana, tem uma acentuada tendência para o diálogo intertextual nas últimas publicações. Autor de numerosos textos teatrais e antologias, sobretudo escolares, interessa-se principalmente pela problemática do Nordeste português, quer na vertente humana quer na paisagística, evocando por vezes motivos ou ambientes neo-realistas.