No dia 12 de fevereiro de 1989, Grêmio e Internacional entraram no gramado do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, para aquele que ficou conhecido como o mais importante confronto da história do esporte gaúcho - o chamado Gre-Nal do século. Na arquibancada, um garoto de quinze anos divide-se entre a atenção aos lances do campo e um dilema: dar ou não a Bruno, o irmão caçula ao seu lado, a notícia que vai mudar radicalmente a vida de ambos. Desde as primeiras linhas, este breve e original romance deixa claro que não trata propriamente de futebol, mas de suas relações com o universo dos afetos. Falar do que aconteceu numa partida real, seqüência construída com os instrumentos às vezes inconfiáveis da memória, é refletir ficcionalmente sobre uma experiência íntima. Assim, as descrições do pique de um centroavante ou do giro de corpo de um ponteiro direito, com as consequentes reações entre os torcedores, ganham ressonância no caminho percorrido pelo protagonista: inicialmente acuado pelos segredos terríveis que guarda - envolvendo o pai, a mãe e a desintegração iminente de sua família -, ele decide enfrentá-los à medida que mudam as expectativas quanto ao resultado do jogo.
Michel Laub was born in Porto Alegre, in 1973, and lives in São Paulo. He is a writer and journalist, he was editor-in-chief of Bravo magazine and coordinator of publications and internet at Instituto Moreira Salles. Today he is a columnist for Folha de S.Paulo, in addition to collaborating with several publishers and vehicles. He published six novels, all published by Companhia das Letras: Música Anterior (2001), Longe da água (2004), O segundo tempo (2006), O gato diz adeus (2009), Diário da queda (2011, with rights sold to the cinema)) and A maçã envenenada (2013). His books have been released in 12 countries and 9 languages. He is one of the members of the edition The best young Brazilian writers, of the English magazine Granta. He received the JQ - Winagte (England, 2015), Transfuge (France, 2014), Jabuti (second place, 2014), Copa de Literatura Brasileira (2013), Bravo Prime (2011), Bienal de Brasília (2012) and Erico Verissimo awards (2001), in addition to being a finalist in the Correntes de Escrita (Portugal, 2014), São Paulo de Literatura (2012 e 2014), Portugal Telecom (2005, 2007 e 2012) e Zaffari&Bourbon (2005 and 2011) awards.
“Naquele domingo foi a última vez que fez diferença, em que um centroavante entrando na área aos vinte e seis minutos do segundo tempo, diante da expectativa do meu irmão, do futuro imediato dele, teve alguma influência sobre mim.”
[3,5] fiquei bem surpresa ao encontrar esse livro na biblioteca da escola, pois não tinha conhecido até então narrativas que utilizassem de mecanismos futebolísticos como paralelo para uma ficção familiar. o autor conseguiu fazer essa analogia de uma forma muito desenvolta, o que tornou a leitura agradável e fluída para mim.
Consegue manter o interesse no texto por meio de certo suspense em torno de uma situação aparentemente banal: um irmão mais velho que precisar falar com o mais novo sobre os problemas em casa (não falo quais para não dar spoiler). Se a pessoa ler só pela história, pelo que acontece, talvez não veja nada demais. Mas o que há de melhor é o jeito de contar a história, o crescimento do personagem-narrador. Muito bom.