Terceira coletânea de poemas da vencedora do prêmio Nobel e um dos nomes mais cultuados da literatura polonesa. Depois dos festejados Poemas (2011) e Um amor feliz (2016), Para o meu coração num domingo reúne 85 poemas da voz que encantou o mundo com seus versos afiados, que misturam rigor formal, pitadas de ironia e tom levemente coloquial. No poema que dá título ao livro, Wislawa Szymborska "Você tem setenta méritos por minuto./ Cada contração tua/ é como o lançar de uma canoa/ no mar aberto/ numa viagem ao redor do mundo". Com organização e tradução de Regina Przybycien e Gabriel Borowski, este conjunto de poemas trata de experiências cotidianas, amor, sonhos, morte, filosofia, mitologia, história e antropologia, sempre com o olhar curioso, generoso e bem-humorado de uma das poetas mais extraordinárias do século XX.
Wisława Szymborska (Polish pronunciation: [vʲisˈwava ʂɨmˈbɔrska], born July 2, 1923 in Kórnik, Poland) is a Polish poet, essayist, and translator. She was awarded the 1996 Nobel Prize in Literature. In Poland, her books reach sales rivaling prominent prose authors—although she once remarked in a poem entitled "Some like poetry" [Niektórzy lubią poezję] that no more than two out of a thousand people care for the art.
Szymborska frequently employs literary devices such as irony, paradox, contradiction, and understatement, to illuminate philosophical themes and obsessions. Szymborska's compact poems often conjure large existential puzzles, touching on issues of ethical import, and reflecting on the condition of people both as individuals and as members of human society. Szymborska's style is succinct and marked by introspection and wit.
Szymborska's reputation rests on a relatively small body of work: she has not published more than 250 poems to date. She is often described as modest to the point of shyness[citation needed]. She has long been cherished by Polish literary contemporaries (including Czesław Miłosz) and her poetry has been set to music by Zbigniew Preisner. Szymborska became better known internationally after she was awarded the 1996 Nobel Prize. Szymborska's work has been translated into many European languages, as well as into Arabic, Hebrew, Japanese and Chinese.
In 1931, Szymborska's family moved to Kraków. She has been linked with this city, where she studied, worked.
When World War II broke out in 1939, she continued her education in underground lessons. From 1943, she worked as a railroad employee and managed to avoid being deported to Germany as a forced labourer. It was during this time that her career as an artist began with illustrations for an English-language textbook. She also began writing stories and occasional poems.
Beginning in 1945, Szymborska took up studies of Polish language and literature before switching to sociology at the Jagiellonian University in Kraków. There she soon became involved in the local writing scene, and met and was influenced by Czesław Miłosz. In March 1945, she published her first poem Szukam słowa ("I seek the word") in the daily paper Dziennik Polski; her poems continued to be published in various newspapers and periodicals for a number of years. In 1948 she quit her studies without a degree, due to her poor financial circumstances; the same year, she married poet Adam Włodek, whom she divorced in 1954. At that time, she was working as a secretary for an educational biweekly magazine as well as an illustrator.
During Stalinism in Poland in 1953 she participated in the defamation of Catholic priests from Kraków who were groundlessly condemned by the ruling Communists to death.[1] Her first book was to be published in 1949, but did not pass censorship as it "did not meet socialist requirements." Like many other intellectuals in post-war Poland, however, Szymborska remained loyal to the PRL official ideology early in her career, signing political petitions and praising Stalin, Lenin and the realities of socialism. This attitude is seen in her debut collection Dlatego żyjemy ("That is what we are living for"), containing the poems Lenin and Młodzieży budującej Nową Hutę ("For the Youth that Builds Nowa Huta"), about the construction of a Stalinist industrial town near Kraków. She also became a member of the ruling Polish United Workers' Party.
Like many Polish intellectuals initially close to the official party line, Szymborska gradually grew estranged from socialist ideology and renounced her earlier political work. Although she did not officially leave the party until 1966, she began to establish contacts with dissidents. As early as 1957, she befriended Jerzy Giedroyc, the editor of the influential Paris-based emigré journal Kultura, to which she also contributed. In 1964 s
(Releitura em fevereiro de 2024) Ela é tão subline. Me dói saber que perco tanto na tradução.
A poesia dessa mulher sempre traz verdades difíceis de digerir, mas ditas de um modo sempre sereno. Fico pensando na crueldade de Drummond quando nos põe diante das vísceras do mundo, eventos grotescos demais para olhar diretamente e que mesmo assim ele mostra. A Wisława, antes de dar o tabefe, dá voltas de sutileza. Nada é cru em demasia.
Adoro a cadência da poesia dela e como os temas são abordados, a repetição de palavras bem característica no início dos versos em muitas ocasiões.
Há catálogos de catálogos. Há poemas sobre poemas. Há peças sobre atores representadas por atores. Cartas em razão de cartas. Palavras que servem para esclarecer palavras. Cérebros ocupados em estudar cérebros. Há tristezas que contagiam como o riso. Papéis que provêm da coleta de papéis. Olhares vistos. Declínios declinados. Grandes rios com importante contribuição dos pequenos. Bosques completamente recobertos de bosque. Máquinas destinadas à produção de máquinas. Sonhos que de súbito nos despertam do sonho. Saúde necessária para recobrar a saúde. Escadas tanto para baixo como para cima. Óculos para encontrar os óculos. O inspirar e o expirar da respiração. E, mesmo que só de vez em quando, há ódio do ódio. Porque, em última instância, há ignorância da ignorância e mãos empregadas em lavar as mãos.
Considerando que meu critério para definir o quanto gostei ou não de um livro de poesia é a quantidade de páginas que dobro para digitar e incluir nos meus arquivos, esse é a coletânea da tia Wislawa que menos me cativou. O que não significa que não há poemas dos quais gostei muito, como, por exemplo, esse "Alguém que venho observando há algum tempo" (que me fez lembrar o Hirayama do filme "Dias perfeitos"):
Não chega em bando. Não se reúne em multidões. Não frequenta em massa. Não celebra com rojões.
Não tira de si uma voz em coro. Não declara aos quatro ventos. Não atesta em nome de. Não é na sua presença essa perguntação – quem é a favor, quem contra, obrigado, pois não.
Falta a sua cabeça onde cabeça com cabeça onde passo a passo, ombro a ombro e em frente para a meta com folhetos nos bolsos e com o produto do malte.
Onde só no começo bucólico e angélico, pois logo uma turba se conturba e não se vai saber de quem, ah, de quem são essas pedras e flores, cores e paus.
Desapercebido. Desimportante. Trabalha na limpeza urbana. Ao raiar do dia, no lugar onde aconteceu, ele junta, carrega, joga na carretinha, o que foi pregado nas árvores semivivas o que foi pisoteado na grama estropiada.
Essa foi a primeira leitura do meu novo "projeto": ler poesia.
Foi lendo e estudando os russos que eu percebi que só lia prosa - e pior: nem percebia isso. Só consegui entender isso lendo os poemas do Púchkin na coletânea de textos da Dama de Espadas, publicada pela 34.
Então, parti pra mais uma empreitada sem qualquer previsão de término; comprei alguns livros de poesia e esse, da Wisława Szymborska, me chamou especialmente a atenção.
É impossível dizer que não teria melhor começo que esse, mas o livro realmente me marcou. A tradução faz com que os poemas pareçam ter sido escritos em português - e eles são incríveis. Fiquei feliz em ter começado a ler poesia.
Te agradeço, coração meu, por não se queixar, por se afanar sem elogios, sem recompensa, num desvelo inato. Você tem setenta méritos por minuto. Cada contração tua é como o lançar de uma canoa no mar aberto numa viagem ao redor do mundo. Te agradeço, coração meu, porque sem cessar você me retira do todo, separada até no sonho. Você cuida para que eu não sonhe demais com o voo para o qual não é preciso ter asas. Te agradeço, coração meu, por eu ter acordado de novo e embora seja domingo, dia de descanso, sob as costelas você seguir o ritmo normal da semana."
Eu não tenho nem palavras pra descrever como me senti lendo isso, o quanto isso foi como um abraço forte e aconchegante. Obrigado, Wisława.
"Despedida a uma paisagem
Não reprovo a primavera por começar de novo. Não a culpo pelo fato de cumprir a cada ano a sua obrigação. Entendo que a minha tristeza não deterá o verde. Uma folha de relva, se oscila, é só ao vento. Não me causa dor saber que os amieiros sobre as águas têm de novo com que sussurrar. Reconheço que— como se você ainda vivesse —a margem de certo lago segue bela como era. Não tenho rancor da vista pela vista da baía resplandecente de sol. Consigo até imaginar outros, não nós, sentados neste instante no tronco de bétula caído. Respeito o direito deles ao sussurro, ao riso e a um silêncio feliz. Presumo até que estejam apaixonados e que ele a enlace com um braço vivo. Algo novo esvoejante farfalha na folhagem. Meu desejo sincero é que eles o ouçam. Nenhuma mudança exijo das ondas costeiras, ora ligeiras ora lânguidas, e que não obedecem a mim. Nada reclamo das águas profundas junto ao bosque, ora esmeralda, ora safira, ora negras. Só uma coisa não aceito. A minha volta para lá. O privilégio da presença —renuncio a ele. Sobrevivi a você só o bastante para pensar de longe."
Difícil demais dar uma nota pra essa coletânea de poesias. Penso às vezes que ler poesia é como ouvir música, às vezes nos afeta profundamente e às vezes nos passa despercebida. Eu poderia reler todas as poesias e ser afetado brutalmente, ou não. No entanto, e apenas talvez, não seria assim pra todo o resto?
Lindo. Acho que mais do que um jeito com as palavras (embora isso não falte, de forma alguma), a Szymborska tem uma capacidade muito perspicaz de eleger os temas a que dedica seus poemas. Eu teria chorado se meu corpo se permitisse a isso, mas quis chorar.
eu li aos pouquinhos porque queria saborear bem a poesia dela. é tudo muito bem escrito e sensível. alguns me pegaram menos, mas quando ela fala sobre a própria vida e como entende desejos e expecativas, ai ai, eu fiquei toda toda.
Esse livro é Tempo de Amor, do Vinícius de Moraes com Baden Powell: nada mais bestial do que uma consciência limpa no terceiro planeta do Sol. Não é o meu preferido da Wislawa, mas ela me lembra que é impossível viver de verdade sem se emprestar pro mundo.
“Nada é dado Nada é dado, tudo emprestado. Estou atolada em dívidas até o pescoço. Serei forçada a pagar por mim gastando a mim mesma, dando a vida pela vida”