As travestis trabalhadoras do sexo são representadas no imaginário social como «aberrações»: pessoas «doentes», com personalidade instável, sexualmente «promíscuas», «violentas», que frequentemente se encontram envolvidas em roubos e drogas. São, no fundo, pessoas a evitar. A difusão reiterada destes discursos, produzidos na sua maioria a partir de um contacto superficial com a realidade das travestis, tem tido um efeito profundamente estigmatizador, incitando ao ódio, promovendo um clima de violência socialmente aceite, empurrando-as para territórios periféricos, marginais e ligados ao submundo. Tentando contrariar esta tendência, ao longo de cinco anos, Nélson Alves Ramalho mergulhou no mundo da prostituição travesti para compreender as suas trajectórias pessoais, a sua identidade, os seus modos de vida e os processos de exclusão social a que diariamente estão sujeitas.
Um estudo de investigação profunda durante 5 anos, transformado num livro para todxs podermos conhecer a realidade destas pessoas. Agradou-me pelo tema e pelo detalhe íntimo de cada história. Um livro importante para nos aproximarmos do que desconhecemos e muitas vezes, evitamos.
Bem escrito, apesar de alguns erros gramaticais, é sem dúvida interessante por nos permitir, sem hostilizar, satisfazer a nossa curiosidade sobre estas pessoas e sobre esse fenómeno, para mim tão difícil de entender, da fluidez de género.